Derretimento das geleiras triplicou desde a década de 80
Publicada em 30/01/2007 às 13h31m
O Globo OnlineAgências internacionaisRIO e CANBERRA - As geleiras estão derretendo três vezes mais rápido do que na década de 80, segundo dados do Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras, que é sediado na Suíça. A informação foi divulgada nesta terça-feira pela BBC Brasil ( clique aqui e leia a íntegra da reportagem ).
O diretor do serviço, Wilfried Haeberli, disse à BBC que a Terra vai enfrentar condições não observadas nos últimos dez mil anos e talvez nunca experimentadas pelo homem.
A informação foi divulgada em meio à reunião do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), reunido desde segunda-feira em Paris.
Ainda nesta terça-feira, o jornal australiano "The Age" publicou dados sobre um estudo do IPCC que só deve ser divulgado em abril. O relatório afirma que, até o final do século, as alterações climáticas farão com que a escassez de água afete entre 1,1 e 3,2 bilhões de pessoas, com um aumento médio de temperatura na ordem de dois a três graus Celsius. O estudo diz ainda que de 200 a 600 milhões de pessoas devem enfrentar falta de alimentos após 2080, enquanto inundações litorâneas podem danificar sete milhões de casas.
Há ainda um capítulo sobre a Austrália, que vive a pior seca da sua história. Esta parte do estudo alerta que a Grande Barreira de Recifes se tornará "funcionalmente extinta" devido à destruição dos corais.
O Painel Intergovernamental foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa Ambiental da ONU para orientar as políticas globais sobre o aquecimento.
O IPCC deve divulgar na sexta-feira em Paris um relatório prevendo que até 2100 a temperatura média do mundo estará de dois a 4,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, sendo que a estimativa mais provável é de três graus Celsius.
Esse relatório deve resumir a base científica das mudanças climáticas, enquanto o texto de abril detalhará as conseqüências do aquecimento e as opções para se adaptar a ele.
Uma pesquisa com 46 países divulgada na segunda-feira mostrou que os brasileiros e os chineses são os mais conscientes sobre o papel das atividades humanas no aquecimento global. De acordo com o levantamento feito pela ACNielsen, os americanos são os menos conscientes: 13% deles nunca leram ou ouviram falar do assunto, embora os Estados Unidos sejam o país que mais emite gases do efeito estufa do mundo.
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