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|   Rio, 19 de novembro de 2008
Enviado por Jorge Antonio Barros -
19.11.2008
| 8h00m
justiça seja feita

De Sanctis X Lavagem de dinheiro

O juiz Fausto de Sanctis - que está no centro de uma polêmica com o STF, por ter sido rigoroso com o banqueiro Daniel Dantas, acusado de lavagem de dinheiro - mostrou que é duro na queda. Ele simplesmente rejeitou ser promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal para continuar sua luta contra os criminosos de colarinho branco que lhe dão bastante trabalho na 6a Vara Federal Criminal, em São Paulo.

Hoje de manhã ele deve conduzir a audência final de entrega das alegações no processo da polêmica Operação Satiagraha, em que o banqueiro é acusado de corrupção por tentar subornar um delegado da Polícia Federal. Por exigência de De Sanctis, Daniel Dantas e outros dois executivos do Opportunity terão que comparecer à Vara.

Na segunda-feira De Sanctis escapou de ser afastado do caso, por decisão do TRF, que julgou pedido de afastamento feito pelos advogados de Daniel Dantas. Podemos dar um google, mas duvido que em outro país do mundo um acusado de crimes tenha força para escolher por quem será ou não será julgado. Só no Brasil. Aqui alguns acusados parecem ter mais direitos do que outros.

Em microentrevista exclusiva a este blogueiro, De Sanctis admitiu na segunda-feira passada, no Rio, que o combate ao crime de lavagem de dinheiro prevê "métodos não ortodoxos". Eu não tenho procuração para falar em nome do magistrado, mas entendo muito bem o que ele quis dizer com isso. Afinal, uma escuta telefônica autorizada judicialmente não faz mal a ninguém que não esteja, pelo telefone, planejando cometer crimes.

E agora, com sua decisão de abrir mão de ser promovido, estou convencido de que sua obstinação deve servir de exemplo a quem pensa em desistir da luta contra o crime. Vai fundo, De Sanctis.

Videoreportagem Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservados


Enviado por Jorge Antonio Barros -
19.11.2008
| 7h00m
educação

Paiol do tráfico em Ciep tem que servir de alerta para todos

Para salvar vocações religiosas, durante a Guerra Civil da Espanha, na década de 30, a Ordem de Santo Agostinho enviou ao Brasil muitos frades, como missionários. Um deles foi Frei Agostinho Fincias, o primeiro pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Consolação e Correia, no Engenho Novo, em 1933. O religioso acabou dando nome a um Ciep, que funciona no mesmo subúrbio do Engenho Novo.

Ontem o Ciep Frei Agostinho Fincias - com o nome do religioso que escapou da guerra espanhola - se viu no meio de mais uma batalha entre a polícia e o tráfico encastelado nas favelas do Rio. O Ciep foi cercado pela PM atrás de traficantes e a diretora argumentou que não seria possível fazer operação policial por causa da festa em homenagem ao Dia da Consciência Negra, que será comemorado amanhã, feriado no Rio.

Mas aí está um episódio em que está todo mundo de parabéns. A diretora Norma Sueli, que tentou convencer a PM a não fazer operação no Ciep na hora da festa de Zumbi; o comandante do 3o Batalhão, coronel Marco Alexandre, que convenceu a diretora do contrário e não tripudiou dela depois que acabou tudo; e os policiais que descobriram o paiol do tráfico dentro do Ciep vizinho a uma favela no Engenho Novo.

Esse caso é apenas um exemplo do abandono de escolas vizinhas a favelas dominadas pelo tráfico. O problema é antigo, mas nunca é tarde para se fazer alguma coisa para tentar se reverter esse quadro. Com o apoio da Secretaria de Segurança, a de Educação deveria urgentemente fazer um diagnóstico dessa situação e enviar socorro às crianças, professores e servidores. Essas escolas não podem, por exemplo, abrir mão de um espaço para a prevenção contra drogas. As crianças precisam ser orientadas para não achar natural a convivência com o crime nem a reprodução do modelo de competição das facções criminosas. Mais do que em qualquer outra escola, deve-se criar um centro de resistência pela paz e contra os valores que vêem a polícia como uma inimiga.

Os traficantes não podem continuar impunemente expandindo seus limites. Não podem agir com tanto cinismo e usar até mesmo instalações do poder público.

Eu sei que o trabalho é árduo, mas algo precisa ser feito com urgência.

Conheça a história toda no site do GLOBO.

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
18.11.2008
| 6h04m
caos carioca

Temporal abre espaço até para 'canoas piratas'

Certamente você vai pensar que o blog REPÓRTER DECRIME está em todo lugar desta cidade. Não, caro leitor. Foi mera casualidade. Depois de esperar mais de meia hora por um táxi, resolvi encarar ontem o metrozão na hora do rush e, ao desembarcar na Estação Praça Onze, a caminho do jornal, deparei-me com uma cena tragicômica. Um carro submerge, um morador cai dentro da água e um bando de garotos inaugura um serviço expresso de "canoas piratas" a R$ 1. Isso tudo em pleno Centro da cidade maravilhosa.

