17/11/2008
-9:59
Obama e a Política Energética
Com a eleição do candidato democrata Barack Obama para presidente dos Estados Unidos quais mudanças podemos esperar na política energética daquele país e possíveis conseqüências para o Brasil? Em primeiro lugar, Obama vai assumir a presidência tendo de enfrentar uma crise econômica, cujas verdadeiras dimensões ainda estão imperceptíveis para todos. Porém, uma das principais conseqüências da crise é a brutal queda no preço do petróleo. O barril que em julho alcançou quase US$ 150, agora custa menos de US$ 60. Aí surge a primeira questão. Até que ponto os preços baixos do petróleo influenciarão na política energética de Obama. No período de crescimento econômico e de preços altos do petróleo os projetos de energias alternativas ganharam enorme destaque no mundo e, em particular nos Estados Unidos. O argumento para desenvolver esses projetos eram o de fornecer uma maior segurança energética e atender as exigências ambientais. Com a crise, os projetos de energias alternativas terão de enfrentar grandes e novos desafios, por causa do crédito e da queda dos preços do petróleo e do gás natural. As ações das empresas de energia alternativa caíram mais do que o resto do mercado desde o início da crise na bolsa americana. Há um temor que caso os preços do petróleo e do gás continuem caindo, o incentivo para que os consumidores comprem energia alternativa mais cara, diminua.
Foi o que aconteceu nos anos 80 quando ocorreu o chamado contra choque do petróleo e o preço do barril voltou aos níveis do primeiro choque. É bom lembrar que no chamado contra choque em 1986 o preço do barril atingiu US$ 10 e ficou barato durante os próximos 12 anos. Vários projetos de energia eólica, solar e de etanol de milho estão sendo atualmente adiados. O financiamento mundial para energia eólica, solar, biocombustíveis e outros caiu para US$ 17,8 bilhões no terceiro trimestre de 2008, contra US$ 23,3 bilhões no segundo trimestre. A perspectiva é que a queda deverá continuar. A história mostra que o Congresso americano sempre elimina créditos fiscais para as energias alternativas quando o preço do petróleo fica baixo. Isso ocorreu nos anos 80. Será que Obama vai seguir essa tendência ou vai incentivar as chamadas energias limpas?
Muitos afirmam que Obama vai exigir das empresas automobilísticas americanas que enfrentam enormes dificuldades de sobrevivência, investimentos em motores híbridos que utilizem biocombustíveis. Tradicionalmente os governos democratas são mais protecionistas que os republicanos. Nesse sentido, caso Obama elabore uma política energética com os vetores de segurança e meio ambiente, é provável que os subsídios ao etanol de milho bem como as barreiras alfandegárias ao etanol brasileiro sejam mantidos. Como explicar subsídios à energia eólica, solar, carro elétrico e retirar o mesmo benefício do etanol de milho?
Dados todos esses fatores, ainda é difícil prever qual será a política energética de Obama. Entretanto, não tenho dúvida que um maior desenvolvimento e penetração das chamadas energias alternativas dependerá de por quanto tempo o crédito ficará restrito e até onde cairão os preços do petróleo e do gás natural.
14/11/2008
-10:58
Os Preços da Gasolina e do Diesel estão Caros no Brasil
Com o preço do barril abaixo de US$ 60, o preço da gasolina na refinaria no Brasil está 71% mais cara do que no mercado internacional, enquanto o diesel 19%. Essa enorme diferença entre o mercado interno e o internacional abre espaço para uma redução dos preços da gasolina e do diesel no Brasil, o que ajudaria a controlar a inflação e reduzir as taxas de juros fixadas pelo Banco Central. O problema é que a Petrobras vai tentar de todas as formas impedir qualquer alteração nos preços da gasolina e do diesel. O argumento a ser utilizado pela estatal é de que quando o preço do barril estava elevado, não ocorreram grandes aumentos nos preços da gasolina e do diesel, ou seja, nesse período, a Petrobras abriu mão de uma maior receita. Assim, nada mais justo do que agora recuperar essa receita perdida através da manutenção dos atuais preços da gasolina e do diesel. Com isso, além de recuperar perdas do passado, a receita da venda dos dois derivados ajudaria muito a melhorar o resultado nos próximos trimestres. Essa é a verdadeira razão pela qual a Petrobras vai brigar para a manutenção dos preços dos dois derivados. Nos próximos trimestres com a perspectiva do barril a US$ 60 e com a explosão dos custos e despesas apresentadas no resultado do 3T08, a receita oriunda da venda da gasolina e do diesel será fundamental para um melhor desempenho da estatal.
