A sociedade do conhecimento no seu dia-a-dia
18/11/2008
-9:00
O que você vê quando apaga a luz?
Dois dos maiores especialistas brasileiros sobre empreendedorismo tem o mesmo diagnóstico: a característica principal dos empreendedores de sucesso, o que mais os motiva, é correr atrás do seu sonho! Em entrevista ao O Globo, Fernando Dolabela (Fundação Dom Cabral) afirmou que "Para empreender, é preciso ir atrás do sonho"! Em palestra na Firjan, semana passada, José Dornelas (Fea-USP) apresentou o resultado de pesquisa realizada por ele, com empreendedores brasileiros, onde ele constatou que o maior motivador para uma pessoa se tornar um empreendedor não é o dinheiro, mas a realização dos seus sonhos.
A pesquisa apresentada pelo Dornelas é uma das poucas realizadas no Brasil. Existem vários dados sobre os empreendedores americanos, japoneses e europeus, mas muito pouco sobre os brasileiros. E os resultados são muito interessantes, ajudam a conhecer as verdades e os mitos sobre quem são nossos empreendedores. Neste texto e no próximo apresento as principais conclusões da pesquisa. Visitem o site do Dornelas para mais informações.
O principal motivador dos empreendedores brasileiros (e de seus equivalentes no mundo todo) é a busca da realização de seus sonhos, daquilo que eles vêem quando apagam a luz do quarto na hora de dormir... Mas a pesquisa desmonta alguns mitos e aponta algumas verdades.
- Verdade 1: A experiência, o relacionamento e o planejamento são fundamentais!
Um item apontado por quase todos os empreendedores entrevistados pelo Dornelas foi a importância da rede de relacionamentos e de uma prévia experiência no setor de negócio. Conhecer e viver o ambiente de negócios (seja como estagiário, seja por ter familiares no ramo) antes de se lançar num empreendimento ajuda muito a aumentar as chances de sucesso. É também igualmente importante buscar se informar sobre concorrentes e planejar cuidadosamente seu empreendimento. Da mesma forma, se lançar num negócio sem informações, conhecimento e relacionamentos, aumenta a chance dele dar errado.
- Mito 1: É importante ter criatividade
A maioria dos empreendedores não é uma pessoa particularmente criativa. Em geral são bons observadores, pessoas ligadas na maneira como as coisas acontecem à sua volta. Claro que ter na sua equipe (pode ser um sócio) pessoas criativas pode ajudar, mas a pesquisa mostra que os maiores inovadores não são as pessoas mais criativas, mas aquelas que conseguem perceber uma oportunidade e aproveitá-la.
- Mito 2: Para sermos um empreendedor de sucesso precisamos ter sorte
A pesquisa mostrou claramente que sorte é uma palavra que não existe no vocabulário dos empreendedores de sucesso. Eles planejam e trabalham MUITO! Como diria o Bernardinho (treinador da seleção brasileira de volei), a sorte normalmente ajuda a quem muito trabalha e se prepara.
SEGUE..... Aguardem o próximo texto com os dados finais da pesquisa.
14/11/2008
-12:30
Continuem famintos e insensatos!!!
Educar não é dar a faca nem o queijo.
É provocar a FOME!
(anônimo)
Esta foi a mensagem de Steve Jobs aos alunos que estavam se graduando: Continuem famintos! Continuem insensatos (foolish)!!
Poucas pessoas participaram de maneira tão intensa da construção da indústria de tecnologia da informação quanto Steve Jobs. Ele foi MUITO mais importante, por exemplo, que Bill Gates. Quase tudo de interessante que a Microsoft fez ela copiou da Apple e das criações de Jobs e sua equipe. Sua história de vida é fascinante e vocês poderão checar tudo isto nesta palestra que ele fez para alunos que estavam se formando em Stanford, em 2005. São 15 minutos bem investidos do tempo de cada um de vocês.
Como diz a mensagem do aluno que me enviou o link, "foi uma das melhores aulas que tive na vida!". Pra mim também! Confiram clicando aqui!