Confira:

Para complementar o momento TV Pirata deste blog, uma palinha do rei do trocadilho da internet, Arthur Lobo Filho, pescada da caixa de comentários deste blog:

"Ué, mas as canoas oficiais não são todas furadas? Canoa "pirata" a Cr$1,00... Muito barato...Sabem com quantos "paus" se faz uma canoa? Pois é..."Botes" fé nisso...Com tanta água nem a nau dos governantes dá...pé... "Caiaqui" pra tu vê ...Transporte decente pra população? Nada...nada...O povo nem sequer (e se quiser mesmo) nem fica a ver navios...O "must" da estação é comprar submarinos, de preferência amarelos...Além de coletes à prova de balas a população deverá adotar o uso de escafandros pra ir pro trabalho e voltar pra casa tranquila...Senão fica boiando na parada, que não é de ônibus ou de táxi...É como diz a turma da Funasa : pior do que o temporal, só o T#emporão...E como dizia a minha avó: onde há Funasa há fogo... "

Videoreportagem: Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservados


Enviado por Jorge Antonio Barros -
18.11.2008
| 6h00m
memórias afetivas

Arnaldo Bloch lança livro sobre a saga de sua família

Este blog também é cultura. E cultura jornalística, de redação mesmo. Na nossa série de entrevistas com repórteres que são escritores, conversei noite passada com o jornalista Arnaldo Bloch, colunista do GLOBO, que lança hoje à noite na Travessa de Ipanema seu mais recente livro, "Os irmãos Karamabloch, Ascensão e queda de um império familiar" (Companhia das Letras). Em seu livro, o jornalista - que é integrante da quarta geração - narra a saga dos Bloch, que fundaram um império gráfico, jornalístico e editorial. Arnaldo tem um texto requintado mas, ao mesmo tempo, simples e fluente.

Vale a pena conhecer mais de um personagem de um outro Rio, que já não existe mais. Numa época em que meu falecido pai, Jorge da Costa, foi um campeão de vendas de enciclopédias da Bloch Editores. Também por isso, meus respeitos à família Bloch.

Videoreportagem Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservado


Enviado por Jorge Antonio Barros -
18.11.2008
| 5h32m
blogosfera

Os blogs jornalísticos de segurança pública

Esse vídeo você não vai ver na concorrência. A Universidade Estácio de Sá, Campus Madureira, promoveu um encontro dos responsáveis pelos três grandes blogs especializados em segurança pública e criminalidade, feito por jornalistas do Rio. O blog "Casos de Polícia e Segurança", do "Extra"; o Blog de Segurança, do jornal "O Dia"; e o este blog que vos fala. Cada um deles tem sua espeficidade. Eles acabam se complementando, exceto quando um deles dá alguma matéria em primeira mão, é claro. Nessa disputa, o maior vencedor é o leitor.

Esses blogs são apenas uma parte da blogosfera ligada no tema da segurança. Cada vez mais policiais civis, militares e federais se prepararam para levar ao público a discussão de um tema que brevemente terá mais especialistas do que técnicos em futebol de várzea. Que seja assim. Quando a segurança se tornar a principal conversa da esquina, com certeza teremos aumentado um pouco nosso nível de consciência cidadã.

Post Scriptum: Se você tem um blog sobre segurança e gostaria de ser catalogado por um projeto especial deste blog, envie seu link para o endereço reporterdecrime@globo.com com cinco linhas sobre o conteúdo do seu blog, se só pode blogar com codinome e que outras dificuldades enfrenta para estar na blogosfera.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
17.11.2008
| 14h46m
instinto de sobrevivência

Sobre o alívio e a tristeza de ter desistido de um teatro no sábado

Por incrível que pareça, a pior sensação que se pode ter é de que você descobre que tomou a decisão certa ao não sair de casa sábado à noite para ver uma comédia muito legal, num teatro bacana na Zona Norte do Rio. Para quê teatro, para quê cultura? Rir de quê se você não tem o simples direito de ir e vir garantido.

Pois foi o que aconteceu comigo sábado à noite. Desisti de ir ao teatro na Zona Norte porque a peça acabaria por volta das 23h e eu teria que passar por lugares que não aconselho a ninguém depois de certo horário, embora sejam locais onde vivem pessoas como eu e você.

Eu só soube que tomei a decisão certa quando abri a página 10 do GLOBO de hoje e vi a manchete de página:

"Bandidos fazem arrastão no Engenho Novo".

Foi sábado à noite, na Rua 24 de Maio.

Poderia ter sido comigo. Mas ocorreu com alguém que possivelmente não estava indo ao teatro. Estava apenas voltando para casa, num bairro a menos de oito quilômetros do Centro do Rio.

Deve ser triste ter que morar num lugar assim, não?


Enviado por Jorge Antonio Barros -
17.11.2008
| 14h35m
web 2.0

Ajude a OAB-SP a decidir corretamente sobre um pedido de registro

Vamos ajudar a OAB-SP a decidir corretamente se dá ou não registro profissional ao jornalista Pimenta Neves, que foi condenado a 15 anos de prisão pela morte da também jornalista Sandra Gomide, em 2000. Se você acha que um assassino pode exercer a profissão de advogado, tudo bem. Mas se pensa diferente, envie por aqui sua mensagem à OAB de São Paulo. Até às 16h de hoje.

É importante que a OAB, a despeito da defesa dos direitos civis, não perca sua visão em favor da sociedade.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
17.11.2008
| 14h34m
polêmica

Presidente da OAB federal critica desunião na Justiça

Falando em OAB, o presidente nacional da Ordem, Cezar Britto, publica no Correio Braziliense de hoje o artigo "Desunião enfraquece Justiça", sobre a disputa de poder que está sendo travada entre juízes no país.

Leia aqui a íntegra desse artigo.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
16.11.2008
| 13h18m
policiamento

O mistério da cabine fantasma

A TV Repórter de Crime flagra uma cabine da PM sem policiais em plena luz do dia, num sábado, na Praça General Osório, onde se iniciava a montagem das barracas para a tradicional Feira Hippie, ponto turístico da cidade, em Ipanema. A cabine ficou vazia por mais de uma hora. Só depois desse tempo, decidi gravar o vídeo.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
16.11.2008
| 13h13m
DEPOIMENTO

'Muito policial passa a 'fechar' com os bandidos'

Apesar da crítica que faço às falhas no policiamento, não posso fechar os olhos para a dura realidade de alguns policiais, independentemente da questão salarial. No policiamento das favelas, por exemplo, é o caos completo. Reportagem de Sérgio Ramalho, no GLOBO de hoje, revela que os PMs em postos em favelas praticamente ignoram o tráfico. Ramalho conseguiu um depoimento em primeira pessoa de um PM, que não se identificou por motivos óbvios.

