19/11/2008
-2:07
Obama escolhe ministro da Justiça de seu governo
O presidente eleito Barack Obama escolheu mais um nome de seu gabinete, mas o nome ainda terá que passar pelo crivo do processo de seleção do time de transição, como está ocorrendo com todos os escolhidos por Obama, inclusive Hillary Clinton antes de ser anunciado oficialmente. Se tudo correu como esperado, o novo ministro da Justiça será Eric H. Holder Jr, que fez parte de seu seleto time de conselheiros de Obama durante a campanha. Como Hillary, Holder terá que responder ao extenso questionário preparado pelo time de transição no sentido de esclarecer detalhes de sua vida profissional e financeira e da de seus familiares, a fim de que não haja conflitos de interesses entre o exercício do cargo e os negócios familiares. Holder tem 57 anos, é advogado formado pela Universidade de Columbia, em Nova York, e fez carreira como promotor público. Hoje faz parte de um dos maiores escritórios de advocacia de Washington Trabalhou na equipe de Janet Reno, que foi ministra da Justiça do governo Bill Clinton. Holder deverá ocupar o cargo que pertenceu a Alberto Gonzales, o controverso ministro de Bush que puniu promotores que condenaram publicamente decisões governamentais, afastando-os do cargo por razões políticas. O time de transição investiga especialmente um episódio controverso da carreira de Holder. Durante sua participação no governo Clinton, ele protagonizou uma polêmica com os republicanos ao defender o perdão judicial dado pelo presidente a Marc Rich, um investidor bilionário que fugiu para a Suíça ao ser acusado de evasão fiscal. Holder defendeu a decisão de Clinton de perdoar a dívida fiscal do bilionário e acabou acusado de proteger a mulher de Rich, Denise Rich, que havia doado uma vultosa quantia de dinheiro para a Fundação Clinton. Casado com Sharon Malone, médica obstetra em Washington, Holder fez também parte da equipe do vice-presidente eleito Joe Biden, em suas campanhas para o Senado no estado de Delaware. O advogado é um dos amigos próximos de Valerie Jarrett, confidente de Obama. Bill Clinton já demonstrou boa vontade em abrir caminho para a carreira política de sua mulher, mas não se sabe a que ponto o ex-presidente ficará restrito, diante de uma participação de Hillary no governo. A nova carreira que ele inventou para si parece agora em risco de extinção, dadas as circunstâncias políticas. Trata-se de uma escolha sem dúvida delicada para o casal Clinton: ou o ex-presidente continua a fazer sombra sobre as possibilidades de carreira política de sua mulher, ou para ele mesmo a atuar nos limites estreitos da sombra de sua esposa, desta vez no mais poderoso cargo da administração Obama.
17/11/2008
-16:15
Bush resiste à regulamentação e Obama evita falar de Doha
O ministro Celso Amorim saiu otimista de sua primeira reunião com membros do time de transição, liderados por Madeleine Allbright, enviada especial ao encontro do G20 e ex-secretária de Estado do governo Bill Clinton. Mas a recusa de Barack Obama em manter conversas paralelas com os líderes em Washington e a resistência do George W. Bush em apoiar medidas fundamentais, como a criação de uma agência internacional _ e portanto para além da fronteira americana _ de controle do mercado de títulos swap, ainda levanta suspeitas sobre a real possibilidade de continuidade entre os dois governos americanos. Tem-se a impressão de que aquilo que o governo Bush assinar agora poderá ser desfeito por seu sucessor e que, por outro lado, Obama gostaria que o governo atual assinasse exatamente os pontos do acordo com os quais Bush discorda. Segundo Amorim, a crise aumentou a pressão para que a Rodada de Doha seja afinal concluída até o fim do ano, mas disse ao fim do encontro com Madeleine Allbright que os dois conversaram apenas sobre os termos gerais de um esforço internacional conjunto para vencer a crise e evitaram detalhes sobre o acordo de Doha. _ Nossa conversa foi muito amena, tivemos o reencontro de uma antiga amizade. E fizemos ambos uma avaliação da situação mundial hoje. Não entramos em detalhes sobre Doha, mas acho que a visão do Prtido Democrata é muito mais próxima da avaliação que nós temos da crise mundial e do que pode ser feito para solucioná-la. Madeleine Allbright manifestou sua satisfação com o fortalecimento das negociações multilaterais em fóruns mais amplos, como o G20. E isto foi muito positivo_ Amorim, que manteve conversas sucessivas com Susan Schwob, secretária do Comércio do governo Bush, e Madeleine Albright, representante de Obama. Amorim garantiu que a ausência de Obama não resultou num esvaziamento doencontro de cúpula. E que a iniciativa de Bush em patrocinar o encontro já demonstrava que a crise havia consolidado o G20 como forum privilegiado para decisões sobre economia. _ Este fortalecimento do G20 já está acontecendo na prática e moveu as placas tectônicas da estutura financeira internacional. Estamos no início o início da configuração de uma nova ordem mundial, onde o protecionismo terá um custo político cada vez mais alto. Daí o meu otimismo sobre a conclusão de Doha até o fim do ano _ disse Amorim. Para que a rodada seja concluída, será preciso que os EUA abram mãos de altos subsídios agrícolas e que os países emergentes reduzam tarifas a produtos manufaturados. Mas Obama sempre foi reticente quanto à extinção de subsídios agrícolas e mesmo quando pressionado, durante a campanha, para detalhar seu plano de revitalização econômica e de investimentos no setor energético para reduzir a dependência do petróleo importado, evitou tomar o caminho do fim de subsídios que seu adversário John McCain admitia, como os subsídios que inviabilizam a comercialização do etanol brasileiro nos EUA. As críticas de Obama ao Nafta bateram na tecla de que era preciso proteger o mercado americano para impedir a evasão de empregos. Os dois observadores de Obama, Madeleine Allbright e Jim Leach, emitiram nota oficial sobre suas conversas reservadas com representantes do Brasil, Argentina, Austrália, Canadá, China, União Européia, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Rússia, Coréia do Sul, Turquia, Reino Unido e com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. A nota reafirmava o apoio de Obama a uma coordenação internacional entre políticas econômicas: "O presidente eleito acredita que a cúpula de líderes das maiores economias do mundo é uma oportunidade importante para buscar uma resposta coordenada para a crise financeira global". Mesmo com Obama distante de Washington, em sua casa em Chicago, as negociações de bastidores entre os dois presidentes continua em alta. Quando Obama fez um apelo para que Bush desse ajuda financeira à indústria automobilística em crise, a resposta foi que o pedido de que, em troca, a bancada democrata no Congresso votasse favorável ao Tratado de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia. Obama também fez restrições a esse acordo durante a campanha. Agora, o memorando de 47 medidas assinado pelo G20 cria grupos de trabalho para estudar formas de regulamentação internacional e dá prazo até dezembro para que Doha seja afinal concluída. Bush é contra agências internacionais de regulação do mercado financeiro e Obama não quer começar o governo revendo subsídios que ele se recusou a condenar durante a campanha. A moeda de troca desta difícil negociação é a administração da crise no dia-a-dia,com custos políticos para ambos os lados. _ A pressão para o fechamento da rodada de Doha aumentou substancialmente. O G20 representa 90% do PIB e 80% do comércio mundiais. A conclusão da rodada agora tornou mais importante não apenas pelo que ela pode resultar como também pelas conseqüências no caso de um eventual fracasso nas negociações. A crise fez com que, a partir de agora, o ônus de medidas protecionistas seja muito mais forte. Não há solução individual para uma crise global e o preço do isolacionismo será pago por todos. Nisto estamos de acordo _ avalia o ministro Celso Amorim.
