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Nurit Bensusan

O meio ambiente de A a Z


Enviado por Nurit Bensusan -
19/11/2008
-
8:34

Irmãos gêmeos

Nós, brasileiros, temos um monte de piadas sobre os argentinos. A maioria tem relação com a idéia que eles, supostamente, fazem de si mesmos: europeus perdidos no novo mundo. Imagino que os argentinos também tenham montes de piadas sobre nós. Conheço até algumas que fazem referência a nossa mania de acharmos que temos o "maior do mundo" de tudo. Mas, à parte as piadas e, claro, o futebol, somos países irmãos mesmo... para o bem e para o mal... e um exemplo recente ilustra bem tal irmandade.

No dia 7 de novembro, o governo Lula editou um decreto que permite que as cavernas brasileiras sejam destruídas por obras de infra-estrutura e por mineração. Na ocasião, revogou os dispositivos anteriores que protegiam nosso patrimônio espeleológico, mas, claro, deixavam mineradores, empreiteiros e outros mais, insatisfeitos. A partir de agora, as cavernas serão divididas em quatro categorias e só as de relevância máxima merecerão proteção. Ou seja, antes os empreendimentos é que tinham que ser relevantes, agora são as cavernas que devem provar que são relevantes...

No dia 14 de novembro, o governo Kirchner vetou uma lei que protegeria os glaciares argentinos. A lei havia sido aprovada por unanimidade, mas, claro, tinha deixado os mineradores unanimemente insatisfeitos. Um dos artigos proibia atividades que poderiam afetar as condições naturais dos glaciares, destruí-los ou deslocá-los.  Como resultado, impedia a exploração minerária e petrolífera.

No caso brasileiro, lucram, naturalmente, muitos e os de sempre. Mais diretamente, a Companhia Brasileira de Alumínio, que pode obter a licença de instalação de sua usina hidrelétrica, Tijuco Alto, no Vale do Ribeira, SP. O antigo decreto sobre as cavernas era um dos impedimentos para o licenciamento da usina, que causará grandes impactos socioambientais.

No caso argentino, lucram, também, muitos e, provavelmente, os de sempre. Mais diretamente, o empreendimento de exploração de ouro Pascua Lama, operado pela Barrick Gold, um negócio estimado em 3 bilhões de dólares, que precisa detonar e trasladar glaciares para continuar suas atividades. O trágico é que a proteção dos glaciares seria, em última instância, a garantia do mais precioso dos recursos: a água, que, talvez, a médio prazo, valha mais do que o ouro...

Para fazer jus a essa situação, deveríamos adaptar uma das canções mais populares da América Latina. A   bela composição de Athaualpa Yupanqui, "Los Hermanos", que a argentina Mercedes Sosa canta tão bem. A primeira estrofe "yo tengo tantos hermanos, que no los puedo contar, en el valle, la montaña, en la pampa y en la mar", deveria falar também das cavernas e dos glaciares e a "hermosa hermana" da última estrofe: " yo tengo tantos hermanos, que nos los puedo contar, y una hermana muy hermosa, que se llama libertad", deveria ser substituída por uma "horrorosa hermana"  que se chama conivência...


Enviado por Nurit Bensusan -
17/11/2008
-
8:17

O que Marco Polo não contou...

Os mongóis governaram a China por mais de 100 anos. A dinastia Yuan, fundada por Kublai Khan, neto de Gengis Khan, começou em 1271 e durou até 1368, quando foi substituída pela dinastia Ming. Os mongóis estavam decididos a se aboletar no poder e por lá ficar e fizeram tudo o que se faz, até hoje, para tanto. Privilegiaram os amigos: primeiro escalão, só mongóis, infelizmente, incompetentes para lidar com a complexa máquina administrativa chinesa. Importaram consultores: pois alguém tinha que gerir a burocracia imperial e não poderiam ser os chineses, que representavam uma ameaça. Restringiram direitos e liberdades de vários cidadãos chineses e suspenderam os concursos públicos que davam acesso ao corpo burocrático do império.

