Ir para conteúdo



O Globo

Blogs


Edição digital No celular No e-mail

 Clique para assinar O Globo


Sites de Colunistas

CIÊNCIA

CULTURA

ECONOMIA

EDUCAÇÃO

ELEIÇÕES AMERICANAS

ESPORTES

MULHER

MUNDO

PAÍS

RIO

RIO SHOW

SÃO PAULO

TECNOLOGIA

VIAGEM

VIVER MELHOR

Busca por
palavra-chave:
Bruno Agostini

Um giro pelo mundo do vinho


Enviado por Bruno Agostini -
9/11/2008
-
6:46

Rolha de vidro e grandes toscanos

 

 

A Luciana Fróes levantou aqui outro dia (tá bom, tô atrasado) a bola das novas variedades de rolhas. Porque é preciso desenvolver alternativas à cortiça, que no fim das contas vai passar a ser usada apenas nos grandes vinhos – até sabe-se lá quando. A cada dia surgem materiais e métodos diferentes para vedar as garrafas. Um das de que mais gostei, pela eficiência e (por que não?), e beleza, conheci recentemente. O Paco Torras já escreveu lá, com a Lygia complementando. Trata-se de uma rolha de vidro, que tampa o Vento Vermentino, um IGT Maremma Toscana (R$ 75) que é um dos grandes brancos dessa região italiana. É um vinho não filtrado, elegante e muito estruturado, com elevada acidez que mascara seu alto teor alcoólico: 13,5%. A rolha de vidro, além de bela, é muito eficiente. Veda perfeitamente a garrafa e é facílima de colocar e tirar. Um anel de plástico garante a pressão. Eu trouxe para a casa uma dessas rolhas, crente que poderia usar em outras garrafas, mas não consegui fazer caber em nenhuma. Sigo tentando.
E falando nesta vinícola da Toscana, a Terre de Talamo, na zona costeira, é uma das três propriedades da família Bacci. Ao todo, produzem 12 rótulos (e um azeite), apresentando um repertório bem variado das características da Toscana. Além de vários IGTs, fazem dois Chianti Clássico, Brunello do Montalcino, Rosso di Montalcino e Morellino di Scansano. Eles acabam de chegar ao Brasil pelas mãos da importadora Vino, de Curitiba, distribuída pela Terramater no Rio de Janeiro.
O vinho de maior destaque é o seu Chianti Clássico (R$ 95). “Fazer um ótimo vinho não é difícil. Complicado é fazer 500 mil garrafas de um grande vinho”, diz Marco Bacci, o proprietário, em referência à produção anual, nada desprezível, de seu ícone.O Chianti é produzido no Castello di Bossi, que não se dedica apenas aos clássicos desta região e também investe em uvas estrangeiras. A Merlot origina o ótimo Girolano, que já foi escolhido o melhor da Itália feito com esta casta. Ganhou 92 pontos do Robert Parker e três tacinhas do Gambero Rosso, bom, né? E a Cabernet Sauvignon, combinada à Sangiovese, dá forma ao Corbaia. Mas aí o preço é digno de supertoscano: R$ 250. Lá é produzido ainda o especialíssimo Vin San Laurentino, classificado como vino ti tavola, mas uma obra-prima. "São cinco ou seis anos em barrica. No fim das contas, para termos dois litros de vinho precisamos de 100 quilos de uvas. É muito comcentrado", explica Marco. No momento eles estão vendendo a safra 99.
Outra propriedade da família, a Renieri, fica na zona do Brunello di Montalcino. Além dos vinhos naturais desta área, o Brunello e o Rosso, mais dois IGTS: Regina de Ranieri, 100% Syrah, e Re di Renieri, corte de Cabernet, Merlot e Petit Verdot – ó Bordeaux aí! Também é coisa de R$ 250. Já o Rosso di Montalcino, que muita gente prefere ao Brunello, custa R$ 90.


Esta vinícola tem uma história curiosa estampada em sua garrafa recentemente. O símbolo da casa era cinco carvalhos, que vinham no alto do rótulo. Mas há alguns tempo um raio derrubou uma delas. Então, a imagem se atualizou e hoje apresenta apenas quatro carvalhos de pé e um caído.


