Ir para conteúdo



O Globo

Blogs


Edição digital No celular No e-mail

 Clique para assinar O Globo


Sites de Colunistas

CIÊNCIA

CULTURA

ECONOMIA

EDUCAÇÃO

ELEIÇÕES AMERICANAS

ESPORTES

MULHER

MUNDO

PAÍS

RIO

RIO SHOW

SÃO PAULO

TECNOLOGIA

VIAGEM

VIVER MELHOR

Busca por
palavra-chave:
Na Periferia

O blog onde a margem é o centro


Enviado por Na Periferia -
18/11/2008
-
12:05

Evangélica de Ó Paí Ó fará história na TV

A MELHOR personagem evangélica da história da TV brasileira está no ar! Presença marcante no seriado Ó Paí Ó, na rede Globo de Televisão e interpretada pela atriz Luciana Souza, Dona Joana foge das visões simplistas e dos clichês sobre o universo evangélico. Isso que é estética da periferia. Parabéns Monique Gardenberg, Bando de Teatro do Olodum, Pelourinho, Luciana Souza, Guel Arraes e toda a equipe da produção.


Enviado por Na Periferia -
11/11/2008
-
15:48

Instantâneo Sangue Bom 4

RAFAEL Soares nasceu num hospital em Ipanema, mas não era um garoto da Zona Sul. Sua mãe biológica não tinha condições de criá-lo (já tinha dado três filhos pra adoção, Rafael seria o quarto). Dona Nilda, que morava na Tijuca e já tinha adotado seis crianças, decidiu adotar mais uma. Na época, sua filha de sangue tinha perdido um bebê, e ela queria muito ter um filho negro. Foi assim que Rafael entrou para a família Baracho. De sua família biológica, ficou só o nome mesmo e uma surpreendente relação com o avô.

Três anos depois disso, a família se mudou para o bairro Califórnia, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde já morava um dos filhos de D. Nilda, militar e praticante de esportes radicais. Ali, sua admiração juvenil por Michael Jackson o fez seguir o caminho da música. Aos 13 anos, descobriu o Funk e, além de tirar onda nos bailes, passou a dar aulas de dança de rua nas escolas da região.

Quando completou 15 anos, Rafael ganhou o apelido que o marca até hoje. Um amigo, tricolor como ele, do Colégio Leopoldo, onde ambos cursavam a quinta série, foi o responsável. Como era sempre zoado pelos colegas de escola por conta dos tênis que usava, Rafael perturbou o pai até que ganhou deste um tênis Nike "irado". Quando chegou na escola, foi a festa. Logo depois, ganhou de presente uma camisa (rosa!) também da Nike. Pronto! Nascia ali o Nike, como é conhecido até hoje, inclusive fora de Nova Iguaçu.

Daí, Nike entrou de vez pro mundo da música. Aos 17 anos, integrou o grupo Rap Machine, onde cantava e dançava. Mais tarde, convidado por um amigo e depois de várias histórias bacanas, começou a participar de uma banda chamada Ganza que se reconfiguraria, renomeada para Gaza. Nessa banda, Nike amadureceu pessoal e artisticamente.

Depois do Gaza, foi pra França com a Cia. Aérea de Dança (onde fez o papel de MC no espetáculo da companhia). Na volta, emendou no Negróide (uma banda de reggae, liderada por Dikeu, que tocou com O Rappa, Negril, Paralamas, Pato Banton e outros grupos importantes).

Nesse ínterim, Nike e mais quatro amigos do bairro estavam gestando a idéia de criar um palco para artistas independentes, misturando tudo o que viam de bacana nas festas da zona da Sul e da Lapa, no Rio. O projeto Na Encolha começava a tomar forma e hoje é um espaço para o reggae, para a música eletrônica, para o cineclubismo, para oficinas artísticas e a Cultura de maneira geral.

Atualmente, Nike participa das ações da Secretaria de Cultura em Nova Iguaçu, está no Bloco 18, uma banda que trabalha música brasileira de base percussiva, apresenta o quadro Um Outro Olhar, dentro do Repórter Brasil, na TV Brasil e acabou de passar no Vestibular: vai fazer Letras na Estácio.

Foto: Nike (por Mazé Mixo)


Enviado por Na Periferia -
6/11/2008
-
13:01

Crise, risco e oportunidade

Ontem pela manhã, Wilson de Oliveira, 53 anos, negro e morador de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Beija-Flor desde criança e Auxiliar de Serviços Gerais do condomínio do edifício Simongoyá, no Lins, estava mais contente do que de hábito - ele que sempre realiza as suas tarefas cantando sambas antigos em voz alta. Perguntado sobre a razão de tanta alegria, respondeu: "Ah, foi o (Lewis) Hamilton no domingo e o Obama hoje, este ano só vai dar negão!".