Essa receita, apesar de amarga, manteve vários governantes no poder por muito tempo. O que os mongóis não poderiam prever era a presença de um outro inimigo, bem mais difícil de combater: mudanças climáticas! Um estudo das estalagmites de uma caverna de Wangxiang, no noroeste da China, publicado recentemente na revista Science, revela a história de ciclos fortes e fracos nas chuvas de monções. Quando há monções fracas, o clima é mais seco, prejudicando o cultivo do arroz. Quando as monções são mais fortes, elas empurram os ventos mais para noroeste da China e esses ventos úmidos trazem a chuva necessária para o cultivo do arroz. O final da dinastia Yuan foi precedida por várias décadas de monções fracas e, conseqüentemente, de safras pouco fartas. Talvez, essa situação tenha funcionado como o combustível apropriado para a rebelião que varreu os mongóis do poder na China e instaurou a dinastia Ming.

O consolo tardio que podemos oferecer a Kublai Khan é que, segundo o mesmo estudo, dentre os motivos que varreram a dinastia Ming do poder, em meados do século XVII, está também uma alteração climática da mesma natureza e com as mesmas conseqüências. E um consolo ainda mais tardio - e talvez ainda mais inútil - é que outros, em pleno século XXI, podem acabar alijados do poder por causa das mudanças climáticas, ou por insistir em ignorá-las.


Enviado por Nurit Bensusan -
12/11/2008
-
8:31

A culpa é da mãe? Não, das moléculas...

Antes havia - e pode ser que ainda haja - os que acreditavam em corpo e alma. Ou seja, os humanos eram duas "coisas" distintas plasmadas, o corpo e a alma. Até havia os que acreditavam que grande parte da humanidade não era 'humana', pois não possuia alma. Hoje, há os que acreditam também que haja duas "coisas" distintas: o DNA, ou o genoma (conjunto de genes de um organismo), e o comportamento, ou seja, aquilo que aprendemos por aí desde que nascemos, que até poderíamos chamar, pelo menos em parte, de cultura.

Assim como a distinção corpo e alma se desfez - afinal tudo que é sólido desmancha no ar - parece que a distinção genoma e comportamento vai pelo mesmo caminho. Um estudo publicado na revista Science, no dia 7 de novembro, revelou que a influência do comportamento sobre os genes é muito maior do que se imaginava. A tradução disso é que a informação social modifica a expressão dos genes e essa expressão, por sua vez, molda o comportamento em um determinado momento. A tradução da tradução é o seguinte: estímulos sociais "ligam" e "desligam" genes a todo instante, influenciando o comportamento.

O estudo fala de moscas, abelhas e pássaros, mas, aparentemente, tais mecanismos devem acontecer conosco também.  Um dos autores do artigo diz que já se pode construir uma explicação molecular do comportamento social. Esse estudo, ao lado de muitos outros que vem sendo realizados, mostra que o funcionamento do genoma é muito mais complexo do que pensávamos e que as interações entre a nossa natureza inata - seja lá o que isso for -  e a nossa cultura - seja lá o que isso for mais ainda - são provavelmente muito mais intensas do que jamais imaginamos.

O próprio gene, hoje definido como uma cadeia específica de DNA contendo instruções para  construir uma molécula de proteina, às vésperas de completar 100 anos - pois o termo 'gene' foi cunhado em 1909 - enfrenta uma crise de identidade. Não detém mais o monopólio exclusivo sobre a hereditariedade, uma vez que há outras moléculas que são herdadas também e produzem diferenças significativas entre dois organismos com os mesmos genes.

Resultado mais imediato: apesar da possível explicação molecular do comportamento social, ainda não dá para culpar as moléculas pelo eventual mau humor do namorado, dos filhos adolescentes e nem mesmo do tal mercado financeiro...


Enviado por Nurit Bensusan -
10/11/2008
-
7:44

A não tão gloriosa volta dos mamutes

Se hoje já é difícil convencer as crianças que comer no McDonald's todo dia não é uma boa idéia, imagine no futuro, quando as lanchonetes da moda usarem como peças de publicidades novos-velhos animais. Ou seja, um tiranossauro rex que come hambúrgueres, um estegossauro viciado em pizza e um mamute louco por sorvete. Delírio? Vejamos...