Enviado por Bruno Agostini -
6/11/2008
-
14:26

Tempo de borbulhas

Chega novembro e todo o ano é a mesma coisa. O champanhe, mais do que nunca, entra na pauta do dia. Apesar de viver em evidência o ano todo, é com a proximidade das festas de fim de ano que o mais alegre dos vinhos vira a estrela das lojas e importadoras. Já tem um monte de coisa legal na cidade, não só de Champanhe, mas outros tipos de espumante também.
Para apresentar suas especialíssimas garrafas, no dia 17 desembarca no Rio Clovis Taittinger, cujo sobrenome entrega toda a sua procedência. Ele é diretor de marketing e filho do presidente da Taittinger, uma das mais prestigiadas casas de Champagne. Na Expand Castelo ele participa de um wine dinner todo harmonizado com os seus vinhos. Custa R$ 298, começa às 19h30 e são 24 lugares. Entre os vinhos servidos, o esplendoroso Taittinger Comtes brut Blanc de Blanc que aparece na foto.

O cardápio é o seguinte:

Canapés com Champagne Taittinger Brut
Entrada: ostras em três versões (fria, morna e quente) com Champagne Taittinger Rosé
1º Prato: Saint Nicaise (camarão com cuscuz marroquino) com Champagne Taittinger Brut Millésime 1999 (ou 2002)
2º Prato: La Marqutterie (lagosta com vegetais especiais) com Champagne Taittinger Comtes brut Blanc de Blanc
Sobremesa: Trilogia de sorbets com Champagne Taittinger Demi-Sec


Enviado por Bruno Agostini -
6/11/2008
-
1:09

Vinhos do Alentejo



Quando o assunto é vitivinicultura, há de tudo no Alentejo. Desde os mais desprezíveis vinhos regionais, impossíveis de se beber com dignidade, a alguns dos mais altos exemplares da enologia portuguesa, como o mítico Pêra-Manca (na foto acima a Quinta de S. José da Pêra Manca). Há desde garrafas marcadas pela rusticidade e outras cheias de elegância. Há vinhos tradicionais, mas também os modernos, que combinam uvas nativas portuguesas às francesas. Esses vinhos "binacionais" fizeram o Alentejo ser conhecido como “Novo Mundo” em Portugal. Pode ser, faz certo sentido. Mas o que não falta é tradição por aquelas bandas, também famosas pelo cultivo (ou seriam extração?) do sobreiro, árvore de onde se tira a cortiça, e pelas pastagens de ovelha. Se alguém tivesse que resumir o Alentejo em três palavras elas poderiam ser: ovelhas, vinhos e sobreiros.
A geografia da parte mais caipira de Portugal ajuda na multiplicidade de características apresentadas pelos vinhos da região. Há serras intercaladas por planícies extensas que criam microclimas diversos. Os vinhos refletem essa pluralidade.



Esta zona de verão quente e seco origina frutas autóctones muito maduras, com personalidade marcante e de caráter inconfundível. É o reino de uvas clássicas da Península Ibérica, como Trincadeira e Aragonez (ou Tempranillo ou Tinta Roriz, como é chamado no Douro e na Espanha, respectivamente), as castas predominantes nos maiores vinhos. Além da dupla, são muito cultivadas também parcelas de Alfrocheiro, Castelão e Alicante Bouschet., entre outras variedades tintas incluindo a Touriga Nacional, sempre ela. Entre as uvas brancas, Antão Vaz e Arinto dão forma a belos exemplares, frescos, frutados e ácidos, na maioria das vezes, mas também estruturados e austeros, com textura mais espessa, se passados em madeira.
Nesta porção de terra que corresponde a cerca de um terço do território português, há oito DOCs: Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Redondo, Reguengos, Portalegre e Vidigueira. Recentemente, 2000, 2001 e 2004 foram três anos de excelência.


Fazem muito sucesso no Brasil emblemas alentejanos. Cartuxa, de Évora (na foto acima), Tapada de Chaves, de Portalegre, e Herdade do Esporão, de Reguengos de Monsaraz, entre eles. Há muitas cooperativas que produzem vinhos de gamas as mais variadas, de simples regionais para o dia-a-dia que podem custar menos de dois euros, a exemplares longevos. Talvez a vinícola mais respeitada, a Herdade de Mouchão tem garrafas impressionantes, com grande concentração, profundidade, estrutura e longevidade (50 anos ou mais). Bem menor, a Quinta do Mouro não é fácil de se achar, mesmo por lá. Se topar com uma garrafa, pode pedir sem medo de errar. O mesmo se pode dizer da cave José de Souza, pertencente a José Maria da Fonseca, que dispensa apresentações.