Leia a íntegra do depoimento do PM sobre trabalhar em postos em favelas:

"Tirar serviço num Posto de Policiamento Comunitário (nas favelas) em alguns casos é sinônimo de castigo na PM.
Já passei por dois desses postos em favelas da Zona Sul e posso garantir que a sensação do policial
nessas unidades é de completo abandono. É vo-cê e, no máximo, dois outros policiais no meio de
uma favela dominada por traficantes fortemente armados. Numa situação dessas quem vai prender
quem? Nenhum PPC hoje trabalha com o número de PMs estabelecido no momento em que a unida-
de é aberta. O Comando Geral da corporação vai negar, mas é a pura verdade.

Tem PPC onde apenas um PM fica de serviço. Não bastasse o receio de ser alvo de ataques dos
bandidos, o policial é obrigado a tirar serviço em unidades insalubres, sujas, sem a menor estru-
tura. Numa ocasião, eu e outro policial ficamos cercados por traficantes após uma operação da
Polícia Civil em que um dos integrantes da quadrilha foi morto. É assim
que acontece.

Sempre
que há uma operação nu-
ma favela, o PM do PPC é
o principal alvo de reta-
liação dos bandidos.
Nesse cenário, muito
policial passa a “fechar”
(negociar) com os bandi-
dos, recebendo uma cai-
xinha semanal para man-
ter os bandidos informa-
dos sobre operações.
Quando se está no alto
de uma favela como a Vi-
la Cruzeiro ou a Rocinha,
por exemplo, não dá pa-
ra esperar ajuda rápida
de quem está no bata-
lhão. Todo o comando
da PM sabe disso. Quan-
do decidiram implantar
o Gpae, a primeira unida-
de tinha 180 homens,
quase o efetivo de uma
companhia. Hoje são no
máximo 30 homens, para
dividir em plantões de
12 horas por 24 horas.
Imagine se o PM deci-
de cumprir seu papel e
prende um “vapor” (tra-
ficante), com uma carga
de cocaína e uma arma.
Assim que voltar da de-
legacia, o policial fatal-
mente será atacado pe-
los demais integrantes
do bando. Já o PM que recebe
caixinha dos bandidos,
costuma levar à delega-
cia droga estragada e ar-
mas velhas, que os ban-
didos jogam fora depois
de retirar peças."

(De um policial militar do Rio de Janeiro, não identificado)


Enviado por Jorge Antonio Barros -
15.11.2008
| 6h31m
imagens exclusivas

Juiz de polêmica com o STF cita jurista que serviu ao nazismo

O juiz federal criminal Fausto de Sanctis esteve num redemoinho, em julho deste ano, quando ousou mandar prender o banqueiro Daniel Dantas, depois que o presidente do STF, Gilmar Mendes, havia derrubado a prisão temporária do empresário acusado de envolvimento com crimes de colarinho branco. De Sanctis alega que agiu em nome da lei e da acusação da tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal, que beneficiaria Dantas.

A polêmica do "Solta e Agarra" abalou o Estado de Direito. A Operação Satiagraha volta novamente às manchetes com o surgimento do suposto autor do grampo do presidente do Supremo. A famosa operação revolve as entranhas de uma crise institucional sem precendentes, que envolve a Abin, a Polícia Federal e a corte suprema. A Polícia Fedeal quer condenar os acusados; o STF legislar; e os espiões da Abin arrumar o que fazer no país, na falta de uma boa estratégia para espionar o exterior.

Na segunda-feira passada, este repórter embarcou com o juiz De Sanctis no elevador do Terminal Menezes Cortes, no Centro do Rio, onde o magistrado foi falar na Universidade Estácio de Sá sobre o crime de lavagem de dinheiro, sua especialidade, no lançamento do livro do procurador Astério dos Santos.

Único a portar uma câmera de vídeo no auditório lotado, gravei para a minha, a sua, a nossa TV Repórter de Crime, quase meia hora de discurso do magistrado  aplaudido efusivamente pela platéia formada por procuradores, advogados, policiais e estudantes de direito. Saí dali com a convição de que tinha um documento revelador, apesar de saber que no dia seguinte uma boa parte da conferência estaria nos jornais. Como o objetivo deste blog não é furar jornal algum, mas apenas trazer o tempero que às vezes falta às notícias do dia-a-dia, relaxei.

Graças ao repórter José Casado - que assina hoje a matéria revelando que o delegado Protógenes desconfiava da sua própria instituição, a PF - fiquei sabendo quem era o tal Carl Schmidt, citado no discurso emocionado do juiz De Sanctis. Schmidt foi um jurista que serviu ao nazismo e defendeu a tese de que o povo é mais importante que a Constituição. Eu sou completamente antinazista, mas confesso que gostei de algumas idéias do juiz De Sanctis, em favor de se abrir mão de alguma privacidade em troca de uma ação mais inteligente da polícia no combate ao crime, de toda espécie.

Para quem quiser saber mais, leia o Consultor Jurídico.

 

 

Imagens e edição Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservados

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
15.11.2008
| 6h30m
drogas

Fábio Assunção luta contra a cocaína

A capa da "Veja" desta semana traz o drama vivido pelo ator Fábio Assunção (foto), que foi afastado da novela "´Negócio da China", da Rede Globo, para se tratar da dependência de cocaína. Em janeiro deste ano ele havia sido flagrado pela polícia na hora em que receberia a droga de um traficante.

"O Fábio é uma pessoa rara. Tem um caráter reto e é extremamente inteligente e sensível. Estou certa de que ele terá força suficiente para superar as adversidades", disse Cláudia Abreu a "Veja".

É o que todos esperamos.