O curioso é que no Brasil, quando os preços do petróleo estão altos, a Petrobras subsidia os consumidores e quando os preços do petróleo desabam os consumidores subsidiam a Petrobras. Dá para entender.
13/11/2008
-13:03
Os Custos e Despesas da Petrobras Explodem no 3T08
Como todos previam, o lucro da Petrobras no segundo trimestre de 2008 foi recorde, alcançando o valor de R$ 10,8 bilhões. Entretanto, a surpresa foi o enorme aumento de custos e despesas operacionais da estatal, o que levou alguns bancos a rebaixar o target price da Petrobras. O Ebitda ficou em apenas 28% no trimestre, esse resultado não ocorria desde 2002. O overhead corporativo ficou 22% maior do que no segundo trimestre deste ano e 32% maior do que no terceiro trimestre de 2007. Todo esse resultado se deu com o preço do barril a US$ 115 na média neste semestre. O que preocupa é como ficará o resultado da Petrobras nos próximos trimestres caso a média do barril fique em torno dos US$ 60. Na realidade, quando o preço do barril estava superior aos US$ 100 ninguém prestava muita atenção ao OPEX da Petrobras. Agora com os preços desabando em função da crise econômica é que vamos testar a competência da diretoria da estatal. Espero que a gestão da estatal seja feita dentro de critérios técnicos, não deixando prevalecer os políticos. O primeiro teste se dará na divulgação agora nas primeiras semanas de dezembro do plano estratégico da estatal para o período 2009-2013. Caso seja anunciado um plano com aumento grande do CAPEX, estará demonstrado que o critério político prevaleceu sobre o técnico e não temos dúvida que o mercado vai penalizar a empresa e seus acionistas com a queda das ações da estatal. Quanto ao pré-sal, é interessante a análise do banco Credit Suisse. O banco suíço faz um exercício mostrando que caso o preço do barril do petróleo fique em torno dos US$ 75, o valor do pré-sal é de US$ 9/ADR a US$ 6/ADR, e com o barril a US$ 60 esse valor passa para US$ 3/ADR e desaparece com o barril abaixo de US$ 50.
10/11/2008
-10:19
Os Resultados da Petrobras no 3T08
Amanhã (11/11), a Petrobras deve anunciar os resultados do terceiro trimestre de 2008. A expectativa é de que o resultado deste trimestre seja muito bom. Nossa estimativa é que o lucro seja de cerca de R$ 10 bilhões, o que vai significar um crescimento entre 15% a 20% superior ao segundo trimestre de 2008 e por volta de 80% do alcançado no terceiro trimestre do ano passado. O Ebitda deve ser de uns R$ 19 bilhões, entre 2% a 3% superior ao segundo trimestre deste ano e por volta de 35% maior do que no 3T07. As receitas da empresa devem atingir algo em torno de R$ 60 bilhões, o que significa um crescimento entre 4% a 6% em relação ao 2T08 e 25% a 30% ao 3T08. Esses ótimos resultados se deram em função do preço do petróleo, que neste trimestre teve sua média superior a US$ 100/barril, à valorização do real e ao crescimento das vendas de derivados. Provavelmente, esse resultado do 3T08 não irá se repetir no último trimestre de 2008. A razão principal é a brutal queda nos preços do petróleo, que no 4T08 deverão apresentar uma média em torno de US$ 70/barril. No 4T08, dois fatores deverão contribuir para que o resultado do trimestre não seja pior. O primeiro será a manutenção dos preços da gasolina e do diesel acima dos praticados no mercado internacional. O segundo é o preço do gás natural vendido às distribuidoras estaduais que subiram bastante, em função da nova fórmula de preços vigente nos novos contratos assinados entre a Petrobras e as distribuidoras de gás natural. Aliás, esses dois fatores deverão contribuir para que em 2009 o lucro da Petrobras se mantenha num patamar melhor apesar da queda nos preços do petróleo. A nossa estimativa é que em 2009, caso o preço do petróleo seja na média entre US$ 60 a US 70/barril, o lucro da Petrobras deverá cair de 20% a 30% em relação ao de 2008. A conferir.