Uma estrela emergente da região é a Herdade de Malhadinha Nova, que tem feito tintos cada vez mais expressivos, ricos e complexos, assim como brancos envelhecidos em casco de carvalho. O Tinto da Ânfora também me agrada bastante. Com consultoria de Paulo Laureano, um dos maiores enólogos de Portugal, a Herdade Perdigão merece consideração.
Fique sempre atento aos vinhos da DOC Portalegre, altamente confiáveis. Entre as muitas cooperativas, as de Redondo e Reguengos são as mais bem sucedidas na elaboração de vinhos de qualidade. Recentemente a Adega Cooperativa de Borba entrou para este clube.
Em vinícolas mais recentes a tradição vem dando lugar à modernidade. Castas francesas estão sendo plantadas e, combinadas às variedades nativas, produzem vinhos reputados, como alguns da Quinta do Carmo, associação entre Domaines Baron de Rothchild e José Berardo. Com ótimo desempenho no calor, a Syrah é a uvab estrangeira mais difundida.

 


Para os turistas, é das regiões mais ricas de Portugal, cheia de vilas e cidadelas históricas, como Monsaraz (na foto acima), Arraiolos, Évora, Estremoz e Marvão. A estrutura para visita às vinícolas muitas vezes é inexiste. Às vezes, haver uma lojinha já é muito. Mas há exceções. A Herdade do Esporão, nas cercanias de Reguengos de Monsaraz, é uma delas.
Para saber um pouco mais, clique aqui.


Enviado por Bruno Agostini -
5/11/2008
-
9:36

Aumento de preços e o Kaiken

 


Logo que este blog começou, um dos primeiros vinhos a gerar comentários interessados foi o argentino Kaiken, produzido pelos chilenos da Viña Montes do outro lado da Cordilheira. Então, para escrever para aqui, comprei quatro garrafas: duas da rótulo mais básico e duas da Ultra, o topo de linha - de cada gama pedi um Cabernet e um Malbec. Comprei direto no televendas da Vinci, que foi eficiente e entregou os pedidos no prazo, o dia seguinte. No total a fatura deu R$ 195,76; R$ 27,65 de cada garrafa básica, e R$ 54,51 da linha Ultra, mais R$ 31,44 de frete.
As duas garrafas da linha mais básica eu provei logo e gostei bastante. São vinhos fáceis, bem elaborados, despretensiosos, mas honestos. Gastronômicos, apresentam boa acidez e aromas bem frutados. A R$ 28 tem uma ótima relação qualidade-preço mesmo com mais cerca de R$ 7,50 de frete – que não é cobrado dos paulistas, veja que beleza. Embora apresentem a uva no rótulo, não são 100% varietais. O Malbec tem 10% de Cabernet e vice-versa.
Na semana passada provei a linha Ultra, e aí a coisa ficou séria. Lá embaixo deste post coloquei um textinho sobre as análises.
Mas o que quero falar agora é de preço. Seja por culpa do dólar ou pelo sucesso dos vinhos da bodega, acho que pelos dois, os preços das garrafas estão consideravelmente mais caros. O Kaiken está saindo a R$ 35,57. Já a linha Ultra, por R$ 72,10. Perdeu muito da graça. Esperamos que o preço volte aos patamares anteriores.
Esse movimento tem sido acompanhado por outros importadores e lojas. Este aumento de preço faz a tristeza dos consumidores e a alegria dos produtores. Já estão todos refazendo os cálculos. A Dal Pizzol, por exemplo, espera vender cerca de 30% mais nos próximos três meses que no igual período de 2007. A Miolo acha que vai vender cerca de 20% a mais de espumantes neste fim de ano.
Bom para elas, mas eu não to achando graça, nisso, não.

Vamos aos vinhos:
Kaiken Ultra Cabernet 2005 – De cara se nota um vinho bem-feito e elegante. Primeiro se abrem notas de frutas já ressecadas. Ameixas e uvas passas se apresentam primeiro. Em seguida surgem os aromas de coco e alguns mentolados de eucalipto e menta, além de frutas vermelhas. Madeira bem equilibrada. Existe um fundo de alcatrão e caixa de charutos. Por fim se mostram violetas perfumadas, possível influência dos 10% de Malbec. A cor escura tem sutileza nas bordas aquosas. Mostra vigor e forte presença, potência. Já agradável para beber, embora muito adstringente. Pede carnes gordurosas para atenuar os taninos adocicados marcantes - o que lhe dá uma estrutura um pouco grosseira, mas realiza forte presença. Sem gorduras da comida se tornam um tanto agressivos os taninos ainda. No fim persistem no nariz o café espresso e terra molhada. Mais uns cinco anos este exemplar agüenta em exuberância, tendendo a sensível melhora com a idade. Pode ser mais longevo até, mantendo vigor até 2015 possivelmente. 