A corrida para fazer reviver animais extintos a partir de DNA encontrado em fósseis bem conservados já começou, mas há, também, uma pergunta circundando essa corrida: a quem pertencerá o mamute ressuscitado? E os dinossauros recriados? Os pesquisadores vão patenteá-los? As empresas vão poder fazer encomendas? Tipo: queria um velociraptor vegetariano para mostrar que até os mais vorazes carnívoros podem se tornar vegetarianos... Haverá empresas especialistas em criar bichos sob encomenda?

Pode soar muito estranho e muito distante de nosso mundo atual, mas como é fato que já se pensa na possibilidade de trazer esses animais de volta à vida, também é fato que cada vez existe mais propriedade inteletual sobre a vida. Isso se traduz em organismos patenteados, como microorganismos e animais clonados, e partes de organismos, como linhagens de células tronco. Boa parte deles não foi alvo da "invenção" humana, mas, ainda assim, foram patenteados e são protegidos pelos mecanismos clássicos de propriedade intelectual.

Nesse cenário, é bem possível que animais novos-velhos já nasçam patenteados. Depois, com o tempo, será que nós mesmo não seremos patenteados e nos tornaremos objeto de exploração exclusiva de alguma corporação?


Enviado por Nurit Bensusan -
5/11/2008
-
8:51

A gloriosa volta dos mamutes

Fiz, há algum tempo atrás, uma listinha dos aspectos positivos das mudanças climáticas. Era uma boa listinha: levava a praia para os mineiros, dado a aumento do nível do mar; acabava com os  esquiadores esnobes, diante do inevitável fim das neves nas estações de esqui, e democratizava as doenças tropicais, já que, com o aquecimento, os causadores dessas moléstias deverão se espalhar pelo globo. Agora, acabo de descobrir mais um aspecto positivo relevante: graças ao aquecimento global, poderemos, enfim, ter os mamutes de volta!

Você deve estar se perguntando, como assim? Os mamutes não eram aqueles elefantes peludões da era do gelo? Como o aquecimento global vai trazê-los de volta? Pois é, não é assim diretamente, mas... Ontem, um grupo de pesquisadores japoneses anunciou que conseguiu produzir um rato, usando uma célula congelada há 16 anos, numa temperatura de 20 graus centígrados negativos. Agora, a intenção é produzir um mamute... A temperatura usada com a célula do rato reproduz a temperatura dos solos congelados.

Para conseguir um mamute, entretanto, seria necessário usar o elefante, o animal mais próximo dos mamutes extintos, tanto para implantar o embrião no útero de uma fêmea, como para conseguir uma célula já fecundada - um ovo - para colocar o material advindo da célula do mamute. Um especialista em mamutes, porém, disse que é  apenas uma questão de tempo até que se encontrem boas amostras de células de mamute que permitam sua ressureição de forma mais integral, sem o uso de células do elefante.

É aí, exatamente aí, que entram as mudanças climáticas. Esse especialista fez tal afirmativa com base numa estimativa de que haja mais de 10 mil mamutes nos gelos da Sibéria. Quando a Sibéria não for mais tão fria e todos os mamutes emergirem, será mais fácil encontrar boas amostras...

Com os mamutes, várias outras questões também emergirão, entre elas, a ameaça de doenças para animais e humanos. E se eles virarem comida, questões éticas e de conservação também virão a tona. Teremos que conservar os mamutes ressuscitados? Teremos que conservar os animais existentes ou bastará congelar algumas de suas células e ressuscitá-los conforme nossa conveniência? Dada a já conhecida prepotência humana, não é difícil adivinhar as respostas a essas perguntas...


Enviado por Nurit Bensusan -
3/11/2008
-
0:56

A natural natureza cultural

A idéia de que a natureza tem muito de construção humana entusiasma alguns e enfurece outros. Entre os primeiros, estão aqueles que acreditam que a mistura natureza-cultura pode dar um belo samba, pois os humanos também fazem parte da tal natureza. O segundo grupo, entre outros muitos motivos, não gosta dessa idéia porque acha que, se a natureza não é "natural", perdemos todas as razões para conservá-la. Espero que essa não seja a opinião majoritária, dado que as novas descobertas sobre a ocupação histórica da Amazônia fazem dela uma floresta cultural.

