13/11/2008
-18:39
Non sense
Não está sendo fácil para os analistas de investimento encontrar explicações razoáveis para o que anda acontecendo nos mercados de ações, em especial na bolsa brasileira. Essa alta volatilidade sem dúvida vai afugentando investidores que foram atraídos para a bolsa pela expectativa de aumento significativo de seu patrimônio financeiro, mesmo que dentro de uma perspectiva de longo prazo. Mas se o mercado passa a se comportar sem lógica aparente, tais investidores, não profissionais de bolsa, acabam preferindo vender logo tudo, mesmo que isso signifique assumir perdas enormes. A tendência de baixa não é invertida por causa dessa permanente pressão de venda de ações.
Os antigos parâmetros para se avaliar o preço de uma ação podem ser jogados no lixo. Nesse momento de non sense, a única coisa palpável é quanto cada companha distribui de lucros, sob a forma de dividendos ou juros sob o capital próprio. Pois o tamanho do lucro em si não importa mais, como ficou demonstrado depois que a Petrobras divulgou o maior lucro trimestral (e acumulado em nove meses) de sua história.
22/10/2008
-19:42
Mantega nega reestatização
Conversei agora há pouco por telefone com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o dia de hoje (quarta-feira, 22/10/2008), e ele nega veemente que o governo tenha baixado a medida provisória que autoriza bancos estatais a comprarem instituições privadas com intenção de usá-la em um processo reestatizante. "Nosso sistema financeiro está sólido, mas temos de agir preventivamente , criando instrumentos para atender a uma necessidade eventual, hoje hipotética. Criamos uma linha de redesconto especial para os bancos e até agora ninguém recorreu a ela. Então não deveríamos ter essa linha? Claro que sim. Talvez a existência a dela tenha contribuído para acalmar mais o mercado" . O ministro estranha a versão que a MP possa ter gerado um ambiente de mais desconfiança no mercado financeiro. "Ao contrário estamos mostrando ao mercado que agiremos em caso de necessidade, por mecanismos do próprio mercado, o que só pode dar mais tranquilidade ao setor".
Mantega atribui o comportamente fortemente negativo das bolsas hoje ao temor de uma recessão mais grave na economia mundial. Outros fatores afetaram o câmbio aqui, como a valorização do dólar lá fora.
Voltando ao Brasil, o ministro diz que conversou com o pessoal da Febraban, a federação dos bancos, e eles aprovaram a iniciativa da MP, como uma ferramenta a mais nas mãos das autoridades. "Estamos procurando usar os instrumentos convencionais. Diferentemente dos Estados Unidos, aqui o Banco Central não está atuando diretamente como banqueiro junto a empresas, por exemplo", disse.
22/10/2008
-18:26
Ainda podemos baixar os juros
O medo da recessão vem fazendo com que os mercados financeiros se comportem como se as economias já estivessem ladeira abaixo, o que leva a profecia a se auto-realizar.
Há motivos reais para a gente se preocupar, mas a recessão aguda tão temida nos mercados financeiros por enquanto só está aparecendo nesses mesmos mercados , especialmente nos preços das ações. Na média, os índices de preços de bens e serviços ainda não registram deflação. Enquanto isso não ocorrer, a economia mundial não estará em recessão profunda pois existirá algum equilíbrio nos mercados de bens e serviços.
No Brasil, por exemplo, ao menor sinal de desequilíbrio as autoridades monetárias terão um instrumento poderoso que pode ser acionado: as taxas de juros. Elas estão altas demais, ajustadas para um cenãrio de aquecimento de demanda interna e externa . E ao que tudo indica, os ventos mudaram de direção.
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