Kaiken Malbec 2006 – Com 8% de Cabernet Sauvignon, é violeta-escuro, vívido e brilhante, com reflexos cereja. No nariz apresenta primeiro um álcool um tanto desequilibrado que incomoda. Com a aeração, melhora muito. Esta presença marcante do álcool faz o aroma lembrar um licor de cereja silvestre, como a Ginjinha portuguesa. Com o tempo tende a melhorar, mas acho difícil tirar este álcool todo do nariz. Os taninos marcantes trazem notas amadeiradas. Exuberante e muito frutado, tem boa presença de boca, volumoso. Mas, no momento, exige alguma comida para equilibrar tanino e álcool, que estão muito atuantes ainda, com a acidez, única peça que se mostra no ponto. Com o tempo aparecem aromas que remetem a queijos, como o gorgonzola. Restam ainda aromas de azeitona no fundo de taça. Mais jovem, está menos pronto que o Cabernet.


Enviado por Bruno Agostini -
31/10/2008
-
11:34

Vinho e boteco

 

Pois vejam só como o vinho anda cada vez mais popular. Você conhece o Armazém Senado? Num sobrado de esquina da Gomes Freire com a Rua do... Senado, é um velho secos e molhados que se tornou um dos botecos mais charmosos do Centro justamente pela despretensão. Leia aqui a crônica do Juarez Becoza.
Tem um comprido balcão de madeira e prateleiras que vendem de tudo: de material de limpeza a milho a granel, de bebidas a ovos embalados no jornal velho. Agora, uma novidade: vinhos. Não só os de garrafão que ainda enfeitam os andares mais altos das prateleiras, mas também alguns exemplares divertidos e preços camaradas. Logo à porta um carta avisa: “Temos adega climatizada”.
Reparou na foto? O reflexo da rua mal nos deixa perceber. Mas dentro da geladeirinha descansam garrafas de vinho. A carta (com fichinha técnica melhor que muito lugar por aí) tem coisas como o Arte, da Valduga (corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot), a R$ 24, Paulo Laureano Clássico, um alentejano de R$ 30, Casillero Del Diablo, este ícone chileno do bom preço, a R$ 37, e até um Trapiche Pinot Noir, um argentino levinho, bobo até, de R$ 21.
Nas prateleiras, bandeirinhas indicam a procedência dos vinhos. Sobre a pia, trilhos de vidraçaria ganharam nova função: pendurar taças de cabeça para baixo.
E já se vê alguns velhos freqüentadores trocando a cervejinha pelo vinho.

Aí vai a ficha da casa, roubada do Juarez:
Armazém Senado: Rua Gomes Freire 256, Centro - 2509-7201. Seg a sex, das 8h às 22h; sáb, das 8h às 16h. C.C.: Nenhum


Enviado por Bruno Agostini -
30/10/2008
-
17:31

Modernidade e respeito à terra

 

Tá vendo esse espumante rosé aí de cima. Clarinho, rosado mesmo. É de certa forma uma raridade hoje em dia. O que mais se vê são vinhos rosés que são tintos quase, com muito corpo e cor. Rosés assim, clarinho e cor-de-rosa mesmo, qual um Guaraná Jesus, são poucos. Mas a italiana Piera Martellozzo busca o contrário. Eu poderia começar esta crônica de maneira parecida com a que escrevi outro dia, sobre a Casa Marin. Poderia destacar italianas notáveis para então falar da Piera, ligada à terra e ao homem que faz o vinho. "Tem que se trabalhar com amor sempre. Respeitando a história e, principalmente, os que fazem o vinho. A fruta é produto do solo, das condições climáticas e das pessoas que o fazem da colheita à cantina", ela diz.