13/11/2008
-9:39
Há distância entre intenção e gesto
Por quê o Bill Gates, Larry Page e Sergey Brin (Google) não são brasileiros? Alguma sina nos condena a ser seguidores, ao invés de sermos inovadores e empreendedores? Eu particularmente não acredito nisso! Temos vários empreendedores e empresas inovadoras como a Pipeway, Ingresso.com ou Natura. Mas o ambiente não favorece os empreendedores. Temos uma legislação absurda (abrir uma empresa no Brasil só não é mais complicado que fechar uma empresa, um verdadeiro inferno burocrático!), universidades que formam empregados (e não empreendedores), uma taxa de juros estratosférica, que desestimula a inovação, e uma cultura não empreendedora. No discurso todos são a favor da inovação e do empreendedorismo, mas há distância entre intenção e gesto! Na hora de se conversar sobre o futuro do Brasil, estes empreendedores não são ouvidos.
Muitos tem procurado agir para reverter esta situação, como o Insituto Endeavor, as centenas de incubadoras e parques tecnológicos, o Sebrae, Finep e o BNDES. Nesta quinta-feira, dia 14/11, o Sistema FIRJAN, por intermédio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RJ), realiza o "II Seminário de Empreendedorismo", como parte da Semana Global do Empreendedorismo.
Veja a programação clicando na figura abaixo. Participe e ajude a mudar esta realidade.
11/11/2008
-9:55
A justiça dos De Sanctis e dos Diabolons
O cinema americano tem dezenas de filmes retratando a saga de cidadãos comuns na luta contra a injustiça. Estes filmes quase sempre acabam na sala de um tribunal de justiça onde após acalorados debates, intimidações e tentativas veladas ou comprovadas de corrupção, a JUSTIÇA acaba dando ganho de causa aos pobres e indefesos cidadãos contra os poderosos. A mensagem é clara, a sociedade pode ser injusta, mas o sistema funciona e no final vence a JUSTIÇA.
Os Intocáveis e Erin Brockovich são dois exemplos disso. No primeiro, Eliot Ness e sua equipe conseguem o que parecia impossível: colocar o mafioso Al Capone na cadeia, a despeito da enorme rede de corrupção e violência montada por este. A cena onde Eliot Ness cochicha alguma coisa no ouvido do juiz, pronto a soltar Al Capone, e aquele muda sua decisão ficou marcada na história do cinema. No cochicho, Eliot Ness informa ao magistrado que o nome dele está numa lista de pessoas subornadas, encontrada no escritório de Al Capone. O juiz, para que não pairassem dúvidas sobre sua honradez, decide mandar prender Al Capone.
Em Erin Brockovich (o filme que rendeu a Julia Roberts seu único Oscar de melhor atriz), uma mãe solteira desempregada (Julia Roberts), que consegue emprego de assistente num escritório de advocacia, consegue levar uma empresa multibilionária ao banco dos réus por ter poluido a água de uma pequena cidade americana, causando centenas de doentes e mortes. No final, numa sessão no tribunal de justiça, a jovem e inexperiente assistente de advocacia vence o batalhão de advogados da grande empresa.
Mas isto é holywood e os Estados Unidos. No Brasil isto não acontece. Pior, aqui a justiça persegue os homens de bem. É o que está acontecendo agora com o Juiz Fausto de Santis, que ousou mandar para a cadeia o banqueiro Daniel Dantas, e o delegado Protógenes Queiroz, que executou a sentença. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, encaminhou à Corregedoria Nacional de Justiça, ao Tribunal Regional Federal de São Paulo e ao Conselho da Justiça Federal a denúncia de que seu gabinete no tribunal teria sido monitorado pela Polícia Federal a pedido do juiz Fausto Martin de Sanctis, responsável por expedir o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas. E o delegado Amaro Vieira Ferreira, da Policia Federal, vai indiciar o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela operação que prendeu o banqueiro!
Já comentamos aqui sobre a decisão inusitada do Ministro Gilmar Mendes de apreciar o habeas corpus impetrado pelos advogados de Daniel Dantas sem que este pedido tivesse sido apreciado pelas instâncias inferiores da justiça, como manda a lei. O fato dele ser Ministro do STF não o coloca acima da lei, não é mesmo? Luis XIV, rei da França, uma vez disse a famosa frase L´etat c´est moi! (o Estado sou eu), para deixar claro quem mandava na França. Espero que o ministro Gilmar Mendes não ache que "la Justice c´est moi!"...