17/11/2008
-16:11
G20 substitui G8 como forum econômico mundial
O presidente Luis Inácio Lula da Silva considera que o fortalecimento do G20 como forum internacional privilegiado, ocupando o lugar do G8, já é um primeiro resultado da reunião de cúpula convocada por George W. Bush. Lula sentou-se ao lado de Bush, elogiou a iniciativa do anfitrião em convocar o encontro, mas foi o primeiro a criticar o presidente americano, acusando-o de "vacilar" na tomada de medidas ousadas. Ele participou da cúpula acompanhado do ministro Guido Mantega, enquanto o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim mantinha um encontro reservado com a secretária do Comércio Susan Schwab, a fim de tentar avançar nas negociações da Rodada de Doha. A cúpula do G20 terminou com a assinatura de um comunicado oficial prevendo com mais de 50 medidas diferentes para contornar a crise. Ficou acertada nova cúpula até o fim de abril, em Londres, e até lá equipes de trabalho do Brasil, Reino Unido e Coréia vão fazer uma proposta de regulamentação do mercado financeiro internacional, além de estabalecer o prazo até dezembro para que seja concluída a Rodada de Doha, reaquecendo o comércio mundial. O presidente brasileiro disse ter saído otimista da cúpula com a confirmação do G20 como foro mundial. Lula disse ter insistido para que o presidente Bush injete mais dinheiro na economia americana para resolver os problemas de liquidez do mercado financeiro. E considerou a situação americana "delicadíssima", num momento de transição de poder entre dois presidentes. _ Eu disse ao Bush que era hora de o governo americano assumir sua responsabilidade e fazer com que o dinheiro injetado na economia chegue até a ponta. Eu achava que ele tinha injetado US$ 850 bilhões e Bush me corrigiu e disse que já injetou US$ 1,5 trilhão. Mas o problema é que só US$ 250 bilhões chegaram à ponta. Então é preciso fazer com que chegue o resto para reativar a economia. Bush é presidente até 20 de janeiro e não pode vacilar numa hora como essa para fazer a economia funcionar com regularidade. Não adianta agora procurar medidas paliativas. A melhor solução para evitar que a crise se alastre é que fazer com que os países ricos resolvam seus problemas _ disse Lula. Ele disse que o G8 vai continuar apenas "como um clube de amigos" e que o mundo assistiu um momento histórico "porque há seis meses ninguém poderia imaginar que chegaríamos a um consenso para cuidar coletivamente da economia mundial". Ele também protestou por causa da alta remuneração dos executivos dos fundos de investimentos com a especulação: _ Eu disse ao Bush que, quando eu era metalúrgico, tinha que trabalhar 40 ou 60 horas extras por mês para comprar uma TV. Eu tinha que me matar de trabalhar e não é justo que alguém fique bilionário sem produzir um único papel, um único emprego, sem produzir um só salário. Por isto, é preciso que haja uma regulamentação séria feita pelo G20. Já sabemos que o G8 não tem mais razão de ser. Ninguém pode ignorar economias emergentes no mundo globalizado de hoje. Lula reafirmou que todas as medidas serão tomadas para garantir o crescimento da economia brasileira em 2009. _ No Brasil, depois de todos os sacrifícios que fizemos para manter a economia estável, nós não vamos abdicar de fazer o país crescer. Todas as medidas que o Banco Central e que o Ministério da Fazenda têm tomado são no sentido defazer com que o mercado interno supra parte das deficiências do mercado externo e vamos tratar de criar as condições para irrigar o nosso sistema financeiro. O que pode acontecer de pior é que uma crise que começou no setor de especulação possa ameaçar o setor de produção dos países que tanto precisam crescer _ disse Lula. O presidente comentou que estava preocupado com a possibilidade de a crise se aprofundar. No seu discurso, Lula alertou que a desaceleração econômica estava transformando-se perigosamente em recessão. _ A crise nasceu nos países centrais. É fruto da ganância de irresponsáveis especuladores e da absoluta falta de mecanismos sérios de regulação dos mercados financeiros. Está na hora das ações coletivas, ousadas e urgentes. Se a crise afetar as exportações, ela vai se espalhar. O Brasil tem um potencial de mercado interno que os países ricos não têm e nós podemos facilitar as condições para que o povo brasileiro tenha acesso a esses bens de consumo que todos têm no mundo desenvolvido. Por isto vamos manter todos os investimentos no Programa de Aceleração Econômica (PAC). Vamos manter os investimentos porque a economia brasileira pode até não crescer tudo o que a gente esperava, mas não vai deixar de crescer porque o povo precisa trabalhar, precisa consumir, e a indústria precisa produzir, para o comércio vender e o país crescer. O ministro Guido Mantega saiu do encontro otimista com a resposta dos líderes reunidos: _ Conseguimos estabelecer o G20 como foro privilegiado da crise E temos medidas concretas como a expansão do Fundo de Estabilização Econômica, com a contribuição dos países mais capitalizados como o Japão. Também decidimos a abertura de crédito para a exportação de países pobres. Temos até fim de março para fazer uma proposta concreta e até fim de abril para que os presidentes reúnam-se e tomem suas decisões. Precisamos reduzir os custos financeiros para reativar a economia e coordenar as nossas respostas, impedindo protecionismos e isolacionismos como houve nos anos 30. Vamos retomar a Rodada de Doha, com a redução de subsídios, e chegar a um acordo comercial até o fim do ano para reativar o comércio mundial. Esta é uma oportunidade histórica que permite uma resposta diferente da dos anos 30, e todos concordaram que esta é a única forma de impedir o alastramento da crise.