Nascida numa família de tradicionais vitivinicultores que desde 1899 faz vinhos no Friuli, teve que superar certo preconceito dos pais para assumir os negócios, em 1992. "Todos queriam que nascesse um homem. Mas eu vim", diz. Lutando contra preconceito ela impos nova personalidade às garrafas feitas por eles. Deu mais corpo e perfume, atiçando o interesse internacional. São vinhos de personalidade marcante com certa modernidade na sua concepção, mas com ênfase no terroir, apresentando fortemente as características da região de origem. E as garrafas são tão belas quanto sedutoras.
Seus espumantes se insinuam. O rosado da foto custa R$ 59. Feito com Raboso (85%) e Pinot Nero (15%), como chamam a Pinot Noir na Itália, é brilhante e límpido. Combina aromas frescos, como pêra, maçã e cítricos, além de forte presença floral (rosas e violetas) com notas mais densas, como casca de pão, amêndoas e cereja marrasquina. Na boca apresenta taninos marcantes para a sua coloração, e uma divertida acidez elevada. À mesa vai bem com pratos com certa estrutura, como risotos de pescados e salmão.


Também me agradou o spumante bianco, feito com Prosecco e Chardonay em iguais proporções. É uma experiência deles, bem sucedida, por sinal. Esta é um tico mais barato, custa R$ 57 (vou tentar a partir de agora apresentar os preços de todos os vinhos citadops, ok?). Com apenas 11% de álcool, é muito fresco e equilibrado. Tem coloração amarela, com relexos tendendo ao verde. Na boca mostra frutas fresca, com predominância de melão e pêra. Ambos apresentam perlage fino e persistente, elegante.
Mas o que me encantou mesmo foi o seu Terre Magre Pinot Grigio do DOC Friuli Grave (não tem foto porque não ficou legal). Eu, que até então não havia provado nenhum vinho tocante feito com esta uva, vibrei com seu nariz insinuante como um bom Gewuztraminer dos mais perfumados. Notei forte presença de abacaxi e, novamente, pêra (que fez me crer ser uma característica da região ter essa fruta no aroma dos vinhos produzidos ali). Frutas bem maduras e mel aparecem em seguida junto a toques de avelãs. O uso moderado de madeira lhe dá estrutura sem comprometer a difusão dos aromas primários de frutas, que se mostram mesmo se o vinho estiver mais frio que o recomendável. Quando aumenta a temperatura, uma explosão de notas perfumadas. Muito seco, com 13% de álcool e uma acidez agradável que lhe dá uma moral incrível, tem fim de boca levemente amargo. Encara pratos mais encorpados, podendo chegar bem desafiando até um bacalhau e Bouillabaisse. Conversando com o enólogo da casa, Gian Pietro Poveglian, ele disse que o vinho tem 12% dele passado em barrica por quatro meses. Eis que vi que bebíamos a garrafa da safra 2007. "Mas, então, como ele pode ser de 2007 se 12% passa em barrica".
"É que os 12% que passam em barrica são sempre da safra anterior, no caso, 2006", ele disse.
Então tá, agora entendi.
Como não ultrapassa os limites legais da DOC, eles podem declarar a safra.
Este é mais caro, R$ 112.


Ainda provei um agradável Terre Magre Refosco também Friuli Grave DOC. Para quem não conhece, o nome completo desta uva é Refosco dal Peduncolo Rosso (ou seja, do cabo vermelho, alusão à cor da haste que prende a uva). É a uva mais plantada no Friuli (embora esteja crecendo bastante a presença de Cabernet Sauvignon e Merlot na região).
"Tem um patromônio polifenólico elevado, com taninos doces", diz o enólogo.
É um vinho estruturado, com acidez marcante. Mostra coloração vigorosa e corpo médio. Pequenas frutas de bosque, como mirtilo e amora, se sobressaem no buquê aromático refrescante. Na boca, se mostra macio.
Para Gian Pietro, se trata de "um vinho de meditação, para se beber depois do jantar". É um vinho zen, então.

 Quem traz os vinhos de Piera é a Vinea Store, representada aqui pela Confraria Carioca, que aliás já está funcionando depois da reforma. A importadora, a mesma da Casa Marin, está se especializando em vinhos feitos por grandes mulheres, o que lhes confere um charme extra.

 

 


Enviado por Bruno Agostini -
28/10/2008
-
16:58

Vinhos em supermercado: raio-x dos preços (Por Oscar Daudt)

 

 

Foto de Bruno Agostini

 

E já que falamos de vinhos em supermercados, não poderia ser mais oportuno este louvável esforço de reportagem feito pelo querido Oscar Daudt.

Para ler a ótima matéria, clique aqui.

Diz aí, meu amigo Oscar:

"Prezados leitores,

Em mais um serviço de utilidade pública, o EnoEventos, defensor dos
enófilos oprimidos, realizou uma extensa pesquisa sobre os preços dos
vinhos nos supermercados cariocas.