Leia a íntegra da matéria aqui (liberada só para assinantes):

"Especial
A luta de Fábio

Sem condições de atuar, Fábio Assunção,
um dos mais queridos atores da televisão
brasileira, deixa a novela Negócio da China,
da Globo, para tentar se livrar do vício
em cocaína

Ronaldo França e Silvia Rogar

DIFÍCIL RECOMEÇO
Fábio Assunção passou a faltar às gravações e já não conseguia decorar os textos: sintomas do abuso de drogas

Talento, beleza e seriedade profissional foram os ingredientes que ajudaram Fábio Assunção, de 37 anos, a erigir uma das mais bem-sucedidas trajetórias na televisão brasileira. Em dezoito anos de profissão, consagrou-se como ator do primeiro time da Rede Globo. Na semana passada, a emissora decidiu afastá-lo do elenco de Negócio da China, a novela das 6 que estreou em outubro e da qual era o protagonista. O afastamento deve-se à dependência de cocaína, e foi decidido porque sua permanência se tornara impossível. Fábio estava irreconhecível. Não conseguia mais decorar os textos. Começou a dormir pelos cantos do estúdio – sonolência decorrente do uso de calmantes que tomava para conseguir descansar um pouco à noite – e deixou de ensaiar com os colegas, uma praxe antes das gravações. Fumava sem parar e o trabalho da equipe de maquiadores aumentou bastante, porque era preciso disfarçar os reflexos das noites em claro – o que nem sempre funcionava. Para o espectador, a imagem era a de um galã abatido e sem expressão. No fim de outubro, Fábio desmaiou durante uma gravação. Finalmente, na quinta-feira passada, o ator se reuniu com a direção da Rede Globo para sacramentar seu afastamento. À nota oficial da emissora, ele acrescentou um texto escrito de próprio punho, informando que, "por motivo de saúde", deixava o folhetim por tempo indeterminado: "Que Deus ilumine meus passos na minha recuperação e com a confiança de que o mais breve possível estarei de volta para esse público que tanto amor me dá", diz um trecho da nota. O ator gravou as cenas que dão sentido ao seu desaparecimento de Negócio da China e depois se retirou do Projac, fazendo silêncio sobre como e onde vai enfrentar sua doença.

Convocar Fábio para a novela das 6 foi um risco calculado pela Rede Globo. Sua escalação foi motivo de reuniões e houve, na direção da emissora, quem fosse contra. Temia-se que sua inconstância prejudicasse o cronograma e o orçamento de Negócio da China – o que de fato ocorreu. A produção de um capítulo custa, em média, 270 000 reais. Deixar técnicos, cenários e equipamentos à espera de um ator não está no roteiro. Em 2007, durante as gravações de Paraíso Tropical, os atrasos freqüentes de Fábio já sinalizavam que o problema com a cocaína começava a influir na profissão. Ele emagreceu a olhos vistos e chegou a ficar cinco dias afastado das gravações. A situação, porém, ainda não havia fugido de controle. A imagem do ator ficou arranhada mesmo aos olhos do público quando, em janeiro deste ano, ele foi flagrado pela Polícia Federal no momento em que receberia uma encomenda de cocaína. O traficante, identificado como Orlando Dias, levava consigo 30 gramas do pó, quantidade que supera em muito o que uma pessoa é capaz de consumir em um dia. Fábio foi ouvido como testemunha e declarou ser usuário de cocaína. "A testemunha Fábio Assunção Pinto afirmou ter telefonado para o réu, com quem marcou encontro em sua residência a fim de comprar cocaína do mesmo, o qual era seu fornecedor habitual", afirmou a juíza Cristina Fabri, da 17ª Vara Criminal de São Paulo, em sua sentença.

O episódio foi minimizado pelo ator e pela Globo, mas provocou a primeira conseqüência concreta do vício na carreira de Fábio. Depois de participar das primeiras leituras de A Favorita, novela do horário das 8, e fazer até prova de figurino como o vilão Dodi, ele foi substituído por Murilo Benício. Sem trabalho, decidiu deixar o país para se reabilitar em uma clínica nos Estados Unidos. Embora não tivesse terminado o tratamento, ele se considerava curado e pronto para voltar ao trabalho, no que foi apoiado pelo diretor Roberto Talma, seu amigo. Negócio da China estaria longe de ser o maior desafio de Fábio na televisão. Exibida na faixa das 6, não teria a pressão do horário nobre. O ator também não sairia de uma zona de conforto profissional. Seu personagem, Heitor, era feito sob medida, uma vez que Fábio se revelou na interpretação de rapazes bonzinhos. Tudo estava arrumado, enfim, para que desse certo. Mas a recaída não tardou.

Na quinta-feira, depois de decidido o seu afastamento, Fábio Assunção telefonou ao autor de Negócio da China, Miguel Falabella. Angustiado, disse que não queria tê-lo deixado na mão. Pediu desculpa. Falabella já vinha trabalhando numa saída. "Há algum tempo, quando percebi que o gato tinha subido no telhado, comecei a pensar que destino dar ao personagem de Fábio", conta. A novela gira em torno do roubo de 1 bilhão de dólares em um cassino, na China. As informações que revelam o destino do dinheiro estão guardadas em um pen drive que vem parar no Brasil e troca de mãos, movimentando o enredo. Heitor, o personagem de Fábio, vai desaparecer no capítulo que será exibido no dia 27, ao tentar desvendar o mistério. "Gostaria que ele voltasse para o fim da novela. O Fábio é bonito, talentoso, mas está passando por um período de fraqueza. E quem não tem as suas?", diz Falabella.

Em seu lugar, entrará o galã Thiago Lacerda. Viverá um médico que se aproxima da personagem de Grazi Massafera para cuidar de seu filho, Théo, vítima de um problema cardíaco. Negócio da China foi ao ar no início de outubro com a difícil missão de atrair novamente o espectador para o horário das 6. Sua antecessora, Ciranda de Pedra, foi um grande fracasso, com audiência média de 22 pontos. Até agora, Negócio da China não decolou. Desde a estréia, acumula média de 24 pontos. Fábio era o protagonista e vivia um triângulo amoroso com a bela Grazi num dos vértices. Não se sabe o que uma guinada tão brusca pode provocar. Essa é a medida da difícil decisão tomada pela direção da Globo.