Estudos recentes, publicados em agosto, mostram que a Amazônia contava com sociedades complexas e com formas pré-históricas de urbanismo. Ou seja, havia vilas populosas ligadas por redes de estradas, havia diques de contenção de água, havia uma estrutura política complexa e muito mais. Tudo isso começa a emergir agora, pois, ao contrário de sociedades como a dos Incas - cujas construções em pedra foram duradouras - a maior parte dos artefatos culturais das sociedades amazônicas era perecível e desapareceu, com exceção da cerâmica. E é dessa cerâmica que vem boa parte dessas incríveis informações.

Outra fonte de informações sobre as sociedades dessa região são os geoglifos. Trata-se de formas geométricas de 100 a 350 metros de diâmetro, cercadas por trincheiras de 1 a 7 metros de profundidade. Vários já foram identificados e muitos têm, a eles conectada, uma longa avenida, com cerca de 50 metros de largura e até um quilômetro de comprimento. Não se sabe, exatamente, para que serviam e os pesquisadores acham que menos de 10% dos geoglifos já foram descobertos. Para ler parte de uma entrevista com um dos autores, visite: http://cienciahoje.uol.com.br/127110

Interessante também é a informação, essa já mais antiga, relativa a um tipo de solo comum na Amazônia: a chamada "terra preta de índio". É um solo muito fértil, encontrado em muitas regiões, sempre circundado por uma controvérsia sobre suas origens: seriam solos naturais ou solos criados pelo homem há alguns milhares de anos? Agora, cada vez mais, as análises apontam para um solo cultural, ou seja, criado pelos índios.

As conseqüências para a compreensão da Amazônia já se fazem ver: além da enorme variedade de animais, plantas e outros organismos, há, ali, uma imensa riqueza histórica-cultural. Isso também se reflete na nossa percepção dos povos indígenas da Amazônia: ao invés de bandos de caçadores-coletores vivendo em uma natureza intocada, talvez eles sejam remanescentes de sociedades complexas vivendo em florestas culturais. Teriam esses povos perdido grande parte de sua cultura dada a drástica redução de suas populações em função das doenças trazidas pelos europeus há cerca de 500 anos? Ou há mais mistério nessa história? 

Olhando agora em retrocesso, parece que, às vezes, a vida não só imita a arte como a supera, e muito. Por exempo, você teria engolido, antes dessas revelações, um filme do Indiana Jones aqui na Amazônia, com direito a geoglifos, urnas funerárias de cerâmica, diques, estradas, tudo isso em plena "terra preta de índio"?


Enviado por Nurit Bensusan -
26/10/2008
-
0:38

Aviso aos navegantes

Nessa última semana de outubro, estarei em Rondônia sem acesso a internet. Esse aviso, pois, é para dizer que post novo, nesse blog, só em novembro. Inté!


Enviado por Nurit Bensusan -
24/10/2008
-
8:13

Cardápio do dia: Amazônia ou Cerrado?

"Você já comeu a Amazônia hoje?" Isso é o que perguntava um velho ímã de geladeira do Greenpeace. O ímã já é velho, mas a questão é atualíssima. Não é que efetivamente comamos as árvores da floresta, mas é quase como se o fosse. Nós comemos a carne proveniente de regiões que são desmatadas para o estabelecimento da pecuária. Acredita-se que mais de 70% das derrubadas de florestas na região sejam para abrir novas pastagens.

O Imazon, uma ONG sediada em Belém, que vem acompanhando a dinâmica do desmatamento na Amazônia há vários anos, fez um estudo onde mostra que apenas 5% da carne produzida na região é exportada e cerca de 70% é consumida no sudeste do país. O rebanho da região aumentou significativamente, pulando de 26 milhões de cabeças, em 1990, para 73 milhões, em 2006. Ou seja, se você não é vegetariano e vive no sudeste, é bem provável que você já tenha "comido a Amazônia" recentemente.

Mas, se você não come carne e/ou vive fora da região sudeste, tampouco tudo  são flores. Mesmo que boa parte da soja que freqüenta a mesa dos vegetarianos não venha da Amazônia, pois cerca de 98% da soja produzida nessa região do país é exportada para a Europa, ela vem, certamente, do Cerrado. Pois é, o Cerrado, aquele ambiente meio esquecido que produz hoje 13% da soja do mundo e possui um terço do rebanho de bovinos do país. Claro que isso, também, às custas de muito desmatamento...