Analisamos 13 estabelecimentos, 66 vinhos e 364 preços e os resultados
foram de arrepiar os cabelos! Alguns vinhos chegavam a custar mais do
que o dobro de uma rede para outra! Como entender uma coisa dessas? Um
escândalo!

Confiram em nosso portal - www.enoeventos.com.br - o levantamento
completo e façam suas compras com muito mais informação.

Um abraço,

Oscar Daudt"

 

Na foto, garrafas do alentejano Cartuxa Colheita na Adega da Cartuxa, em Évora, Portugal. Lá custa 13 euros a garrafa. Aqui, R$ 75,80 (Mundial), R$ 81,10 (Princesa) e R$ 105 (Carrefour). Eu já comprei em promoção no Mundial por R$ 59.


Enviado por Bruno Agostini -
28/10/2008
-
2:15

Custo-benefício ou qualidade-preço? (E outras questões)

 

 

Oi, gente.
Em primeiro lugar, desculpa pelo atraso nas respostas deixadas aqui. Os últimos dias foram corridos pra caramba.
São basicamente três os temas que despertaram mais interesse nesses dias de quase ausência minha: compra de vinhos em supermercado, relação custo-benefício (ou qualidade-preço, o que para mim é a mesma coisa com palavras diferentes. Custo = preço; benefício = qualidade). Vamos lá.
Sobre os vinhos em supermercado, é preciso um pouco de cuidado porque eles nem sempre armazenam bem as garrafas. Mas como há muito giro (ao contrário das vendinhas do interior e da cidade de praia) essa falta de cuidado, quando existe, é atenuada. Aqui no Brasil não encontramos rótulos muitos especiais nas prateleiras, o que significa que podemos comprar com risco menor de ter um grande prejuízo. Imagine investir R$ 300 num vinho estragado. Apesar de quê, estando ruim por acondicionamento inadequado do supermercado, é sujeito a troca. Eu duvido que eles não troquem (desde que, é claro, o líquido seja preservado para comprovar o que você diz). A vantagem é que, devido ao volume, muitas vezes (mas não sempre) os preços dos supermercados são mais atraentes. O Mundial às vezes consegue ser imbatível no quesito custo – em especial nos vinhos portugueses. Mas podem ser safras ruins. De qualquer maneira, dá para fazer bons negócios. No Zona Sul eu nunca tive problemas. O Danio Braga não colocaria a assinatura dele num negócio para se queimar. Há um nome a zelar. O cara traz alguns produtores bem bacanas, vale ir provando aos poucos. Claro que eles vendem muita coisa ruim, o mercado pede isso. Tem coisas ali na casa dos seus R$ 13 que são intragáveis. Mas há outras nessa faixa de preço totalmente apresentáveis. Subindo um pouco, chegando aos R$ 25, já temos coisas bem boas. Com R$ 40 levamos para casa vinhos de personalidade, feitos com boas uvas e respeitado as características regionais. Acabam de chegar uns alemães que despertaram a minha curiosidade. Quero provar e contar aqui. Ficando de olho nas promoções dá para pescar pechinchas para lá de boas. Para o dia-a-dia, acho ótimo. Sendas e Pão de Açúcar faz tempo que não vou, não posso falar. Nem tampouco de outras redes.
É bom lembrar que comprar vinhos em supermercado é comum em todo o mundo, em especial nos países produtores. Ano passado, quando visitei Portugal, vi vinhos excelentes, a preços irresistíveis, nos bons supermercados. Uma amiga, que acaba de voltar da França, me mostrou um catálogo de promoção de vinhos no Carrefour. Tinha cada barbada de fazer chorar. E ela disse que o rapaz que a atendeu, além de simpático, se empenhou bastante para ajudá-la e entendia muito de vinho. Ela trouxe grandes garrafas na mala. Pagando um precinho que eu vou te contar. Nos EUA também vi recentemente boas coisas no supermercado. De todos os cantos do mundo. Inclusive uns malbecs argentinos mais baratos que em Buenos Aires. E, falando nisso, alguns mercados portenhos são ótimos lugares para comprar vinhos.
Sobre a história do custo-benefício / qualidade-preço, acho, como já escrevi, que são a mesma coisa. Custo e preço se referem ao que você paga por determinada garrafa. Qualidade e benefício, ao valor em si do vinho, seus predicados e defeitos. Isso nos faz imaginar o que esse vinho vale. Se ele custa um pouco menos, tem boa relação qualidade-preço. Se custa um pouco mais, apresenta relação qualidade-preço ruim.
Eu, pelo menos, quando escrevo que tal vinho tem uma boa relação qualidade-preço (ou custo-benefício, tanto faz) quero dizer que, naquela faixa de preço, ele está bem acima da média. Ou ainda que, para aquela qualidade que ele apresenta, ele custa pouco. Para mim este conceito traduz isso.
Por fim, o Languedoc-Roussillon. Sobre esta região francesa não se trata de enaltecer. E sim de descobrir. Eu mesmo tinha certo preconceito com os vinhos de lá. E, pelas mãos de amigos, aceitando indicações de sommeliers, participando de degustações e mesmo em casa, com o meu pai me trazendo uma boa garrafa para bebermos juntos, ultimamente tenho experimentado muitos vinhos do Languedoc-Roussillon. Talvez até mais de que de qualquer outra parte – e ainda tenho algumas garrafas para manter o hábito. Claro que isso também é fruto do investimento que eles têm feito aqui.
Nem vou chover no molhado e escrever novamente o que já foi publicado neste blog. Que os vinhos de lá melhoraram nos últimos tempos, que surgiram produtores sérios, que os preços são abaixo da média, piriri, parará, pipipi popopó.
Veja que não estou só nesta. O Dionísio Chaves e o Paulo Nicolay, citando só dois para não alongar demais o papo, foram dois dos amigos com quem conversei recentemente sobre os vinhos de lá. Os dois gostam bastante – e também estão, assim como eu – descobrindo coisas bem interessantes produzidas ali.