15/11/2008
-15:06
Revista revela caso extraconjugal de Cindy McCain
A revista "National Enquirer" acaba de sair nas bancas com a notícia de que Cindy McCain tem um caso amoroso com um homem desconhecido, de longos cabelos pretos. A edição publica uma foto do casal se beijando e cita depoimentos de testemunhas de que o caso é sério e de que já vinha ocorrendo há algum tempo. As fotos são flagrantes da ida do casal a um festival de música no Arizona. Cindy tem 54 anos e seu marido John cCain 72. O porta-voz do senador do Arizona recusou-se a comentar a notícia.
15/11/2008
-3:41
G20 acerta coordenação de políticas monetária e fiscal
O presidente Luis Inácio Lula da Silva teve ontem um jantar na Casa Branca com 20 chefes de Estados e manteve encontros bilaterais com os líderes da Austrália, do Japão, do Reino Unido e da Argentina, além de uma conversa informal com presidentes de centrais sindicais americanas e européias. Acompanhado dos ministros Guido Mantega e Celso Amorim, Lula passou o dia defendendo a adoção de medidas concretas para a regulamentação do sistema financeiro internacional e para a conclusão da Rodada de Doha. O encontro ressaltou a necessidade de que haja medidas coordenadas para evitar o aprofundamento da crise mundial. Os ministros anunciaram que haverá nova reunião do G20 até março no Reino Unido e que esperam um acordo sobre Doha até 10 de dezembro.
_ O presidente Lula insistiu que não podemos sair desse encontro com as mãos abanando porque existe muita expectativas da população em torno de medidas concretas contra a crise. Vamos buscar medidas em todos os sentidos: na rodada de Doha, que poderá avançar em função da crise. Hoje, a crise é um catalizador de acordos que antes não eram possíveis. E nas políticas fiscal e monetária, devem haver sintonia. Se as políticas não forem sintonizadas há risco de insucesso. E se um país tomar medidas isoladamente corre o risco de vazar recursos para outros países _ disse Mantega.
O ministro da Fazenda citou um exemplo dos riscos de uma política sem coordenação:
_ Se um país adotar uma política monetária agressiva, liberando muitos recursos em moeda corrente para aumentar a liquidez, outros países poderão aproveitar-se e absorver esses recursos, sem dar nova em troca. Para que funcione é preciso que haja sintonia entre os países. Senti que o primeiro ministro da Austrália e do Reino Unido estão comprometidos a adotar medidas de repercussão e nisto estamos em sintonia porque o Brasil também está disposto a fazer políticas anticíclicas, tendo reações rápidas para não permitir que esta crise se instale prolongadamente. Se nós não tomarmos medidas rápidas, corremos o risco de cair em depressão. Já se fala em depressão e não apenas em recessão, que está dada. O risco é deixar as coisas caminharem para uma depressão _ disse Mantega.
Segundo o ministro Celso Amorim, os principais temas debatidos foram as ações para reativar a economia mundial e a retomada das negociações sobre Doha.
_ Combater a crise pressupõe a adoção de políticas fiscais encorajadoras, a necessidade de supervisão e fiscalização do sistema financeiro internacional. Defendemos a instituicionalização da reunião de líderes do G20 para continuar a tratar dessas questões e de outros aspectos da arquitetura financeira internacional. E pedimos atenção aos países em desenvolvimento quando se trata das dificulades de crédito para o comércio exterior. Falou-se também da rodada de Doha. Com os primeiros-ministros da Austrália e do Reino Unido, a Rodada de Doha foi um tema muito importante. Não assinalamos discordâncias, ainda que as ênfases não fossem idênticas em relação a esses pontos _ disse Amorim
Mantega destacou que o G20 está agora iniciando um processo duradouro de negociações, com o monitoramento do mercado mundial e a adoção de medidas anticíclicas:
_ Esta é uma resposta diferente do que aquela que foi dada na crise dos anos 1930, quando os países demoraram a tomar uma atitude, cada um agiu por conta própria e deu numa grande depressão mundial. Agora todos concordam com uma ação conjunta. Devemos tomar medidas rápidas e ousadas. É preciso também tomar medidas anticíclicas, o que foi enfatizado pelo ministro Gordon Brown. Devemos fazer um programa conjunto de políticas monetárias, reduzindo a taxa de juros, aumentando a oferta de crédito e fazendo a liquidez chegar ao consumidor e no produtor.
O ministro defendeu a coordenação das politicas ficais:
_ Devemos coordenar as políticas fiscais, adotar políticas pesadas em que o setor público venha a aumentar seus gastos e investimentos e as vantagens fiscais para produtores e consumidores. E levar adiante medidas de estímulo ao comércio mundial, que serão medidas anticíclicas para manter o comércio mundial ativo e aberto, o que é uma forma de aumentar a atividade comercial nos países. Ficou muito claro nestes encontros que o G20 vai naturalmente transformando-se num forum de chefes de estado. Esta foi aliás uma proposta brasileira: alçar o G20 aonível de chefes de governo, porque são eles que têm o poder de decisão. Esta é uma forma de politização do G20 _ disse Mantega.