Já vivi o suficiente para aprender que na vida não existe o bem e o mal, santos e diabos. Estas coisas estão presentes em cada um de nós, que somos seres complexos e muitas vezes contraditórios. Mas não dá para ficar calado quando assistimos os De Santis sendo atacados pelos Diabolons....
8/11/2008
-13:00
O lado escuro da lua
Gostei muito de todos os filmes que vi do Nanni Moretti (diretor, roteirista e ator italiano), em particular "O Quarto do Filho" e "Caro Diário", premiados em Cannes. Além de me emocionarem, seus filmes me fazem sentir uma estranha cumplicidade, como se nos conhecessemos e fôssemos amigos de longa data... Talvez esta identidade venha do fato de sermos da mesma faixa etária, ou talvez por ele sempre abordar o tema da relação entre pai e filha(o). E tudo que diz respeito à minha filha Júlia me interessa ;-)
Vendo neste fim-de-semana seu novo filme (onde ele atua como ator), Caos Calmo, me dei conta que não é só isso. O aparente paradoxo do título fala muito sobre o que penso dos filmes de Moretti. Embora seus filmes falem sempre sobre a morte, no fundo ele é um apaixonado pela vida e pelas relações humanas verdadeiras, e consegue falar sobre isto de uma forma simples e, sobretudo, com uma sensibilidade fora do comum. É esta capacidade de nos tocar a alma que me faz sentir tão próximo dele.
Frequentemente fugimos do mistério da morte como o diabo foge da cruz. Em Caos Calmo, Moretti nos mostra que por mais doloroso que seja o encontro com o nosso lado escuro, não precisamos ser dramáticos para sermos verdadeiros em nossos sentimentos. Podemos ser calmos no caos e entender que "a sombra contém a energia bruta da vida que, quando manuseada conscientemente, pode produzir mudança e renovação" (A passagem do meio, de James Hollis).
Entender isto me deu mais tranquilidade para enfrentar o meu desconhecido lado escuro da lua...
5/11/2008
-18:15
I have a dream
Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só.
Sonho que se sonha junto é realidade.
(Raul Seixas)
Foi quando eu tinha de 15 para 16 anos (a idade da minha filha) que li o famoso discurso de Martin Luther King. Me impressionou a poesia e a contundência do texto, mas foi só dois anos depois, quando me preparava para o vestibular, que eu entendi o contexto e o momento histórico em que ele foi proferido. Isto mudou tudo na minha compreensão. Conhecer a violência contra os negros, a heróica resistência em regiões francamente racistas como Mississipi e Alabama, e ver um filme onde ele discursava para a multidão em frente ao memorial Lincoln, em agosto de 1963, marcaram profundamente minha vida.
Não dava para continuar indiferente, para deixar a transformação do mundo nas mãos de outras pessoas! Eu queria participar disto também! O sonho dele era o meu sonho!
Martin Luther King foi assassinado em 1968, poucos meses depois que uma lei tornou ilegal o racismo nos EUA.
Ele não estará fisicamente presente na posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, mas seu sonho foi sonhado junto por muita gente até se transformar em realidade.
Que isto nos sirva de inspiração.
29/10/2008
-17:30
O futuro aos nós pertence!!!!
O prefeito eleito começou escolhendo muito bem seus secretários! Conheço Hans Dohman, o futuro secretário municipal da Saúde, desde a época em que fui Diretor de Tecnologia da FAPERJ. Posso testemunhar da sua extrema competência e seriedade. Além de ser um dos expoentes, em todo o mundo, em terapia celular, é um gestor sério e competente. Vamos esperar que Eduardo Paes continue nesta mesma linha, escolhendo gente competente e deixando longe os Picianis e Babus.
A eleição teve este mérito. Trazer para o centro do debate a discussão sobre os caciques. Até hoje tem sido assim: os caciques controlando a máquina dos partidos, a economia, os meios de comunicação... A novidade, que a internet potecializou numa escala planetária, é que os ÍNDIOS começaram a falar entre si, sem passar pelos caciques!