Bem, é isso. O CRCR deixou uma pergunta mais complexa, que exige alguma apuração, sobra a carmenère. Essa eu vou deixar para o próximo post, ok?

Na foto, uma prateleira da Enoteca Fasano: um Clos Marie Coteaux du Languedoc (no canto direito) entre alguns de seus vizinhos mais nobres do Sul da França: os Chateauneuf du Pape. Há alguns anos seria isso seria impossível.


Enviado por Bruno Agostini -
25/10/2008
-
17:14

Roland Villard, diplomata do vinho

 

 

Outro dia tive a oportunidade de jantar com o Roland Villard, chef do Le Pré Catelan, no Sofitel, em Copacabana, que vem a ser hoje o melhor restaurante do Rio, na minha opinião. Falamos de comida, principalmente. Do trabalho na cozinha, das funções de um corporate chef e de vinhos.
Nós jantamos acompanhados de duas garrafas do Languedoc-Roussillon, do Chãteau Puech-Haut (na foto), um dos cada vez mais numerosos excelentes produtores desta zona do Sul da França. Ele escreveu para a gente um texto sobre a região que eu compartilho com vocês.


"Acabo de ser nomeado embaixador dos vinhos do Languedoc-Roussillon, uma adorável região no sul da França, quente, ensolarada e adornada por quilômetros e mais quilômetros de videiras. Esse cenário magnífico é testemunha de uma grande transformação que vem acontecendo nos últimos anos: o trabalho dos vinicultores locais para aprimorar a qualidade de seus vinhos, com resultados que têm conquistado até os mais exigentes especialistas.
Essa escolha me honra e orgulha ao mesmo tempo em que me convida a uma viagem ao passado, ao período do início de minha carreira. Eu ainda me lembro da primeira vez que entrei num grande restaurante. Já faz mais de 30 anos. Infelizmente, não foi para me sentar confortavelmente à mesa, admirar um serviço preciso e harmonioso e degustar pratos uns mais saborosos que os outros. Foi para me colocar atrás do fogão e aprender o métier de cozinheiro. Já naquela época, começava a me interessar por vinhos e pela alquimia da harmonização.
Na carta de vinhos do restaurante, como era hábito em toda a França, quase todas as regiões estavam representadas. Quase, porque faltava uma: a do Languedoc-Roussillon. Não que não houvesse vinhos de lá na adega. Mas era apenas para as refeições dos funcionários. Como acontecia na casa da maior parte dos franceses, esses eram os vinhos do dia-a-dia. Vinhos acessíveis a todos os bolsos, com teor alcoólico que raramente ultrapassava os 10° e sabor que não convidava ao abuso...
Isso já faz parte de muitas vindimas atrás. Consciente de seu potencial para produzir grandes vinhos e atenta às exigências de paladares cada vez mais sofisticados e exigentes, o Languedoc-Roussillon começou a se preparar para ocupar o seu espaço de direito. Essa mudança só foi possível graças à dedicação incansável dos vinicultores que queriam mostrar, sobretudo aos próprios franceses, que os vinhos da região poderiam encher suas adegas com boas garrafas.
Hoje em dia, o Languedoc-Roussillon – a maior região vinícola da França e do mundo – produz vinhos de primeira qualidade, que são reconhecidos e apreciados pelos amantes do vinho. São mais de 40 apelações controladas (AOC), numerosas apelações Villages e uma multitude de vinhos a descobrir. Toda essa riqueza pode ser desfrutada também no Brasil, já que seus vinhos encontram-se em nossas prateleiras há mais de dez anos.
É com muito prazer que os convido a dividir o mesmo prazer que eu tenho de degustar os vinhos do Languedoc-Roussillon e a serví-los com suas melhores receitas. Santé!"