O ministro da Fazenda acredita que a crise aumentou a chance de um acordo sobre Doha e alertou para os riscos da evasão de divisas:
_ Vamos buscar medidas em todos os sentidos: na rodada de Doha, que poderá avançar em função da crise, a crise poderá ser um catalizador de acordos que antes não eram possíveis; e nas políticas fiscal e monetária, que devem ser sintonizadas porque se um país fizer isoladamente ele poderá não ter sucesso e vazar recursos para outros países. Se um país adotar uma política monetária agressiva, liberando muitos recursos em moeda corrente, em dólares ou reais, para aumentar a liquidez, outros países poderão aproveitar-se e absorver esses recursos sem dar nova em troca. Para que funcione é preciso que haja sintonia entre os países. Os primeiro-ministros da Austrália e do Reino Unido estão comprometidos a adotar medidas de repercussão e nisto estamos em sintonia porque o Brasil também está disposto a fazer políticas anticíclicas, tendo reação rápidas para não permirtir que esta crise se instale.
Segundo Mantega não está afastado o risco de depressão mundial:
_ Se nós não tomarmos medidas rápidas corremos o risco de cair em depressão. Já se fala em depressão e não apenas em recessão, que está dada. O risco é deixar as coisas caminharem para uma depressão.
Os dois acreditam que o fato de o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, ter recusado participar do encontro não será obstáculo para um acordo:
_ Há grande convergência de opiniões sobre a necessidade de intervenção do Estado na economia. Mesmo o governo Bush teve que abandonar posições ideológicas e adotar uma atitude pragmática, tomando as medidas que já tomou e que todos sabem. O que se espera do goberno Obama é que ele vá ainda mais fundo, pelo que se viu na campanha e pelo que se viu nas especulações sobre os nomes de indicados para os cargos-chave do próxmo governo. O governo Obama deve vir com um pacote de políticas econômicas anticíclicas mais robusto do que o do governo Bush. Por isto, ainda que haja um período de transição, acho que será possível chegar a uma convergência sobre medidas necessárias e a um consenso sobre as medidas necessárias nesses 60 dias _ avaliou Mantega.
Quanto à rodada de Doha, a expectativa é de que um acordo dificulte eventuais medidas protecionistas do governo Obama:
_ A avaliação de todos é a de que as políticas fiscais de encorajamento da economia do governo Obama irão mais longe. Alguém poderia ter dúvida refere a um acordo no âmbito da Organização Mundial de Comércio. Mas a expectativa é de que uma vez aprovado um pacote de medidas que tenha a aprovação de 150 países que compõem a OMC o governo Obama leve este acordo adiante. É uma aposta que estamos fazendo _ disse Amorim.
O ministro da Fazenda esclareceu o grupo vai defender políticas ficais robustas e que, no caso dos EUA, os valores são altos:
_ Um ex-banco de investimento americano fez uma estimativa de que, para fazer uma política fiscal robusta, os EUA deveriam usar pelo menos 3,5% do seu PIB, o que significa US$ 500 bilhões, além daquilo que já foi anunciado. Cada país deverá fazer sua política fiscal, de acordo com as suas necessidades e possibilidades. No caso brasileiro, não estamos em risco de recessão. E nós estamos dispostos a fazer política fiscal para ajudar a atividade econômica.
Mantega lembrou que o prazo de pagamento de tributos foi postergado para os empresários, o que aumenta o capital de giro na mão dos empresários.
_ Outros países da Europa terão politicas mais agressivas porque a desaceleração é muito maior. O importante é termos políticas coordenadas, que todos façam ao mesmo tempo, incluindo-se a redução de juros, já que o risco de inflação, com a queda do preço das commodities, foi superado. Haverá uma política monetária mais flexível em todos os países. Estamos iniciando um processo que vai levar a uma nova regulamentação do mercado. Vamos desenvolver trabalhos em várias frentes.Vamos estudar como vamos regulamentar hedge funds e derivativos, com base em estudos técnicos aprofundados, feitos por grupos de trabalho, com prazos determinados, de modo a evitar novas crises e dar segurança.Temos eliminar desconfianças no sistema econômico _ disse Mantega.
_ Nós entendemos que, se chegarmos a um acordo no que se refere à rodada de Doha, será muito mais confortável para o presidente eleito apresentar este acordo ao Congresso, ao invés de ter que negociar tudo de novo. Trabalhamos para que haja acordo até 10 de dezembro. Um acordo seria um poderoso estímulo para a confiança de que não haverá protecionismos. O comércio internacional é como uma bicicleta: ou voce anda para a frente ou voce cai. Queremos caminhar para frente, com todos ganhando e menos subsídios e então se chegarmos a um acordo o custo de tomar medidas protecionistas será muito maior _ disse Amorim.
Segundo os dois ministros, entre as medidas concretas debatidas estão propostas brasileiras:
_ Entre as propostas brasileiras para a regulamentação do mercado financeiro mundial está a adoção de câmaras, nas quais as operações de derivativos sejam registradas, com a apresentação de garantias e recolhendo margens quando se houver modificação. Esta é uma proposta para o mercado de derivativos e de CDS (credit default swap), que é o maior mercado de drivativos e o que não foi solucionado até agora: são US$ 55 trilhões. Isto precisa ser regulamentado e temos que fazer isto em conjunto. Defendemos também a abertura de linhas de crédito no Banco Mundial para financiar operações de comércio externo de países desenvolvidos _ esclareceu Mantega.
11/11/2008
-16:08
Maior feira de arte latinoamericana de Nova York começa dia 13
A segunda edição da maior feira latinoamericana de arte contemporânea, chamada Pinta 2008, acontece em Nova York, de 13 a 16 de novembro, no Metropolitan Pavillion. São 53 galerias de onze países latinoamericanos, e mais três europeus como convidados especiais, e o evento já se tornou referência no mercado americano para a entrada de artistas no catálogo de galerias e museus. Segundo Alejandro Zaia, um dos curadores da feira, o evento tem como objetivo mudar a imagem da arte latinoamericana, destacando a sua diversidade de meios e de linguagem.
Este ano, o Museu del Barrio, o Museum of Fine Arts in Houston, o Museum of Modern Art in New York (MoMA) e o argentino Malba já demonstraram interesse na aquisição de obras expostas.