Nesta eleição ainda prevaleceu o voto das pessoas que tem redes fracas, que continuam reféns dos cabos eleitorais, do pastor e das máquinas dos partidos e dos governos. Para estes "mediadores" da inserção social daqueles indivíduos, não interessa uma escola que forme cidadãos, nem que a internet e o acesso à rede chegue para todos. Eles não querem correr o risco de perder esta "reserva de mercado" do voto...
Para mim, a grande novidade desta eleição foi a força das pessoas articuladas. Reparem que não estou falando de pessoas ORGANIZADAS. Eu, por exemplo, NÂO FAÇO parte de nenhum partido, sindicato ou igreja. Mas quem lê este blog é ARTICULADO: participa de redes (formais ou informais), é autônomo (não depende do pastor para sua inserção social) e independente (de partidos).
Como disse a jornalista Rosa Lima, o novo, na política e na vida econômica é o engajamento voluntário crescente dos cidadãos e não o rolo compressor de máquinas viciadas. Cada vez menos estas máquinas são capazes de barrar a verdade, que cada um isoladamente sabe qual é. As redes sociais e a internet estão transformando a economia, a sociedade e farão isto na política também. É só uma questão de tempo!
O futuro, aos nós (da rede) pertence!!!!!
26/10/2008
-19:31
Avaliando intangiveis para separar o joio do trigo
Com o fim do processo eleitoral para as prefeituras, vamos continuar a construir um caminho para a sociedade do conhecimento. Na próxima quarta-feira, dia 29 de outubro, às 17:30h, será lançada a edição de n° 32 da Revista Inteligência Empresarial, inteiramente dedicada ao tema de Avaliação de Ativos Intangíveis. O evento será no BNDES (Av. Chile, 100 - Centro).
No meio desta crise internacional é fundamental separar o joio do trigo: o cassino financeiro, embora intangível, não tem a mesma lógica de produção de valor que o capital humano, a capacidade de inovação e da rede de relacionamentos, que embora também sejam intangíveis, produzem riqueza.
No evento apresentaremos a metodologia desenvolvida pelo Crie, em parceria com o BNDES, para incorporar os intangíveis à metodologia de avaliação de empresas utilizadas pelo banco. A metodologia foi aplicada na Embraer, Suzano Papel e Celuse, Totvs (maior empresa brasileira de tecnologia da informação) e Genoa (empresa paulista de Biotecnologia) e em mais 36 empresas da carteira do BNDES, com grande sucesso.
No evento serão também apresentados detalhes da nova linha de financiamento à inovação do BNDES, destinada a estimular a construção de ativos intangíveis por parte das empresas.
O debate (gratuito) contará com a presença de:
- Eduardo Rath Fingerl - Diretor de Mercados de Capitais, de Tecnologia da Informação e Processos, de Capital Empreendedor e pela Secretaria de Gestão de Projetos do BNDES
- Helena Tenório - chefe do departamento de Políticas e Programas do BNDES
- José Arnaldo Deutscher - pesquisador do Crie, autor da tese de doutorado "Uma metodologia de Avaliação de Ativos Intangíves"
- Marcos Cavalcanti - Crie
Para garantir sua participação é necessário confirmar presença com Ralph Calvert por e-mail (ralphcalvert@crie.ufrj.br) ou por telefone (2562-7843).
Nos vemos por lá!!!!
26/10/2008
-11:59
A ONDA VERDE em Copacabana
Acebei de votar. Fui do início de Copacabana até o posto 6, onde voto. No caminho de ida e de volta, cruzei com centenas de pessoas vestindo verde. Para 57 delas eu falei: Gabeira! E para 100% delas a resposta foi um polegar virado para cima, confirmando o seu voto. O valor estatístico desta mostra é nenhum! Mas já era um indício.
Cada rodinha com mais de 3 pessoas eu passava perto, discretamente, para saber do que falavam. Invariavelmente era sobre quem as pessoas tinham votado. E mais uma vez, em mais de 70% dos casos, o voto era em Gabeira. O curioso aqui é que a maioria esmagadora destas rodinhas era de pessoas idosas.