O mundo das celebridades, no Brasil ou fora daqui, é permissivo em relação às drogas. Seu consumo é considerado "recreativo", ou, nos casos mais estúpidos, "inspirador". O uso dessas substâncias entre esse grupo de pessoas é consentido, quando não é claramente valorizado como parte da experimentação que deve acompanhar o ato de criação artística. Na era das "clínicas de rehab" (reabilitação), fazem sucesso os reality shows americanos sobre a maneira como gente famosa, bonita e bem-sucedida lida com a dependência química (veja reportagem). O subtexto desses shows é espúrio: eles dão a entender que a devastação provocada pelo vício pode sempre ser detida no último instante. Isso, claro, não é verdade. As drogas pesadas são problema sério para quase 26 milhões de pessoas no mundo de acordo com a ONU – a maioria nos grandes centros urbanos. Elas matam 200.000 pessoas por ano. Só no Brasil, há 870.000 usuários. No âmbito privado, a dependência química acaba com relacionamentos e inviabiliza o trabalho. É uma doença. Ponto.

Uma das dificuldades para lidar com a dependência da droga é que a linha que separa o uso recreativo do mergulho no vício é muito tênue. "Em geral, a pessoa vai se tornando viciada sem se dar conta", diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, são poucos os que conseguem se manter como usuários ocasionais da droga. "Isso até acontece, mas a proporção é ínfima", diz Laranjeira. Raramente alguém admite que tem problemas nessa área e busca tratamento. E mesmo esse caminho é difícil. Em geral, apenas 20% dos pacientes que começam o tratamento dão continuidade a ele. O script, nesses casos, costuma ser o seguinte: uma ou duas semanas depois de iniciado o tratamento, a pessoa se sente autoconfiante e tende a retomar a convivência com as mesmas pessoas e a freqüentar os mesmos lugares. O resultado é que acaba voltando a cheirar, a fumar ou a picar-se.

A tristeza legítima causada pelo drama de um jovem talentoso e querido pelo público, e o desejo de vê-lo recuperado, não deve impedir que se aborde outro tema – a responsabilidade social do usuário de drogas. No ano passado, uma barreira importante foi rompida no Brasil com o filme Tropa de Elite, que ressaltou a maneira como usuários e criminosos estão atados numa cadeia perversa. O consumidor financia os traficantes e alimenta a compra de armas. É preciso que se diga que as drogas também são responsáveis pela degradação do espaço urbano – e não apenas quando, ilegais, elas se tornam o motor de guerras territoriais entre traficantes. Experiências de descriminação do consumo levadas a cabo em alguns países foram infelizes. Em Zurique, na Suíça, um parque transformado em zona franca para o consumo de drogas pelas autoridades logo se depauperou – e foi preciso recuar da experiência. Quando uma pessoa se torna dependente química, perde a noção de seu estado real. Nas primeiras vezes, contudo, a decisão de se drogar é tomada de maneira consciente. Por isso são necessárias mais e melhores campanhas para tirar das drogas o glamour e a "inocência". Quanto a isso, deve-se observar o silêncio das novelas sobre o tema. Folhetins já abordaram com sucesso temas espinhosos dos mais diversos matizes, da aids e da prostituição à violência doméstica. As drogas, contudo, permanecem tabu. A única novela em que o tema ganhou destaque verdadeiro foi O Clone, de 2002, em que Débora Falabella interpretava uma menina drogada. "Elas não são um tema bem-vindo. Cheguei a tocar no assunto em Duas Caras, mas, numa novela, ele pode ficar muito pesado e assustar o espectador", diz o autor Aguinaldo Silva. É compreensível que não se queira perder audiência, mas os autores deveriam usar seu talento para transformar o tema em algo palatável. Afinal de contas, as novelas são um grande – se não o maior – meio de instrução e informação no Brasil.

Nas treze novelas em que atuou, Fábio quase sempre se destacou no papel de galã e bom moço. Também já desfilou com as mais belas mulheres do país, incluindo as atrizes Cláudia Abreu e Cristiana Oliveira e a empresária Priscila Borgonovi, com quem tem um filho de 5 anos. Em momentos como esses, poucos amigos se dispõem a falar sobre o caso. Fábio está longe de ser um encrenqueiro ou de fazer o marketing do vício, como a cantora inglesa Amy Winehouse. Não se pode dizer, no entanto, que não tenha responsabilidade sobre seus atos. Para o imenso público cuja admiração ele conquistou, sua recuperação pode ser um poderoso símbolo de vitória contra o vício. Os especialistas dizem que, se ele persistir no tratamento, a chance de sucesso é da ordem de 80%. "O Fábio é uma pessoa rara. Tem um caráter reto e é extremamente inteligente e sensível. Estou certa de que ele terá força suficiente para superar as adversidades", diz Cláudia Abreu. Lutar por si próprio e por tudo o que conquistou é, agora, o grande papel de Fábio Assunção.

SEM GLAMOUR

De atores globais a estrelas do show business internacional, não faltam exemplos de quem afundou nas drogas. Alguns morreram no auge do sucesso. Outros amargam um ostracismo precoce por causa do vício

 Elis Regina
A cantora morreu em 1982, aos 36 anos: overdose de cocaína

 
 Vera Fischer
Afastamento das novelas e perda da guarda do filho: uma longa luta contra a dependência
 Nelson Gonçalves
Carreira quase encerrada após ser preso com drogas
 Felipe Camargo
Fora do ar depois de muitas brigas e atrasos
 Marcello Antony
Preso em 2004 comprando maconha
 Cássia Eller
Morreu em 2001: batalha perdida
 Kate Moss
Vício exibido na capa do tablóide inglês abalou seu prestígio


Com reportagem de Sérgio Martins, Ronaldo Soares e Marcelo Bortoloti

 

 

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
15.11.2008
| 5h45m
polícia inteligente

Parabéns ao cachorrinho que farejou 91 quilos de cocaína pura

Quer saber o que eu mais gostei na megaoperação policial que aprendeu ontem 91 quilos de cocaína pura no Morro de São Carlos, no Estácio? Foi o fato de a polícia ter desmentido o governador Sérgio Cabral, que acha que não dá para combater o tráfico nas favelas sem sair dando tiro para tudo que é lado. A útima de Cabral outro dia foi ironizar quem questiona a violência policial nas favelas, dizendo que sociólogos não gostam de tiros. E será que os moradores e as crianças, que ficam sem aula, gostam? No asfalto não é preciso pedir a opinião de ninguém sobre confrontos em favelas porque por aqui a gente sabe que a maioria quer ver o mar pegar fogo para comer peixe frito.