7/11/2008
-14:26
Os Desafios do Setor Elétrico
O setor elétrico enfrenta quatro desafios. O primeiro é a renovação das concessões das distribuidoras e geradoras. Em 2015 já vão se encerrar algumas concessões. O governo montou um grupo de estudos para analisar a questão. Porém, quanto mais se adia a solução, cria-se uma grande instabilidade que cada vez mais gerará problemas no mercado de energia elétrica. Um problema que já está ocorrendo é o fato das geradoras de energia elétrica que têm seus contratos de concessão encerrados em 2015, estarem vendendo energia em contratos que ultrapassam o prazo de sua concessão. Na realidade, esse desafio das concessões está ligado a um segundo desafio que é a renovação dos contratos de energia velha que vencem em 2012. Os contratos de compra e venda de energia velha assinados em 2004, que respondem por mais de 9 mil MW ou cerca de 17% do total da energia consumida, vencem em 2013 e, como dito acima, já existem geradoras vendendo essa energia. O governo na tentativa de equacionar os dois problemas acena para a possibilidade de, no momento da renovação das concessões, obrigar as empresas a vender 70% da energia para o mercado cativo e 30% para o livre. A conferir. Pois, dependendo da solução, poderá ocorrer uma falta de energia no mercado cativo ou uma grande elevação das tarifas.
Um terceiro desafio é a possível mudança nos critérios de revisão tarifária das distribuidoras. A Aneel já anunciou que estuda uma mudança na metodologia que pode significar quebra de contrato. Esse problema atinge, principalmente, as distribuidoras que tiveram grande crescimento de mercado. As liberações ambientais são o quarto desafio. O exemplo atual é a dificuldade que vem enfrentando o consórcio Enersus para conseguir a licença ambiental para instalar seus primeiros canteiros de obras da usina de Jirau. Caso essa licença não seja concedida imediatamente, o consórcio perde a janela hidrológica de 2008, em função do início da temporada de chuvas, o que vai comprometer o abastecimento de energia elétrica no futuro. O incrível é que enquanto o Ibama cria todo o tipo de problema para conceder licença para Jirau, libera as construções de térmicas a óleo combustível.
30/10/2008
-10:05
Crise é Oportunidade
Como dizem os chineses, crise é oportunidade. Estamos passando por um dos maiores pânicos financeiros da história. Ainda não sabemos as reais conseqüências dessa crise. No entanto, com certeza vamos vencer essa guerra. Em algum momento haverá um retorno ao crescimento e ao mercado em alta. Enquanto o pior da crise não passa, precisamos procurar as oportunidades. No curto prazo a melhor saída para o Brasil não é estimular a economia com cortes de juros, como defendem muitos economistas. Um estímulo melhor seria anunciar e apressar grandes projetos de infra-estrutura e energia. Esses investimentos não são consumo e poderiam causar um efeito diferente sobre as contas fiscais do país. O pior erro do atual governo foi o de não ter aproveitado o período de bonança e implantado no país uma infra-estrutura moderna. Ao contrário, trabalhou o tempo todo desconstruindo as agências reguladoras e colocando o Estado como o grande empreendedor. Vamos esquecer o passado, porque quem dirige olhando para o retrovisor bate com o carro. Os bancos continuarão a emprestar dinheiro, só que agora serão mais seletivos. A crise de liquidez vai obrigá-los a escolher os projetos que apresentarem as melhores taxas de retorno e com certeza projetos de infra-estrutura e energia no Brasil se enquadrarão neste critério. Vamos torcer para que o governo ponha em prática políticas que estimulem os projetos de infra-estrutura e energia e com isso deixe o país preparado para o próximo ciclo de crescimento da economia.