Tudo isto acontecia em silêncio. Sem bandeiras ou carros de som. Parecia que só faltava uma centelha... E ela veio quando cruzei a Constante Ramos com a Nossa Senhora de Copacabana. Duas Pajeros Mitshubishi pretas, com bandeiras do outro candidato estavam paradas no sinal. Não resisti e gritei forte: Gabeira! Eles cometeram o desatino de responder. Pra quê! Uma comoção tomou conta da esquina! O surfista ao meu lado gritou Gabeira, a velhinha mais à frente levantou seu guarda-chuva e vociferou contra os carros, a moça feia se debruçou na janela e gritou Gabeira, pensando que todos olhavam pra ela, os camelôs organizaram o coro: Gabeira! E as duas blazers sairam com os rabos entre as pernas, acelerando forte...
No final dos anos 70, quando frequentava o Colégio São Vicente de Paulo, eu e centenas de jovens nos tornamos militantes de partidos e organizações clandestinas para lutar contra a ditadura. Com a democracia, a militância do PT passou a ser a maior alternativa para a participação política transformadora. O que esta campanha do Gabeira pode estar apontando é para uma nova forma de fazer política. As milhares de pessoas que a campanha conseguiu reunir nesta reta final não se mobilizou espontâneamente, como alguns dizem, mas não obedece às ordens de um comitê central, nem precisam de bumbo e carro de som para se fazer ouvir.
Esta militância que se mobiliza "silenciosamente", por computador, celular e nas rodinhas da esquina, pode estar sendo uma nova forma de se abordar a política e é, independente do resultado final desta eleição, a grande novidade que o Rio trouxe (mais uma vez) para o cenário político. Se o Rio fosse Copacabana, diria que o Gabeira está eleito. Mas como o Rio não é só praia, vamos ver se a onde verde virou Tsunami ou não...
24/10/2008
-9:48
Fiapos de afeto
Entra hoje em cartaz o filme Última Parada 174. Graças ao convite de uma grande amiga da época do colégio, que dirige a ONG Uerê, assisti a uma pré-estréia do filme no início da semana. O filme é imperdível! Outros filmes já tinham falado da cidade partida. O próprio episódio do sequestro do ônibus já tinha sido retratado no belíssimo filme 174 (a cena inicial deste filme é um impressionante vôo de helicóptero sobre as favelas do Vidigal e da Rocinha!). Mas o filme de Bruno Barreto tem três coisas que me chamaram a atenção.
Em primeiro lugar conta a história sob um outro ângulo. O filme não é sobre o sequestro do ônibus, mas nos apresenta a história de vida do garoto que sequestrou o ônibus, o Sandro. Em 2000, quando aconteceu o sequestro, éramos expectadores de um acontecimento que parou e chocou a cidade. No filme, vivemos a realidade de milhões de pessoas que teimamos em não querer enxergar.
Em segundo lugar, os atores são todos novatos, não profissionais, mas DÃO UM SHOW!!!! Os 4 personagens principais, dois homens (Sandro e seu compadre) e duas mulheres (a mãe e a namorada do Sandro), não estão representando. Eles SÃO aquelas pessoas! Um interpretação verdadeira, de corpo e alma! Guardemos os nomes: Michel Gomes (Sandro), Marcello Melo Jr. (Alê), Chris Viana (mãe) e Gabriela Muniz (namorada).
Por fim, o filme apresenta a realidade nua e crua, sem lantejoulas, sem esteriótipos grosseiros e sem um romantismo barato, mas nos mostra que mesmo dentro desta realidade violenta e agressiva ainda subsistem fiapos de afeto, de humanidade. E é com eles que teremos que reconstruir a teia da vida em nossas cidades.
23/10/2008
-10:00
O Rio de todos nós!
Relutei bastante em expor públicamente meu voto. Primeiro porque as propostas dos dois candidatos me parecem boas. Segundo, porque tenho amigos e pessoas que admiro, não só nos dois lados como propondo voto nulo (ou abstenção). Terceiro, porque futebol, política e religião geralmente provocam, no blog (e fora dele), uma comoção que raramente instiga à reflexão. E por fim, porque a política profissional não merece que nos ocupemos em demasia dela.