Pois foi sem disparar um tiro sequer que policiais da Delegacia de Combate a Drogas (Dcod) fizeram apreensão recorde de drogas em favela, além de dez mil balas de fuzis e pistolas. Foi uma paulada de respeito na economia dos traficantes. E não venham me dizer que é exuga gelo, não. A droga - importada da Colômbia - renderia até R$ 5 milhões aos bandidos. Agora vai virar cinza. Os usuários terão que desembolsar mais algum para garantir a cota do fim de semana.

Eram 150 policiais que honraram seu distintivo. Do contrário um pequeno vazamento teria acabado com o sucesso da operação. No desespero, os traficantes mandaram bala contra o helicóptero da Polícia Civil, cujos piloto e co-piloto foram feridos por estilhaços da fuselagem. Não foi necessária Operação Safari Aéreo alguma para manter a lei e a ordem no São Carlos.

Bastou apenas uma ação inteligente que começou com certeza no bom informante obtido pela Delegacia de Combate a Drogas. Em função da cultura da malandragem que infelizmente predomina em nossa cidade, informantes são tratados como alcagüetes e X-9. Na antiga gíria policial carioca, eles também eram chamados de "cachorrinhos". Em qualquer agência de inteligência que se preze há um programa mínimo de recrutamento de informantes. É isso que faz a diferença não só na espionagem como em trabalhos policiais de excelência.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
14.11.2008
| 4h42m
contra-inteligência criminal

Pipa de olheiro definitivamente é coisa do passado

Dois episódios ocorridos no Rio, entre a tarde de ontem e a madrugada de hoje, revelam que a crise na segurança pública é realmente mais grave do que se imagina. Esses fatos mostram que a polícia é cada vez mais alvo das ações dos criminosos e não o contrário, como se espera. Um dos episódios foi o ataque a tiros a uma cabine da PM na Praça da Bandeira, uma área a menos de um quilômetro do Centro da cidade do Rio de Janeiro (veja as imagens exclusivas no post abaixo).

A Praça da Bandeira é um lugar onde, durante o dia, circulam milhares de pessoas e de veículos.

O outro caso foi a prisão de quatro jovens acusados de participar de um sofisticado sistema de vigilância de ações policiais. O bando agia a serviço de traficantes da Zona Oeste. Seria algo como uma "polícia do tráfico". Isso mesmo. Homens munidos de 12 radiotransmissores, três celulares e dois notebooks usados para monitorar a movimentação policial. Eles foram presos por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), cujo titular, Carlos Oliveira, será o subsecretário de Ordem Pública do governo Eduardo Paes. Oliveira contou à reportagem do GLOBO que os quatro presos são acusados de monitorar a saída de veículos e aeronaves da polícia para avisar aos traficantes sobre operações policiais em favelas da região.

O delegado contou que dois bandidos circulavam de carro pela Avenida Brasil exclusivamente para vigiar a movimentação dos veículos da polícia. Um terceiro homem montava guarda na avenida a partir de um ponto num conjunto habitacional de Irajá. Não vou dizer o que falta para não dar idéia para marginal.

O sofisticado sistema de vigilância dá de dez a zero no que existe hoje no complexo penitenciário de Gericinó, por exemplo. E confirma duas tristes constatações para os cidadãos de bem. A primeira é de que os criminosos a cada dia expandem mais seus limites, para além dos territórios de favelas e, certamente com a ajuda de integrantes da banda podre da polícia, aprenderam a fazer contra-inteligência melhor até mesmo do que a Abin - que tem virado um queijo suíço nas mãos da Polícia Federal.

Um lembrete: há mais de 20 anos, o controle mais eficiente que os traficantes tinham para vigiar a chegada da polícia na favela era o menino descalço que empinava uma pipa, cujos movimentos guardavam códigos interpretados apenas pela bandidagem. Eram os pequenos olheiros, o primeiro degrau de uma carreira profissional no tráfico. Definitivamente os tempos mudaram. E para pior.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
14.11.2008
| 4h39m
plantão de polícia

Quando é a PM quem precisa de ajuda

A volta do trabalho foi agitada. Depois do temporal que atingiu vários pontos da cidade, a câmera da TV Repórter de Crime captou essa madrugada imagens de um acidente entre um ônibus e um caminhão da prefeitura, na Avenida Maracanã, e, em seguida, de uma cabine da PM que foi metralhada por bandidos, na Praça da Bandeira.

Segundo um PM me contou, os bandidos passaram num carro vermelho, cuja placa não foi anotada, porque só havia um policial na cabine.

"Os vagabundos rasgaram a cabine no fuzil", exagerou um dos PMs que me deu a dica, no local do acidente. "Esse acidente aqui não é nada perto do ataque à cabine; se eu fosse você corria para lá; é furo de jornalismo!". Ele não precisou falar duas vezes.

"Toca para a Praça da Bandeira", disse ao motorista Mário.

Por alguns minutos tive aquela velha sensação do repórter que vai para a rua, no calor da hora. A adrenalina da reportagem de crime.

Quando cheguei na cabine, o local estava tomado de carros de polícia. Armado de fuzis AR-15, quatro policiais civis e miltares guardavam a cabine com várias marcas dos disparos e os vidros estilhaçados. Os policiais da 18a DP (Praça da Bandeira), que fica ali perto, foram em auxílio aos PMs. Um deles foi logo dizendo:

"Pode fotografar e mostrar como os PMs estão abandonados aqui; a gente havia recebido um informe de que a cabine seria atacada, mas ninguém providenciou reforço", disse o policial civil.