10/11/2008
-20:32
Obama visita Casa Branca e acerta detalhes da transição
A visita do casal Barack Obama hoje à Casa Branca foi cercada de pompa e circunstância. Quase parecia a visita de um chefe de estado estrangeiro: o casal Obama chegou numa limusine preta, ao invés da habitual caminhonete que o presidente eleito costumava usar. Na chega da Washington, o casal foi recebido por John Podesta, chefe da equipe de transição, e todo o esquema que cercou os dois a partir do aeroporto fez ver a enorme diferença entre um candidato em campanha e um futuro morador da Casa Branca. O presidente Bush e a primeira-dama, Laura Bush, receberam os Obama na porta, permitindo aos fotógrafos a oportunidade da foto do dia. Em seguida, as duas mulheres partiram para um tour pelas dependências íntimas da residência oficial, enquanto os dois presidentes mantinham uma conversa reservada. Josh Bolten, chefe do cerimonial, disse que os dois acertaram um cronograma para a mudança, além de debaterem a agenda presidencial até 20 de janeiro, data da posse de Obama. Ficou acertado que Obama não vai articipar do G20, nos prEoximos dias 14 e 15, mas vai estar no jantar final do encontro dos chefes de Estado. O presidente Lula chega a Washington na quinta-feira e pediu um encontro com Obama antes da cúpula do G20.
7/11/2008
-21:22
Obama diz que não vai ser fácil sair do buraco
Em sua primeira entrevista coletiva, o presidente eleito Barack Obama foi evasivo e resistiu às pressões para anunciar os nomes de sua equipe econômica e descartou a sua participação no G20, o encontro de chefes de estado em Washington na próxima semana. Obama pediu que o novo pacote de estímulo à economia, que está sendo discutido no Congresso, seja aprovado o quanto antes, com ênfase na criação de empregos e na expansão dos benefícios de seguro-desemprego. E exortou o governo Bush a tomar medidas para impedir que a crise se espalhe para os governos locais e atinja ainda mais profundamente a indústria automobilística.
_ Este novo pacote econômico é essencial para a retomada da economia e deve ser aprovado o quanto antes e se este governo não o fizer será a primeira medida que tomarei como presidente. Mas gostaria de lembrar que temos um presidente de cada vez e que o presidente Bush ainda está em seu posto _ disse Obama.
O presidente eleito pediu ainda que o Congresso fiscalize a aplicação do antigo pacote aprovado por Bush para verificar se as medidas estão funcionando. Obama disse que a crise é global e que, por isto, deve ter respostas globais, mas foi cauteloso na hora de responder sobre os nomes que vão compor seu gabinete:
_ Não vou correr para nomear pessoas para cargos que são chaves no governo. É preciso que esta escolha seja feita com muito cuidado para que a decisão tomada seja a melhor possível. Quando tivermos um anuncio a fazer, faremos. Quero mover rapido, mas com segurança. As posições chave devem ser preenchidas corretamente _ disse Obama, acrescentando que a prioridade número um de seu governo será restabelecer a confiança na economia e resgatar a classe média americana, com incentivo à criação de empregos, ajuda a inadimplentes da casa própria e cortes de impostos para famílias trabalhadoras e para pequenos negócios.
O encontro com a imprensa aconteceu logo após a reunião matinal de trabalho com uma equipe de conselheiros econômicos que incluiu antigos membros da equipe de Bill Clinton, como William Daley, diretor executivo do JP Morgan Chase (ex-secretário do Comercio); Robert Reich (ex-secretário do Trabalho); dois ex-secretário do Tesouro de Clinton _ Lawrence Summers, ex-reitor da Universidade de Harvard e Robert Rubin, hoje diretor do Citigroup, e Paul Vocker, ex presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano). Mas a equipe foi reforçada com executivos de grandes empresas, como Anne Mulcahy, presidente da Xerox, Richard Parsons, da Time Warner, Eric Schmidt, presidente da Google, além do bilionário Warren Buffett, que participou por meio de teleconferência. Entre os políticos convidados para o encontra estavam Rahm Emanuel, chefe de gabinete de Obama, e Antonio Villaraigosa, prefeito de Los Angeles. Em conversa com jornalistas, Villaraigosa disse que Obama pediu que sua equipe econômica de transição fizesse um plano de investimentos em infraestrutura para o próximo ano nas grandes cidades.
Obama fez uma brincadeira com os jornalistas ao mencionar a sombra de outros presidentes:
_ Depois de eleito, eu conversei com todos os ex-presidentes vivos _ o que inclui naturalmente Clinton e George H. Bush. E também reli escritos de muitos presidentes mortos, incluindo Abraham Lincoln, que considero muito inspiradores. Mas não tive nenhuma sessão como costumava ter Nancy Reagan _ disse Obama, referindo ao fato de que a ex-primeira dama declarou a um de seus biógrafos que tinha sessão na Casa Branca em que recebia mensagens de presidentes mortos.
O presidente eleito também foi evasivo ao falar sobre os telegramas de congratulações que recebeu de chefes de estado, especialmente do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad:
_ Recebi a mensagem do presidente iraniano, mas continuo acreditando que é inaceitável que o Irã tenha um programa nuclear para fabricação de armas de destruição em massa e que também esteja envolvido no financeiamento de grupos terroristas. Mas, outra vez, temos um presidente em exercício e gostaria de respeitar o período de transição _ esclareceu Obama.
Ele também agradeceu o convite de George W. Bush para visitar a Casa Branca:
_ O presidente Bush gentilmente nos convidou para a visita à Casa Branca. Ficamos gratos ao convite, Michelle e eu. Claro que vamos conversar, mas não vou antecipar problemas com o atual governo. Ao contrário, estou disposto ao trabalho em parceria. O meu tom crítico nesta hota é insistir que povo americano precisa de ajuda, que a economia está em má forma e que temos que pensar no que vai resolver. Aa escolhas serão difíceis. Não vai fácil e nem rápido sair do buraco, mas os EUA são fortes e vamos vencer a crise se tivermos trabalho interpartidário _ comentou Obama.
Dados divulgados nesta sexta-feira revelam que a economia americana perdeu 240 mil empregos em outubro, levando o total de vagas perdidas no ano a 1,2 milhão. A taxa de desemprego cresceu de 6.1% para 6,5%, a mais alta desde março de 1994.