Embora sua história de vida seja fascinante, a campanha e o discurso da vitória de Barack Hussein Obama não justificam tanta euforia. Marcado por forte nacionalismo, Obama pode acabar não sendo mais que a nova face do Império. Hamilton, por sua vez, com sua vitória na reta final de uma corrida emocionante (até pra quem não curte corridas), tampouco tornou a Fórmula I mais democrática, mais livre e progressista. Por outro lado, pra nós que estamos chegando na casa dos 40 e que crescemos num país (num continente, num planeta) em que as marcas da escravidão, da intolerância e do autoritarismo são ainda muito fortes; pra nós que desde cedo (des)aprendemos que nunca na vida um nordestino de origem pobre seria Presidente no Brasil; ou um negro iria correr (e ganhar o campeonato!) na Fórmula I; e que quando um negro fosse eleito presidente dos EUA seria o fim do mundo;pra nós que vivemos este momento e que assistimos a tudo isso de dentro das lutas e das contradições sociais-culturais-econômicas-políticas de nosso tempo, não há dúvidas de que a vitória de Obama (e também a de Hamilton, por que não?) são símbolos poderosos. Há uma trajetória inspiradora nesse processo todo. Marta Porto, por exemplo, escreveu em seu blog que esse momento deve inspirar "cada um de nós a promover mudanças reais, de abertura ao diálogo".

Sim, essas vitórias são, de certa forma, também a vitória do Seu Wilson, a minha, a sua, a nossa. O tempo dirá o quanto esse símbolo afetará nossas vidas. Mas, aqui e agora, ele já está afetando, está criando uma sensação de novidade, abrindo a perspectiva do novo, que no entanto precisa ser efetivado, precisa confirmar a sua potência revolucionária. 

A questão agora é como ir além dos símbolos e constituir as formas de ampliação dos avanços. O melhor deste momento é que aumentamos muito a nossa cota de desejo e de sonho. Mas não nos acomodemos, no Brasil e no mundo temos muito por fazer daqui pra frente.


Enviado por Na Periferia -
5/11/2008
-
13:57

Em rede nacional!

 

Nesta quinta-feira, dia 6 de novembro, as 21 horas, vai ao ar o quadro "Um outro olhar", inserido no programa Repórter Brasil, da TV Brasil. O programa de estréia traz matéria feita pela Escola Livre de Cinema, abordando o grafite em Nova Iguaçu. Aqui os moradores estão cedendo os muros de suas casas para os jovens grafitarem com mensagens educativas e comunitárias. Apresentada por Nike, com o sorriso da raça, a matéria pretende demonstrar como a arte do grafite está operando no cotidiano dos moradores em diversos territórios da cidade.


Enviado por Na Periferia -
4/11/2008
-
14:09

Guia sentimental da periferia

NO FINAL deste ano, um dos autores do blog, Marcus Vinícius Faustini, lançará seu primeiro livro. Intitulado Guia sentimental da periferia - uma combinação de memória, afetividade e um sentido aguçado de observação sobre as ruas, bairros, acontecimentos e sensações que a cidade oferece -, o livro será publicado pela Editora Aeroplano, na coleção Tramas Urbanas, cuja organização e curadoria são de Heloísa Buarque de Hollanda (também dona da editora) e do outro autor deste blog, Ecio Salles (que lançou dois títulos na coleção). Abaixo, segue um trecho do Guia afetivo.

"SANDÁLIA Katina Surf no pé, com furo na sola e casco de um litro de Coca-Cola tão gelado na mão que, só de tocar, você já sabe que vai refrescar a goela. É um domingo de verão abafado, onde as telhas de zinco da pequena casa da Rua 50 fazem a minha mãe dizer: "Tá tão quente que o miolo fica mole."

Macarrão com frango frito e Coca-cola. O macarrão e o frango frito até se repetiam em outros dias da semana – às vezes juntos, às vezes separados. Mas a Coca-Cola só dava mesmo para comprar aos domingos, e mesmo assim pedindo fiado na birosca da esquina. Depois de uma semana inteira de Q-suco de groselha - não só para beber, mas também substituindo o leite nos bolos do lanche de fim de tarde -, gastar o resto de sola da Katina Surf para caminhar até a birosca e pegar a Coca-Cola era quase um desfile de auto-estima para os outros moleques da Rua 50. Todos os meninos tinham o mesmo orgulho quando desfilavam com uma garrafa de Coca-Cola. Lembro de certa vez ter ficado sabendo que um dos moleques da rua tinha tomado porrada em casa porque deixara a garrafa cair e quebrar. Isso reforçou o meu cuidado nesses domingos, pois já era conhecedor do tamanho da mão do meu padrasto.

O calor era tanto que as canecas de alumínio com o brasão dos times cariocas, mesmo vazias, eram colocadas dentro da geladeira barulhenta e de pés enferrujados. O encontro do conteúdo da garrafa de Coca-Cola com esta caneca produz a organização dos sentidos desses domingos. Criei uma disciplina estética e sensorial de só tomar o desejado líquido da Coca-Cola depois que todo o gás borbulhasse na caneca.