Se, cansado dessa culpa toda, você resolve comer camarão, escolhendo aqueles que provêm de uma criação, para desencargo de consciência, tenho más notícias. A "carcinicultura", como é chamada a criação de camarões, causa enormes problemas: uso excessivo de pesticidas e antibióticos nos próprios tanques de camarão, devastadoras doenças virais espalhadas na produção, e perdas significativas de importantes ambientes marinhos litorâneos, como os manguezais. Essas perdas acabam por prejudicar o crescimento e o desenvolvimento de outras espécies marinhas, causando baixas nos estoques pesqueiros e reduzindo os ambientes para as aves.

Não sei se serve como consolo, mas problemas ambientais misturados com a produção de alimentos não é um prato exclusivamente brasileiro. Veja a situação do bacalhau, peça de resistência da culinária portuguesa. Seus estoques vêm declinando rapidamente devido à pesca excessiva. Em 1969, 4 milhões de toneladas eram pescadas por ano; em 1992, esse número já havia caído para 800 mil toneladas...

Se você, desesperado por não ver solução, já começa a pensar em convidar seu par para uma romântica seção de fotossíntese, sugiro que reconsidere o jantar, mas incorpore ao seu cardápio uma maior preocupação com o que você come, refletindo uma maior preocupação com o uso racional da terra e dos recursos naturais.


Enviado por Nurit Bensusan -
20/10/2008
-
8:12

Os melhores... para o planetinha

Fazer listinhas dos melhores é sempre difícil e o resultado invariavelmente controverso. Por exemplo, listas dos melhores livros, que deixam seus favoritos de fora, ou lista das melhores músicas do ano, das quais você só conhece meia dúzia. Enfim, tarefa árdua. Mas, mesmo assim, muita gente se lança a ela e a maioria de nós adora ver o resultado. Na semana passada, a Popular Mechanics, uma revista norte-americana dedicada à ciência e à tecnologia, lançou sua lista dos 10 produtos mais inovadores de 2008. É uma lista interessante, tem desde processador novo da Intel até vaso sanitário. É, isso mesmo... confesso que eu também achava difícil inovar nesse tema.

Pois foi justamente o vaso sanitário premiado que me chamou a atenção: trata-se de um vaso que tem uma pia acoplada, e a mesma água usada nessa pia é usada na descarga. A companhia que produziu esse vaso afirma que a economia de água chega a ser de 70% em comparação com os sistemas normais, sem integração vaso-pia. Ou seja, o produto é inovador, pois contribui com uma solução para minorar a crise da água no mundo. Veja aqui uma foto e um vídeo:  http://www.popularmechanics.com/technology/reviews/4287283.html?page=10

Outro produto premiado é um gerador manual de energia mega eficiente: basta a pessoa puxar a corda para carregá-lo, e dois minutos dessa atividade - puxar a corda - gera energia para seis horas de música em um iPod ou 40 minutos de conversa em um celular. Originalmente, o produto foi desenvolvido para lugares onde tomadas são raras, mas, se a moda pega, esse gerador de energia poderia ajudar a economizar muita eletricidade e, conseqüentemente, poderia ajudar o nosso planetinha azul. Se quiser ver fotos e vídeo do produto:  http://www.popularmechanics.com/technology/reviews/4287283.html?page=6

Minha conclusão, talvez otimista demais, é que se dos 10 produtos mais inovadores desse ano, pelo menos dois podem nos ajudar a impactar um pouco menos o meio ambiente, talvez nem tudo esteja perdido. Há, ainda, um outro produto que pode ajudar a explicar como nossa espécie chegou onde chegou - para o bem e para o mal - trata-se de um jogo de computador chamado "spore" (http://eu.spore.com/home.cfm?lang=br). O jogador começa como um organismo unicelular e vai guiando a evolução de seu universo. Ao fazer suas escolhas, talvez o jogador acabe como um organismo que não precisa nem de um vaso integrado com uma pia, para economizar água, nem de um gerador manual, para economizar energia...


Histórico do Blog

2008:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez



Sobre a autora

  • Nurit Bensusan é bióloga. Divide seu tempo trabalhando com conservação da biodiversidade e refletindo sobre meio ambiente, ciência e tecnologia