6/11/2008
-20:01
Casal Obama visita Casa Branca na segunda-feira
O presidente eleito Barack Obama passou os últimos dias em reuniões com seus principais assessores e conselheiros para definir a sua equipe de transição. E viu crescer a tensão entre duas poderosas facções do Partido Democrata: a dos políticos de Illinois, que viabilizaram sua candidatura, e a de colaboradores do casal Clinton, que serviram de consultores durante sua campanha. Há muita expectativa de que Obama compense sua falta de experiência em cargo executivo, convidando veteranos da administração Clinton para o seu ministério. Mas há também aqueles que alertam para o risco de que o governo Obama torne-se, na verdade, um terceiro mandato de Bill Clinton.
Obama anunciou também sua primeira visita a Casa Branca na próxima segunda. Obama e sua mulher, Michelle, serão recebidos pelo casal Bush para combinar detalhes da transferência do casal para o número 1600 da Pennsylvania Avenue,em Washington. Michelle já iniciou também consultas para escolher a nova escola das filhas, Malia e Sasha, e a escolha mais provável é Georgetown Day School, a dez minutos da Casa Branca,que tem mil alunos e vai custar ao casal cerca de US$ 60 mil por ano para as duas meninas, que também vão ganhar um cachorrinho de presente.
O primeiro nome confirmado no novo ministério, o do deputado Rahm Emanuel como chefe de gabinete, foi uma escolha estratégica de Obama porque transita bem entre as duas facções. Emanuel foi eleito deputado por Illinois em 2002, acaba de ser reeleito e é atualmente o quarto na linha de liderança do Partido Democrata. Ele trabalhou na primeira campanha presidencial de Bill Clinton e serviu como seu conselheiro. Emanuel é uma aposta segura de Obama: alguém capaz de aconselhá-lo para encontrar o melhor caminho em meio à burocracia envolvida no cargo de presidente e também um forte aliado dentro da Câmara para conquistar votos para a aprovação de seus projetos. Mas é conhecido como um negociador duro, a ponto de merecer o apelido de "Rahmbo".
_ Tive a uma honra receber o convite e decidir aceitá-lo foi uma decisão pessoal, que envolveu minha família. Mas penso que meu conhecimento de Washington pode contribuir para o novo governo e já comuniquei à presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, minha decisão de não assumir a cadeira de deputado para a qual fui reeleito _ declarou Emanuel, que muitas vezes serviu de ponte entre Obama e os Clintons, durante momentos de tensão nas primárias.
Na área de defesa, os nomes de Gregory Craig e de Susan Rice são bem cotados, mas ambos causaram desconforto entre os Clintons, porque os dois romperam com Hillary durante as primárias para apoiar Obama. Gregory Craig foi alto assessor na área de defesa de Bill Clinton e liderou a equipe de advogados que defendeu o ex-presidente em seu processo de impeachment. Craig foi também assessor de Ted Kennedy em seu trabalho legislativo no Senado. Já Susan Rice, uma das mais próximas conselheiras de Obama atualmente, trabalhou como subsecretária de estado para assuntos africanos, durante a administração Clinton. Outro nome que causa desconforto, desta vez para assumir a secretaria de Estado, é o do governador do Novo Mexico, Bill Richardson, que já com as primárias adiantadas rompeu com os Clintons para anunciar apoio a Obama.
Mas já em seu primeiro discurso no Grant Park, em Chicago, Obama revelou sua intenção de fazer um trabalho interpartidário, convidando nomes do Partido Republicano para participarem de seu governo. Dois nomes têm sido insistentemente apontados como escolhas de Obama: os senadores Chuck Hagel e Dick Lugar. Republicano de Nebraska, Hagel é veterano de Guerra do Vietnã (1959 a 1975) e um grande crítico do governo Bush. Mas tem grande relação de amizade com o presidente eleito, tendo sido seu companheiro de viagem nas visitas ao Iraque e ao Afeganistão durante a campanha. Já o senador Lugar, do estado de Indiana, é líder da minoria do partido no Comitê de Relações Exteriores e trabalhou com Obama no ano passado para expandir um programa para acabar com armas de destruição em massa.
Há também fortes rumores de que Robert Gates, secretário de Defesa de Bush, vai continuar a liderar por algum tempo a equipe de segurança nacional de Obama. Ele trabalhou para a CIA por 27 anos, servindo como diretor entre 1991 e 1993. Foi também vice-conselheiro de segurança nacional do governo do pai de Bush, George H. W. Bush. Mas embora chamar veteranos republicanos seja a maior demonstração de que está disposto a um esforço bipartidário para sanar a crise econômica e levar a guerra contra o terror a um novo nível, a escolha destes nomes pode indicar que Obama, árduo crítico das políticas de Bush, governará como ele na área de segurança nacional.
Ontem, Obama teve também sua primeira reunião com a direção da CIA, para receber diariamente os informes sobre segurança nacional. E sua assessoria confirmou para a tarde desta sexta feira sua primeira entrevista coletiva como presidente eleito, logo após uma reunião matinal com seus principais conselheiros econômicos. A expectativa é de que Obama anuncie ainda hoje os nomes de sua equipe econômica, a tempo de acompanhar a transição e os desdobramentos do encontro internacional do G-20, convocado por George W. Bush, com a presença de 20 chefes-de-Estado em Washington, entre eles o presidente Luis Inácio Lula da Silva.
O nome do secretário do Tesouro vai indicar a estratégia de Obama para resolver a crise e será o responsável pela execução do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões para a compra de ativos sem liquidez e a recapitalização de instituições financeiras. Na lista de especulações, Timothy Geithner, presidente do Federal Reserve (Banco Central) em Nova York, Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro do governo Clinton, e Paul Volcker, ex-presidente do FED (Banco Central americano).