Por outro lado, os rumos da campanha no Rio não nos permite mais ficar em cima do muro. Os marqueteiros do Eduardo Paes me fizeram concluir que estamos diante de uma escolha entre dois modos de fazer política, de governar uma cidade.
De um lado um "político de mercado", como muito bem definiu um amigo meu. Sua estratégia é a tradicional: 1) Apresentar milhares de "propostas concretas" para todas as áreas (saúde, educação, trabalho, transporte, etc), das quais apenas duas ou três ele pretende realmente tornar realidade, mesmo assim parcialmente; 2) sua campanha é toda orientada por "gênios do marketing", que dizem como ele deve se vestir, falar, se comportar, transformando o candidato num verdadeiro ventríloquo; 3) a preocupação central dos partidos que o apoiam é a próxima eleição para governador e presidente e o loteamento dos cargos públicos.
De outro, um político que apesar de fazer política por mais de 40 anos não ficou rico com ela; faz campanha sem photoshop, fala o que pensa sem ler textos no teleprompt e se comprometeu a compor um governo com gente séria, sem compactuar com a política corrupta que predomina na Câmara de Vereadores.
Claro que não preciso falar o nome dos candidatos, não é? E é claro também que não sei se vai ser assim se Gabeira for eleito, como não posso garantir que o Paes faria um mau governo. Mas sei o que Gabeira representa simbolicamente em termos de político não tradicional, comprometido com um futuro sustentável e digno para os cariocas. Além disso, ele é uma possibilidade concreta de combater esta máquina corrupta em que se transformou a política em nossa cidade, onde todos estão atrás de uma "boquinha" para se dar bem.
Por isso, dia 26, estou com o Gabeira, para ajudá-lo a fazer o Rio de todos nós!
21/10/2008
-22:01
A lua é de quem vê!
O pôr do sol é de quem olha
Frase de Millor Fernandes, em homenagem ao frescobol, na Praça Sarah Kubitscheck em Copacabana
Na terça-feira passada foi um dia de lua cheia e, pela primeira vez na minha vida, vi um coelho desenhado na lua! Ele deve ter estado sempre lá, mas nunca tinha visto. Esta constatação me assustou. Que outras coisas estão (e sempre estiveram) na minha cara e que não vejo?
Sempre achei que os programas de incentivos financeiros são fundamentais para motivar os funcionários de uma empresa: bônus, participação nos lucros, placas comemorativas do empregado do mês, stock options, comissão para os vendedores... como imaginar uma empresa moderna sem este tipo de incentivo? Cerca de três em cada quatro empresas americanas e mais da metade das médias e grandes empresas brasileiras possuem um ou mais destes planos.
Mas uma série de artigos do Alfie Kohn me colocaram a pulga atrás da orelha, e demonstram que isto não passa de um dogma, que não cansamos de repetir sem, de fato, refletirmos sobre ele. Em primeiro lugar o dinheiro não é a coisa mais importante na vida das pessoas. Faço uma pesquisa desde que voltei da França, em 1993, com quase todos os alunos e pessoas que me assistiram falando, sobre o que é mais importante na vida deles: dinheiro, lazer, saúde e trabalho. Existe uma larga maioria (mais de 70% das pessoas) que escolhem SAÚDE como o mais importante e TRABALHO em segundo lugar. Só depois vem o dinheiro.
Mesmo se restringimos nossa pesquisa ao ambiente de trabalho, as pessoas respondem que ter um trabalho interessante e bons colegas de trabalho é mais importante que dinheiro. O curioso é que quando a pergunta sobre o que é mais importante para os funcionários é feita aos executivos, estes respondem que o dinheiro é a coisa mais importante para aqueles. O pior é que passam a administrar a empresa com base nesta visão equivocada.
Nada disto quer dizer que as pessoas não estão nem aí para o dinheiro. Só queria relativizar as declarações peremptórias de que as pessoas só se mobilizam por dinheiro!
Prometo voltar ao tema, pois ele é relevante e polêmico. Assim como o coelho na lua, talvez não estejamos vendo onde está, de fato, a alma do negócio!

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