Bastou eu ligar a câmera para eles imediatamente saírem da frente da lente. Nenhum deles quis dar entrevista sobre as condições de trabalho no local. Eu filmei e saí de fininho.

Videoreportagem Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservados


Enviado por Jorge Antonio Barros -
13.11.2008
| 15h36m
sucessão

Lula escolhe uma acusada de ter assaltado bancos

Foi dada a largada para a sucessão presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. E, se não for um blefe, o presidente da República anunciou aos jornais italianos que sua preferida é mesmo a ministro-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef (saiba aqui). É uma jogada de marketing de Lula, empolgado com a vitória do primeiro negro para ocupar a Casa Branca. Lula quer uma mulher no Palácio do Planalto.

Dilma tem ética e moral de sobra para exercer o cargo, mas antes da campanha o governo terá que apagar o foco de incêndio que se tornou a questão da punição de torturadores do regime militar, assim como a abertura de arquivos da ditadura. A Justiça acabou de suspender a ação movida pelo Ministério Público federal contra os militares acusados de serem torturadores (um deles já foi condenado em primeira instância). A Justiça alega que antes de se julgar essa ação, o STF deve decidir sobre a revisão da Lei de Anistia e temas correlatos.

Ex-guerrilheira e vítima de torturas no cárcere, Dilma foi uma das autoridades de Brasília que se posicionou pelo fim da impunidade dos torturadores que agiram nos porões da ditadura. Por isso levou reprimenda até do capa-preta-mor.

Os agentes da ditadura vão começar agora o trabalho de cruzar informações para difamar a ministra Dilma. Vai ser acusada de assaltante de bancos pra baixo. Ela não pode negar seu passado. E, por isso mesmo, imagino que no caso de Dilma ser eleita presidente o país poderá estar pela primeira vez diante de uma impreterível revisão de sua história pós-64. Só lamento que eu - que aposto nisso - não vote mais no PT. Nem pintado de dama-de-ferro, que foi vermelha.

Sobre as acusações de que Dilma teria sido assaltante de bancos, leia aqui um texto que achei do grande jornalista Hugo Studart, um pequisador de histórias da ditadura.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
13.11.2008
| 15h30m
tragédia internacional

Brasil entra no topo mundial da lista de homicídios

O relatório sobre a Situação da População Mundial 2008 divulgado ontem pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) afirma que o Brasil é um dos primieros do mundo em homicídios. Os índices são mais de 12 vezes superiores entre os homens do que entre as mulheres. Os homens de origem africana têm índices de homicídios 73% superiores aos dos homens de ascendência européia, segundo o relatório, cuja íntegra pode ser obtida aqui.

Ninguém duvide que essa epidemia de homicídios não incomoda a maioria das pessoas porque grande parte das vítimas é negra, pobre e vive nas periferias das cidades.

Se a epidemia se mantiver onde está, reconheço meu ceticismo: pouco vai mudar nessa área.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
13.11.2008
| 14h58m
corte suprema

O STF decide que a greve da polícia é ilegal. E daí?

O Supremo Tribunal Federal decidiu pela ilegalidade da greve dos policiais civis paulistas (saiba mais aqui). E quem aponta os responsáveis no governo do Estado de São Paulo por deixarem a polícia chegar ao abandono que chegou? Por que, no final, sempre os trabalhadores que pagam a conta?

Obviamente que já passamos da época em que greve era uma forma de luta ideológica. Quando uma categoria consegue se mobilizar em torno de uma greve, como ocorreu em São Paulo, é porque os trabalhadores já não suportam mais a situação e têm direito de se organizar pacificamente em torno de suas revindicações.

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
12.11.2008
| 12h00m
mídia

Vídeo mostra traficantes em festa no Alemão

Imagens de uma festa de traficantes no Complexo do Alemão, exibidas pela TV Record, estão sendo muito comentadas, mas pouco vistas. O vídeo teria sido apreendido pela polícia que, no entanto, não teria conseguido proteger a vida do responsável pelas imagens. Tive informações não confirmadas de que ele teria sido morto a mando do tráfico.

O que leva os criminosos a esse exibicionismo é a vaidade e uma aparente certeza de impunidade.

Por favor, tire as crianças da frente do computador.

N.doB. A matéria é do repórter Roberto Cabrini, que foi preso em abril deste ano em São Paulo, acusado de posse de dez papelotes de cocaína. Na ocasião, seu advogado alegou que  ele havia sido alvo de uma armadilha feita por adversários.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
12.11.2008
| 7h00m
criminalidade

Jornalista: 'Facções criminosas no Rio não são organizadas'

O jornalista Marcelo Auler, repórter da sucursal do jornal "O Estado de S. Paulo", tem em seu currículo a coragem de poucos profissionais de imprensa do Brasil. Ele ousou fazer reportagens denunciando a banda podre da Polícia Federal no Rio, quando a imprensa só mostrava os criminosos infiltrados nas polícias civil e miltar. Auler participa agora do livro "Enjaulados", escrito também por Pedro Paulo Negrini e pelo jornalista Renato Lombardi - um dos mestres da reportagem criminal, em São Paulo.

Nesse livro, Auler escreve sobre as facções criminosas no Rio de Janeiro. Em mais uma mini-entrevista exclusiva da TV Repórter de Crime, Auler afirma que as facções criminosas no Rio não são tão organizadas assim como se pensa.

"(Escrever o livro) Foi uma experiência que muito me agradou e agora gostaria de poder dividir este trabalho com as pessoas que de alguma forma contribuíram com a minha trajetória profissional. Por isto, conto não apenas com a sua presença no lançamento - que já me deixará bastante feliz - mas, principalmente, com as críticas ao trabalho", disse Auler, no e-mail do convite de lançamento (ver abaixo).

Saiba mais sobre o jornalista.