Roland Villard
Chef Executif de Cuisine
Corporate Chef Sofitel Amerique du Sud


Enviado por Bruno Agostini -
21/10/2008
-
11:46

Enoteca fashion

 

Subimos as escadas rolantes e os tapumes escondem as obras que vão transformar o terceiro andar do São Conrado Fashion Mall num dos paraísos dos apreciadores da boa mesa. A Enoteca Fasano garante os vinhos - e umas comidinhas para acompanhar. E, a partir do dia 27 de novembro, a C.T. Brasserie, de Claude Troisgros, abre as portas para incrementar o pedaço, rejuvenescido também pela reforma em andamento.


Ao entrar na Enoteca Fasano, que é o que de fato importa para este blog, somos saudados por uma fileira de alegres garrafas: Krug, La Grande Dame, Don Pérignon, Piper-Heidsieck e outras borbulhas. Analisando as prateleiras de madeira que alcançam o teto, não é difícil notar que a procedência da maioria das garrafas é a Europa, com ênfase em Itália e França. Afinal, o clã Fasano é tradicional. Mas também vemos rótulos do Novo Mundo, com bons exemplares do Chile, da Argentina. De uma maneira geral, à exceção dos champanhes, são pequenos produtores, que produzem vinhos especiais e caros, embora haja rótulos a partir de R$ 32. Mas são poucos os vinhos com preço de menos de três dígitos. No total são mais de 400 rótulos de cerca de 50 produtores.


À direita de quem entra, um balcão refrigerado guarda preciosidades não engarrafadas: uma boa variedade de queijos e frios, com predomínio de produtos italianos. Para montar uma tábua, o auxílio luxuoso de uma moça bem treinada, que sabe explicar as características de cada produto. Para acompanhar há sempre uns dois ou três vinhos servidos para prova gratuitamente - porque eles não têm alvará de bar e então não podem vender bebida em taça. Nós agradecemos. Depois de experimentar os rótulos do dia, que variam sempre, dá para eleger qualquer garrafa para continuar com a degustação da tábua de frios no wine bar ou no mesão de madeira.
Todos os meses Gianni Tartari, sommelier filho do lendário Luigi Tartari, italiano há décadas no Brasil prestando bons serviços à nossa gastronomia, vem ao Rio de Janeiro para comendar degustações com vinhos para lá de especiais. São os wine clubs. Hoje tem. O tema é "O Melhor do Languedoc", esta região cada vez mais valorizada que tem no Roland Villard, chef do Sofitel, uma espécie de embaixador no Brasil. Serão degustados os vinhos Le "C" de Camplong 2004, Château Roquefort Saint Martin Grande Reserve 2002, Clos Marie Cuvée Les Métairies du Clos 2004 e Clos Canos Les Cocobirous 2003. Custa R$ 280. Amanhã tem mais: Gianni comanda um bate-papo com vinhos de Bordeaux e Borgonha. Coisa fina. Teremos Château Haut Breton Larigaudière 2003 Cru Bourgeois (Margaux), Château Tour Baladoz 2004 Saint-Émilion Grand Cru (Saint-Émilion), Savigny les Beaune 1er Cru Clos des Guettes 2005, Gevrey Chambertin 2005 e Château La Forêt 1999 (Sauternes). Esta sai a R$ 300. E ainda dá para levar para casa belos decanters e taças. Se andar por ali já está bom mesmo com tapumes, imagine sem eles e com o Claude Troisgros.


Histórico do Blog

2008:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez