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   Rio, 19 de novembro de 2008
Enviado por Paulo Senna -
16.11.2008
| 0h04m
Paulo Senna

Fantástico - O Show da Vida

 

"Olhe bem, preste atenção, / Nada na mão, nesta também/ Nós temos mágicas para fazer/ Assim a vida ali pra ver... Milhares de sonhos/ Só para sonhar/ Miragens que não se pode contar.../ Numa fração/ De um segundo/ Qualquer emoção/ Agita o mundo/ Riso, criado por quem é mestre/ Sexo, sem ele o mundo não cresce/ Guerra, pra matar e morrer/ Amor, que ensina a viver/ Nãnãnã... Nãnãnã... Nãnãnã.../ Foguete no espaço/ Rumo ao infinito/ Provando que tudo/ Não passa de um mito/ É Fantástico/ Da idade da pedra/ Ao homem de plástico/ O Show da Vida/ É Fantástico!". 

Há 35 anos (1973), o telespectador se acostumou a ouvir todos os domingos, às 20h, pela Rede Globo, a essa música que serviu de abertura para o programa de estréia do "Fantástico - O show da vida". Hoje, ele já faz parte da rotina de vários de brasileiros, tanto que passou a ser chamado simplesmente de "Fantástico".

O novelista Manoel Carlos, atual autor de novelas de sucesso da Globo, dirigiu o programa na sua fase inicial, acompanhado pelo diretor geral Augusto César Vanucci e apresentado por Sérgio Chapelin.

O “show da vida” entrava no ar para mudar as noites de domingo. Sempre apresentando jornalismo, show, reportagem, humor, música, esporte, denúncia e diversão. Era tudo muito novo para a TV da época e também foi uma saída da emissora para o impasse das noites de domingo, quando era exibido o fraco programa “Só o amor constrói”. Este perdia em audiência para o “Programa Flávio 

Cavalcanti“, da TV Tupi.

A música de abertura, do então, diretor superintendente da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, anunciava a mudança que estava por vir e que até hoje se mantém no ar até hoje.

Em seguida entravam os bailarinos vestidos em estilo extravagante, meio ciganos, com adereços na cabeça, tudo com design de Hans Donner. 

No primeiro domingo, esteve no programa a atriz Sandra Bréa prestando uma homenagem a Marilyn Monroe, onze anos depois da morte da estrela de Hollywood; esquetes de Chico Anysio e Raul Solnado uma reportagem exclusiva com o jogador Tostão.

Tudo sendo exibido em preto-e-branco, somente um ano depois da estréia, passou a 

ser exibido a cores. Em seu comando já estiveram Chapelin, William Bonner, Valéria Monteiro, Dóris Giesse, Celso Freitas, Carolina Ferraz, Fátima Bernardes, Sandra Annemberg, entre outros.

Outras personalidades deste início foram a repórter Cidinha Campos, com matérias-denúncias; Ibrahim
 Sued, apresentando a sua coluna dominical com seu clássicos bordões: ”Sorry, periferia“; ”Bomba! Bomba!“; e a inesquecível Zebrinha dando os diagnóstico da loteria esportiva enquanto falava com Léo Batista.

Era e é “Fantástico - O Show da Vida”.


Enviado por Paulo Senna -
9.11.2008
| 19h45m
Paulo Senna

Vale Tudo

 

“Não me convidaram/ Pra esta festa pobre/ Que os homens armaram/ Pra me convencer.../ Não ofereceram, nem um cigarro, fiquei na porta estacionando os carros/ Não me elegeram chefe de nada/ O meu cartão de crédito é uma navalha/ Brasil mostra a tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar assim/ Brasil qual é o teu negócio/ O nome do teu sócio/ Confia em mim...”. Quem assistiu já matou a charada, mas quem não viu não sabe que essa era a música de abertura da novela “Vale Tudo”, cantada por Gal Costa.

O escritor Gilberto Braga já fez a primeira reunião sobre sua próxima novela das 20h, que vai ao ar em 2010. É a mesmíssima equipe de "Paraíso Tropical".