Geithner é defensor de que os bancos operem sob um novo marco regulatório unificado, na linha proposta de regulamentação proposta por Obama em meados de outubro. Ele foi subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais no governo Clinton, quando trabalhou com os ex-secretários do tesouro Robert Rubin e Lawrence Summers. Este último, porém, é o nome mais forte da lista para o cargo. Além de secretário do Tesouro no governo Clinton, Summers foi reitor da Universidade Harvard,onde Obama formou-se em direito. E além disto já ocupa a função de conselheiro econômico de Obama, especialmente após meados de setembro, quando começou a quebradeira de instituições financeiras em vWall Street. Summers foi também um dos principais nomes do governo Clinton para enfrentar, na década de 1990, as conseqüências das crises do México, da Rússia e da Ásia nos EUA. Já Paul Volcker, ex-presidente do FED (Banco Central americano) teve a seu favor o fato de ter sido um dos primeiros a manifestar seu apoio a Obama, ainda em janeiro, quando o presidente eleito era ainda um azarão na disputa da nomeação partidária contra Hillary. Vocker teve papel decisivo na redação do discurso, em março, no qual o então pré-candidato democrata defendeu uma reforma do sistema financeiro.
A transição de governo está sendo feita num clima de muita cordialidade. O presidente Bush declarou-se pronto a debater assuntos de governo com Obama já a partir de segunda feira:
_ A partir de segunda feira começaremos o processo de transição e convidaremos membros da equipe que assessora o presidente eleito para conversar sobre as políticas de governo que estão em curso,assim como as medidas adotadas quanto à crise econômica ou à guerra do Iraque. Também vou debater esses temas com o presidente eleito a partir da próxima semana.
E o presidente eleito respondeu, em nota distribuída pelo escritório de transição, que está pronto para começar a trabalhar na transição para a Casa Branca:
_ Eu e Michelle estamos prontos para o encontro com presidente Bush a fim de iniciar um cordial processo de transição de governo e gostaria de agradecer seu espírito de trabalho bipartidário, essencial para enfrentar os desafios atuais do país _ declarou Obama.
6/11/2008
-0:30
Sai o nome do chefe de gabinete de Obama
O time de transição de Barack Obama já começou a trabalhar, sob a liderança de John Podesta, ex-chefe de gabinete de Bill Clinton, de Valerie Jarrett, uma das assesoras mais próximas de Obama, e de Pete Rouse, seu principal assesor no Senado. Enquanto o presidente eleito saía de manhã cedo de sua casa para deixar suas filhas na escola e fazer ginástica, o escritório central de sua campanha fervilhava.
Daniel Pfeiffer, diretor de comunicações da campanha, vai dividir toda a assessoria de mídia com Stephannie Cuttler, assessora de Ted Kennedy que passa a atuar como porta-voz do time de transição. Além deles, três nomes do primeiro time de campanha terão o papel especial: Cassandra Butts, Jim Messina e Patrick Gaspard como assessores pessoais do presidente. Os contatos com as bancadas do Congresso serão conduzidos por Phil Schiliro e pelo diretor de relações intergovernamentais, Michael Strautmanis. O time conta ainda com os nomes de Melody Barnes, Lisa Brown e Christine Varney, como conselheiros.
Ao sair da ginástica, Obama foi para a reunião com sua assessoria de sua campanha e os líderes do time de transição. De tarde, seus assessores confirmaram o primeiro nome de seu ministério: o deputado Rahm Emmanuel, de Illinois, como chefe de gabinete. Não se trata de uma surpresa: Emamnuel é um dos mais próximos conselheiros políticos em Illinois, conhecido por ter um trânsito fácil nas diversas facções que compõem o Partido Democrata no estado.
Mas, em meio à crise financeira de Wall Street, Obama está sob intensa pressão para revelar o quanto antes o nome de seu futuro secretário do Tesouro. E a lista para o cargo não é pequena. Entre os que disputam a indicação, encontram-se Lawrence Summers (ex-secretário do governo Bill Clinton), o presidente do Federal Reserve de Nova York Tim Geithner, o ex-secretário do Federal Reserve Paul Vocker, todos nomes da lista de conselheiros próximos de Obama quando o assunto é economia.
Os nomes da lista de ministeriáveis de Obama incluem ainda William Daley para a pasta do Comercio; Robert Kennedy Jr, cogitado para liderar para um ministério especialmente dedicado ao meio-ambiente; e Susan Rice, como um nome forte na área de política externa. Emmanuel, Daley e Susan Rice são ex-integrantes da equipe de Bill Clinton.
5/11/2008
-21:45
Obama nomeia líderes de seu time de transição
O 44.o presidente americano e o primeiro negro a assumir a Casa Branca foi eleito com 63.589.985 votos populares (51% do eleitorado), 349 votos no Colégio Eleitoral contra 162 para seu adversário republicano. Barack Obama conquistou estados-chave como PensilvIania, Florida, Ohio, Colorado, New Mexico e assume o cargo no dia de 20 de janeiro com grande expectativa e maioria confortável no Lesgislativo. Os democratas conquistaram 254 cadeiras na Câmara dos Deputados contra 173 para os republicanos. No Senado, o partido de Obama terá 56 assentos contra 40 para a oposição
_ Se alguém ainda duvidava que os EUA são o lugar onde tudo é pode ser conquistado, se alguém pergunta se o sonho de nossos fundadores ainda está vivo em nosso tempo, se alguém ainda questiona a força danossa democracia, esta noite é a resposta. Esta noite a mudança chegou à America, por causa de tudo o que nós construímos juntos _ disse Obama para a multidão de um milhão de americanos espalhada pelo Grant Park, em Chicago.
O advogado formado por Harvard que derrotou o herói da Guerra do Vietnam fez de seu discurso uma homenagem a Martin Luther King e a Abraham Lincoln, pedindo a união nacional e levou a multidão ao delírio, repetindo o bordão famoso de King, “sim, nós podemos”. E foi generoso com o adversário, elogiando os serviços prestados por John McCain ao país e convidando-o para um trabalho interpartidário no futuro.
_ Quero elogiar a coragem de meu adversário que serviu esta país com muita bravura e convidá-lo para o trabalho de unir este país para enfrentar os duros desafios que temos pela frente _ disse Obama.
Mas, em 75 dias, quando assumir a Casa Branca, Barack Obama vai defrontar-se com um país imerso em tantos problemas _ duas guerras em curso, orçamento federal com déficit de mais de US$ 1 trilhão, dívida pública de mais de US$ 1o trilhões, a maior crise financeira desde a Grande Depressão _ que sua agenda de mudança, como ele mesmo já reconheceu, dificilmente será cumprida em cem dias, e que talvez sejam precisos, no mínimo, mil dias para que o país comece a sentir a diferença. Como implementar um plano de saúde acessível para todos, ou criar empregos investindo em energia alternativa, ou ainda mudar o rumo da política externa, com as finanças públicas tão comprometidas?
Talvez por isto, já no discurso da vitória em Chicago, ele citou seus ídolos Martin Luther King e Abraham Lincoln, os mesmos que citava nos primeiros discursos de campanha, em Des Moines, Iowa. Ambos foram heróis de um país dividido, imerso numa profunda crise e em guerras duras de vencer. E talvez também por isto, Obama tenha feito de seu discurso da vitória um convite a seus adversários para o trabalho interpartidário, mesmo diante de uma vitória estrondosa nas duas casas legislativas, que poderia dispensar tal esforço.
Obama falava sério. E seu desafio de arregaçar as mangas para esta parceria com os republicanos vai começar bem antes de 20 de janeiro. O presidente George W.Bush já convidou Obama para ser um observador do encontro internacional de 20 chefes de estado na próxima semana, em Washington, nos dias 14 e 15. E por isto aumentaram as pressões para que a transição seja agilizada. Obama não perdeu tempo. Em email, para os seus correligionários, ele anunciou oficialmente os três nomes para liderar a equipe de transição: John Podesta, Valerie Jarrett e Pete Rouse.
_ Os três receberão assistência de um conselho de indivíduos com significativa experiência nos setores público e privado. Entre os muitos projetos da equipe de transição estão análises detalhadas de transições anteriores, relatórios de medidas adotadas durante a campanha; resultados de agências do governo federal; e questões prioritárias que devem ser tratadas pela nova administração _ diz a mensagem.
Obama tem urgência porque sabe que o tamanho dos desafios à frente não é menor do que as expectativas do eleitorado que conquistou, uma nova maioria geracional, social e etnicamente diversificada, que está mudando a face de seu país. Por isto, antes de sair do palco da festa em Chicago,Obama fez questão de fazer sua mais ambiciosa promessa: honestidade e transparência com os eleitores:
_ Haverá atrasos. Muitos não irão concordar com todas as decisões ou políticas que eu vou adotar como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas. Mas eu sempre serei honesto com vocês sobre os desafios que enfrentar. Eu vou ouvir vocês, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, eu vou pedir que vocês participem do trabalho de refazer esta nação, do jeito que tem sido feito na América há 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada _ disse o novo presidente americano.
5/11/2008
-4:01
Bush telefona para parabenizar Obama
O presidente George W. Bush acaba de telefonar para Barack Obama a fim de cumprimentá-lo pela vitória histórica na eleição de 2008. Os dois combinaram também um encontro para começar a transição de governo e Bush convidou Obama para participar do encontro internacional sobre a crise econômica na semana que vem em Washington,com a participação de 20 chefes de estado, entre eles o presidente Luis Inácio Lula da Silva.
5/11/2008
-3:55
Mudança e união são temas do discurso de Obama
Em discurso da vitória, Obama diz que a mudança chegou à América. Eis a íntegra do discurso de Obama:
Obama's Acceptance Speech
Barack Obama
Chicago
If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible; who still wonders if the dream of our founders is alive in our time; who still questions the power of our democracy, tonight is your answer.
It's the answer told by lines that stretched around schools and churches in numbers this nation has never seen; by people who waited three hours and four hours, many for the very first time in their lives, because they believed that this time must be different; that their voice could be that difference.
If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible; who still wonders if the dream of our founders is alive in our time; who still questions the power of our democracy, tonight is your answer.
It's the answer spoken by young and old, rich and poor, Democrat and Republican, black, white, Latino, Asian, Native American, gay, straight, disabled and not disabled - Americans who sent a message to the world that we have never been a collection of Red States and Blue States: we are, and always will be, the United States of America.
It's the answer that led those who have been told for so long by so many to be cynical, and fearful, and doubtful of what we can achieve to put their hands on the arc of history and bend it once more toward the hope of a better day.
It's been a long time coming, but tonight, because of what we did on this day, in this election, at this defining moment, change has come to America.
I just received a very gracious call from Senator McCain. He fought long and hard in this campaign, and he's fought even longer and harder for the country he loves. He has endured sacrifices for America that most of us cannot begin to imagine, and we are better off for the service rendered by this brave and selfless leader. I congratulate him and Governor Palin for all they have achieved, and I look forward to working with them to renew this nation's promise in the months ahead.
I want to thank my partner in this journey, a man who campaigned from his heart and spoke for the men and women he grew up with on the streets of Scranton and rode with on that train home to Delaware, the Vice President-elect of the United States, Joe Biden.
I would not be standing here tonight without the unyielding support of my best friend for the last sixteen years, the rock of our family and the love of my life, our nation's next First Lady, Michelle Obama. Sasha and Malia, I love you both so much, and you have earned the new puppy that's coming with us to the White House. And while she's no longer with us, I know my grandmother is watching, along with the family that made me who I am. I miss them tonight, and know that my debt to them is beyond measure.
To my campaign manager David Plouffe, my chief strategist David Axelrod, and the best campaign team ever assembled in the history of politics - you made this happen, and I am forever grateful for what you've sacrificed to get it done.
But above all, I will never forget who this victory truly belongs to - it belongs to you.
I was never the likeliest candidate for this office. We didn't start with much money or many endorsements. Our campaign was not hatched in the halls of Washington - it began in the backyards of Des Moines and the living rooms of Concord and the front porches of Charleston.
It was built by working men and women who dug into what little savings they had to give five dollars and ten dollars and twenty dollars to this cause. It grew strength from the young people who rejected the myth of their generation's apathy; who left their homes and their families for jobs that offered little pay and less sleep; from the not-so-young people who braved the bitter cold and scorching heat to knock on the doors of perfect strangers; from the millions of Americans who volunteered, and organized, and proved that more than two centuries later, a government of the people, by

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