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
11.11.2008
| 18h49m
falta inteligência

Astério dos Santos: 'Vaidade prejudica combate ao crime'

O ex-secretário de Administração Penitenciária e ex-coordenador de inteligência do sistema, procurador Astério dos Santos, lançou ontem o livro "Inteligência desarmada" (editora independente) e deu entrevista a este blog. Ele tocou num ponto que raramente eu vejo as autoridades. Saiba o que é vendo o vídeo. Astério é candidato ao cargo de procurador-geral de Justiça do estado.

videoreportagem Jorge Antonio Barros/ Tv Repórter de Crime/ todos os direitos reservados


Enviado por Jorge Antonio Barros -
11.11.2008
| 16h39m
opinião

Coronel vê subversão em ataque à delegacia em São Paulo

O coronel Milton Corrêa da Costa ataca novamente. Ele enviou ao blog artigo analisando o atentado contra uma delegacia no interior de São Paulo. (saiba mais no site do GLOBO). O coronel da reservada PM e eventual colaborador deste blog insinua que o caso é uma ameaça à segurança nacional.

E leia aqui o artigo do coronel Milton:

"O ataque, roubo, explosão e destruição à Delegacia de Entorpecentes de Botucatu, em São Paulo, no último final de semana, caracteriza-se como ato terrorista com todas as letras. Trata-se de tentativa ousada de intimidação ao poder instituído. Estamos diante de crime contra a ordem institucional, onde a representação do estado, na área de segurança, foi seriamente agredida e desacreditada. É a tentativa de subversão da ordem pela ação orquestrada do crime organizado. Seguramente foi o mais grave e ousado atentado ao estado de direito nos últimos tempos e um recado às autoridades constituídas, numa ação criminosa com emprego de táticas próprias de guerrilha e de terrorismo. Uma ação que envolve planejamento e coordenação. Tinham ciência de que naquela delegacia especializada, durante finais de semana- pasmem- não havia guarda policial, a pesar das armas, dos inquéritos, boletins de ocorrência e grande quantidade de entorpecentes ali guardados.

Continuamos a subestimar e não acreditar na capacidade do crime organizado. É óbvio que por trás da ousada e inusitada ação tem o dedo de alguma facção criminosa, que defintivamente dá o recado de que a guerra contra o narcoterrorismo está longe de ter fim. Caminhamos a passos largos para um novo modelo de Colômbia. Basta ver a ação do narcotráfico, proveniente da Colômbia e do Peru, em ação na Região Amazônica, em nossas vulneráveis fronteiras, facilitada pela imensa carência de efetivo da Polícia Federal. Sem dúvida uma gravíssima ameaça à segurança nacional. Não há mais como negar que o Brasil posui hoje, com suas dimensões continentais, as condições objetivas de um terreno fértil e promissor para acabar se constituindo num paraíso do mundo das drogas.

No Rio de Janeiro a guerra urbana, de caráter permanente, só comparável a Bagdá, prosegue das violentas e sangrentas. Há poucos dias um grave atentado, que culminou com a morte de um diretor de presídio, executado em plena luz do dia com dezenas de tiros de armas de grosso calibre, no melhor estilo Chicago anos 30, mostrou a todos nós o altíssimo grau de ousadia e de letalidade de narcoterroristas, que não mais escolhem hora e local para desferir ataques com táticas de guerrilha urbana.

Chama também a atenção um recente relatório de inteligência elaborado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE) que afirma que a fuga do ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, pela porta da frente do presidio Bangu 8 no Rio "é uma prova irrefutável de que a sociedade convive com uma verdadeira guerra entre grupos armados rivais, moldados como uma organização estruturada, a rticulada com evidentes ligações com setores do Poder do Estado, em especial o Legislativo estadual e municipal, e integrantes das polícias Civil e Militar. Essa organização é estabelecida sobre só lida e inquestionável hierarquia tipicamente mafiosa, contando com a inadmissível colaboração de traficantes de drogas, sempre na disputa do controle de atividades extremamente lucrativa e marginais...", informa o relatório. Não há nenhuma dúvida que o Rio de Janeiro é hoje uma cidade ocupada, em parte, por traficantes e milicianos fortemente armados. Grupos paramilitares que oprimem moradores de localidade menos favorecidas.

Até quando o aparelho policial continuará subestimando o poder do narcoterrorismo como no caso do ataque à Delegacia de Botucatu? Até quando a segurança nacional permitirá que nossas fronteiras continuem se constiuindo num verdadeiro queijo suíço por onde penetram armas e drogas? Será mesmo que o PRONASCI tem grandes preocupações com o perigoso avanço do narcoterrorismo no Brasil ou vai continuar com ênfase maior na polícia comunitária e com armas menos letais na composição dos arsenais das forças policiais? Os "policiólogos" de plantão têm mesmo ciência dos números da guerra urbana do Brasil? A grande verdade é uma só. Ou agimos a tempo, em ação policial permanente e pró-ativa, para frear o avanço da criminalidade violenta, ou em pouco tempo não haverá mais solução. O paraiso das drogas e da violência definitivamente será aqui.

Milton Corrêa da Costa é Tenente Coronel da PM do Rio na reserva "

E você, caro leitor, o que acha?


Enviado por Jorge Antonio Barros -
11.11.2008
| 16h31m
humor

'Papai Noel Obama' deseja paz a todos

Apesar de tudo, o bom humor do carioca resiste. Bom exemplo disso foi a cena inusitada com que me deparei agora há pouco na Praça Afonso Pena, na Tijuca. Num grupo de 20 papais noéis que se formou, um deles representava Barack Hussein Obama, o presidente eleito dos Estados Unidos. "Negro Noel Obama" na verdade é o carioca Ailton Cohen, que se formou no curso de papais noéis da agência Tapume.

E se você quiser algumas noções básicas de como ser  um bom papai noel, veja na reportagem do RJ-TV, da Rede Globo.

Foto e vídeo: Jorge Antonio Barros