O domingo que muitas vezes era angustiante, pois forçava a convivência de muitas pessoas dentro de uma pequena casa, ganha um sentido extraordinário com este gesto, neste momento. Ao engoli-la em pequenos goles, sentia exatamente a sensação de prazer oferecida pelos comerciais da empresa na TV, que tinha Bombril na antena para sintonizar a imagem na distante Santa Cruz e que na hora dos comerciais pegava melhor do que na hora do típico filme dublado que passava naquelas tardes.

Para um moleque que ainda não gozava, a demonstração pública deste prazer vinha em forma de arroto. O arroto era recebido pelo resto da casa com uma quase coletiva classificação de "seu porco", dita com o tom de correção ao indivíduo digna de um coro grego. Depois do macarrão, do frango frito e da Coca-Cola forrarem a barriga, era só ir para a rua e esperar acontecer algo. E, às vezes, realmente acontecia. Em alguma dessas tardes, parei de tomar Coca-Cola por influência direta da minha primeira leitura de Karl Marx, que chegou a minhas mãos em folhas mimeografadas. Não foi por isso, no entanto, que o seu Zé da Birosca perdeu um cliente. Continuei indo lá, repetindo a compra para o resto
da família".


Enviado por Na Periferia -
3/11/2008
-
16:33

Programa Conexões Urbanas, do AfroReggae, inova a TV

PRA QUEM quer entender o mundo em que vivemos a partir de um olhar da periferia, Conexões Urbanas, o programa de TV do Grupo Cultural AfroReggae, é uma das melhores opções. Tendo estreado no dia 13 de outubro passado, o programa apresentado por José Junior - fundador e Coordenador Executivo do Grupo - é ágil, direto, com excelente fotografia e aborda temas os mais complexos com a naturalidade e a convicção de quem atua nas fronteiras às vezes hostis, mas quase sempre criativas, que recortam o mundo. E tem a marca de quem já acertou e errou, mas encontrou (ou inventou) alguns caminhos possíveis pra se repensar a vida contemporânea nas grandes cidades. Não por acaso, o objetivo do programa é mostrar "transformações sociais bem-sucedidas no Brasil e no mundo", como informa o release.

“Mais do que um programa de TV, Conexões Urbanas é o braço televisivo de um movimento social. É o coroamento de uma trajetória que finalmente chega à tela da televisão e através dela já planeja seus próximos passos”, são as palavras iniciais de Junior, na abertura do programa. Mostra que o grupo percebe na mídia uma estratégia elaborada para disputar o imaginário social, para oferecer alternativas às formas opressivas, que respondem à violência com mais violência.

A expressão Conexões Urbanas dá nome a algumas iniciativas do AfroReggae: um circuito de eventos culturais nas favelas do Rio, uma revista, um programa de rádio e agora o de TV. Em todas elas está presente a mesma inclinação no sentido de "discutir o apartheid social e criar elos de conhecimento, cultura e afetividade entre os diversos guetos em que a sociedade se dividiu: ricos e pobres, brancos e negros".

O programa de estréia, abordou o tema "violência", e reuniu entrevistados diversos, como os deputados Marcelo Freixo e Marina Magessi, o coordenador do Movimento Brasil Sem Armas (Pernambuco), Murilo Cavalcanti, o Pastor Marcos, alguns traficantes e dependentes químicos e de diferentes pontos do planeta (Brasil, China e Índia).

O programa seguinte foi dedicado aos "Revolucionários", em que João Jorge, do Olodum; o ativista e deputado chinês Long Hair e o rapper MV Bill discutem, diretamente de suas cidades – Salvador, Hong Kong e Rio de Janeiro –, o que é ser revolucionário. Já o Conexões de segunda passada foi "Liberta Moda", sobre o trabalho de Cirlene Rocha, diretora de uma penitenciária em Caruaru, Pernambuco, que criou uma fábrica de roupas dentro da prisão.

Hoje foi ao ar o tema "A polícia que queremos - Rio, Minas e Ceará" (trailler), trazendo experiências bem-sucedidas no Rio de Janeiro, Minas e Ceará que mostram uma polícia de fato a serviço da população, implantando com eficácia projetos de policiamento comunitário e ações de prevenção que combinam vigilância e cultura.

A cada edição, fica mais evidente o poder de articulação de Junior e do AfroReggae, reunindo atores muito diversos, de pontos distantes e línguas distintas, mas sempre envolvidos consistentemente no conceito do programa. Conexões Urbanas certamente fará história, uma pena que não seja transmitido na TV Aberta.

O programa vai ao ar no Canal Multishow, às segundas-feira, 21h45.
Horários alternativos: Terça, às 16h; quarta, às 5h30 e às 13h; sexta, às 17h30; e domingo, às 8h30.

FOTO: Junior (no centro, de cinza) em uma cena do programa de estréia (por Maritza Canela).


Histórico do Blog

2008:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez


O blog onde
a margem é o centro


Sobre os autores

  • Marcus Vinícius Faustini
    Cineasta, diretor teatral e cria da Zona Oeste e da Baixada
  • Ecio Salles
    Pesquisador, escritor e cria da Zona da Leopoldina