24/10/2008
-11:17
A Queda do Preço do Petróleo
Apesar do anúncio feito pela OPEP de que irá reduzir sua produção em 1,5 milhões de barris/dia, o preço do petróleo continua despencando. O valor do barril já se aproxima dos 60 dólares. É bom lembrar que o cartel da OPEP funciona muito bem quando os preços estão altos. Quando a tendência é de queda, os países membros apresentam dificuldade de se acertar devido ao fato de terem situações econômicas e compromissos políticos e sociais bastante diferentes. Na realidade, o desconhecimento da profundidade da crise econômica e de suas reais conseqüências é que estão determinando o atual comportamento do preço do petróleo. Todos os dias aparecem novidades ruins com a crise chegando forte ao leste da Europa e nos BRICs. A trajetória atual parece apontar para um preço do barril inferior aos 70 dólares neste final de 2008. As perspectivas de crescimento negativo das economias européias e americana nos dois últimos trimestre de 2008 e no próximo ano apontam para um preço médio do petróleo de US$ 70/barril em 2009.
Vamos aguardar as conseqüências dos preços baixos do petróleo nos investimentos de novas áreas de produção e sobre as chamadas energias limpas. O Brasil, por exemplo, desperdiçou uma grande oportunidade de arrecadar investimentos privados expressivos ao retirar as áreas do pré-sal da nona rodada no final de 2007, quando petróleo apresentava uma trajetória ascendente em seu preço. Vamos torcer para que os preços baixos do petróleo não provoquem um retrocesso no que concerne a uma maior presença dos biocombustíveis e de energias como a eólica na matriz energética mundial.
23/10/2008
-10:35
Os Preços da Energia Elétrica irão aumentar
O cenário definido pelos leilões de energia nova é irreversível. O preço da energia elétrica vai aumentar de forma incontrolável e a matriz ficará mais suja. Essas duas tendências são explicadas por diversas razões. Em primeiro lugar, os resultados dos leilões de energia elétrica confirmam a tendência cada vez maior de gerar energia com combustíveis fósseis, o que é pior, 45% com óleo combustível que além sujar a matriz elétrica a sujeita à volatilidade de preços desses combustíveis. Em 2005 foram contratados 244 MWmed de usinas a óleo combustível, passando para 532 MWmed em 2006, para 1.620 MWmed no ano passado e para 2.801 MWmed este ano.
Um segundo fato que levará a um aumento no preço da energia elétrica é a distância dos novos projetos de geração hidrelétrica aos centros consumidores exigindo grandes e longas linhas de transmissão. Acrescente-se a isso, a inconsistente exigência ambiental quando se trata de projetos hidrelétricos, que trabalha no sentido do seu encarecimento. Esse aumento de custos e do investimento aduzidos pela diminuição da produção de energia terá como conseqüência o aumento do preço de geração.
O terceiro fato é a discussão da interligação dos sistemas isolados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A interligação dos sistemas isolados ao SIN vai exigir montantes enormes de recursos financeiros para a sua implantação, na medida em que será necessário atender as exigências por parte dos investidores quanto a modificações na incidência dos encargos setoriais incluindo a CCC e custos de transmissão.
Outro fato relevante é que a recontratação da “energia velha” em 2012 terá que ser precedida pela decisão quanto à renovação das concessões vincendas em 2015. No contexto das renovações, deverá ser contemplada a sua adequação as atuais exigências ambientais. É bom lembrar que estas usinas foram construídas há mais de trinta anos, numa época onde a questão ambiental não era uma variável determinante nos custos do empreendimento.
Se não bastasse este elenco de vetores que estarão afetando o preço da energia elétrica no Brasil, também estaremos importando conseqüências da nova realidade mundial. Pressões ambientalistas ampliarão exigências para implantação de projetos. Aumento dos custos para os investimentos no negócio energia nos países desenvolvidos. Incessante busca de outras formas para a geração de eletricidade nos países desenvolvidos. Necessidade da criação de condições de atratividade dos recursos financeiros pelos governos dos países emergentes. Crise financeira desembocando na econômica a qual levará a uma restrição do credito a investimentos de longa maturação.
Não tem jeito a energia elétrica vai subir de preço.

Edição digital
No celular
No e-mail