Em "Vale Tudo", que foi exibida pela Rede Globo, Raquel Accioli (Regina Duarte) estava separada de seu marido, Rubinho (Daniel Filho), há cerca de dez anos, época em que, depois de uma violenta discussão, ela decidiu abandoná-lo e ir viver com a filha, a ambiciosa Maria de Fátima (Glória Pires), na casa do pai, Salvador (Sebastião Vasconcelos), em Foz de Iguaçu. Seu único bem era uma casa modesta que Salvador passou para o nome da neta, de modo que, quando este morresse, nada lhe faltasse. Raquel vivia como guia de turismo e, quando Salvador morreu, Fátima, sem dizer nada à mãe, vendeu a casa e partiu para o Rio de Janeiro em busca de ganhar a vida, não importando como.

No Rio ela se envolveu com César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), um ex-modelo, e que atuava como garoto de programa. Fátima foi apresentada por César a Solange Duprat (Lídia Brondi, com a franja mais famosa do Brasil, antes da Silvia de "Duas Caras"), produtora de moda da revista "Tomorrow", passando a atuar como modelo e a morar na casa de Solange. Raquel, sem casa, partiu para o Rio, para evitar as maldades da filha. Fátima usa o conhecimento de Solange para se aproximar de Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes) e se casar com ele.

A novela passa então a mostrar a dualidade: Maria de Fátima buscando ficar rica com o casamento arranjado, enquanto que Raquel, vendendo sanduíche natural na praia, acaba subindo na vida e, de maneira honesta, vira dona da rede Paladar de restaurantes industriais.

Raquel, então, começa um namoro com Ivan Meireles (Antonio Fagundes). A trama dá uma reviravolta quando Raquel encontra 800 mil dólares, perdidos pelo desonesto empresário Marco Aurélio (Reginaldo Faria), e não ficou com o dinheiro, como desejava Ivan.

Porém, os dólares desaparecem graças a um plano de Fátima, e Raquel passa a pensar que foi Ivan. Por isso, eles rompem o relacionamento e Ivan acaba se casando com Helena Roitman (Renata Sorrah), o que opõe Raquel a Odete Roitman (Beatriz Segall), já que esta queria afastar, de qualquer forma, Raquel de Ivan.

A propósito, a atriz Renata Sorrah nesta novela interpretou uma das personagens mais populares de sua carreira: a alcoólatra Heleninha Roitman. O nome da personagem virou referência para quem bebia 

demais. Sem falar das cenas de barraco homéricas protagonizadas por ela, que no auge dos seus pileques gritava: "William, toca um mambo".

Como o casal Raquel e Ivan acabou se reaproximando, Odete deu sua última cartada: mandou Ivan subornar um agente da alfândega brasileira para liberar equipamentos retidos, só que a empresária filmou a cena e passou a chantagear o casal, que acabaram sendo presos por corrupção.

No capítulo 193, na véspera do Natal de 1988, a vilã Odete Roitman foi assassinada com três tiros à queima-roupa. Mas afinal, "Quem matou Odete Roitman?". O mistério durou apenas 13 dias, mas parou o país em janeiro de 1989 para a grande revelação. A resposta só veio no último capítulo. A cena do assassinato só foi gravada no dia de exibição, o diretor Denis Carvalho, dispensou os atores, anunciando que seria Leila (Cássia Kiss) a assassina. Ela matara Odete por engano, achando que era Maria de Fátima, amante de seu marido, Marco Aurélio (Reginaldo Farias). Enganada, pois o amante de Odete era o michê 

César. Ao segui-lo, Leila entrou no apartamento aonde achava que ele havia ido para um encontro com Fátima. Descontrolada, disparou a arma contra uma porta de vidro onde se via apenas uma silhueta de mulher. Mas ela estava enganada: aquele apartamento era de Odete, que havia chamado Marco Aurélio para um ajuste de contas, pois ele estava dando desfalques em sua empresa. 

Ao final da novela, Marco Aurélio foge do país com Leila e dá uma "banana" (gesto 

ofensivo) para o Brasil, pois Odete e Marco retravam o que havia de ruim e corrupto no país, enquanto Raquel e Ivan simbolizavam a vida de milhões de brasileiros.

Curiosidades: Bartolomeu (Cláudio Corrêa e Castro), pai de Ivan, fica desempregado, e tem dificuldade em arranjar emprego por não saber utilizar computador; Ivan, ao perder o emprego na empresa de Odete, passa a ser subgerente de um hotel; Marco Aurélio, vice-presidente da empresa de aviação de Odete Roitman, a TCA, comete diversas irregularidades e desvia o dinheiro da empresa para a sua própria conta; a irmã de Marco Aurélio tem um caso com outra mulher. Foi quando o amor entre duas mulheres foi pela primeira vez explicitada numa novela brasileira e, por isso, a novela enfrentou a censura.

Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Dehelnzelin) trocavam carícias e olhares provocantes, mas não puderam ficar juntas até o fim da história. Um acidente de carro acabou com o amor das duas. O autor Gilberto Braga desmente a versão de censura. 

- Não houve qualquer rejeição ao casal de lésbicas, muito pelo contrário, a história foi super bem aceita. A morte da Cecília por volta do capítulo 70 era prevista, porque o que estávamos enfocando era justamente problema de herança em caso de morte numa união homossexual, inspirados no caso Jorge Guinle Filho e Marco Rodrigues. Tanto que as atrizes estavam avisadas, tudo correu, felizmente, como previsto. Uma sorte, porque eu não gosto muito de fazer mudanças radicais sejam lá quais forem sem que o elenco esteja avisado, eu respeito muito meus companheiros atores, afirmou um ele.

A solução foi providênciar um "acidente" de carro para a irmã de Marco Aurélio, Cecília.

Enquanto, Tiago (Fábio Villa Verde), o filho de Marco Aurélio, rapaz bonito, tímido e virgem, não tinha namorada e seu pai desconfiava de que ele era gay, pois fica no quarto ouvindo música clássica com seu amigo André (Marcelo Novaes).

A trama foi marcada também por várias cenas antológicas, como a cena do primeiro capítulo, em que Raquel, descobre que a filha, vendeu a casa e sumiu com o dinheiro; a cena em que Fátima encontra Raquel, vendendo sanduíche na praia; a cena em que Raquel rasga o vestido de noiva de Fátima, quando ela se casa com Afonso; a cena em que Fátima rola as escadarias do Teatro Municipal; o acerto de contas entre Fátima e a jornalista Solange, quando esta descobre a traição do marido Afonso. Bem como o acerto de contas entre Fátima e Afonso, quando este descobre a traição de Fátima com o garoto de programa César. 

Os bordões de Raquel caíram na boca do povo: “Te mede!”; e “Sangue de Jesus tem poder!”.

No elenco estavam também, entre outros, os atores, Natália Thimberg, Lourdes Mayer, Adriano Reys, Lilia Cabral, Marcos Palmeira, Íris Bruzzi, Pedro Paulo Rangel e Stepan Nercessian. Novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres. Direção de Dênis Carvalho e Ricardo Waddington.

Foi também a primeira novela dos atores Marcelo Novaes e Flávia Monteiro.
O maior mérito da trama foi ter levantado o debate: “vale a pena ser honesto no Brasil?”.


Enviado por Paulo Senna -
5.11.2008
| 23h48m
Paulo Senna

Bicho do Mato - Rede Globo

 

(Osmar Prado e Débora Duarte, numa cena da novela)

Houve uma época em que eu tinha tempo para assistir as novelas das 18h, 19h e 20h. Hoje em dia, mal consigo assistir às tramas das 20h, ops!, das 21h.

Porém, algumas deixaram saudades, como as que vou comentar a seguir. Em 1972, estreava a novela “Bicho do mato”, de Chico de Assis e Renato Corrêa e Castro, exibida pela Rede Globo, às 18h. Na direção esteve Moacyr Deriquém.

Lembram da música da novela: “Não sou potro que se doma/Não sou vara que se vergue/Não sou fruta que se coma.../Eu sou muito sem vergonha/Sem amor e sem carinho/Não sou milho de pamonha/Nem canto de passarinho/Ehh, bicho do mato!/Nossa briga é desacato/Ehh, bicho do mato! /Tu me bate eu te rebato/ Ehh, bicho do mato!”. Tempinho bom.

A trama se passava no interior do Mato Grosso, onde o simplório caipira Juba (Osmar Prado), após o assassinato de seu pai, tornou-se capataz de uma fazenda jurando vingar-se dos bandidos assassinos.

Para realizar seus objetivos, ele contava com a ajuda de seu companheiro Irú (José de Arimatéia), um índio que lhe ensinava todos os segredos do mato.

Porém, o jovem Juba acabou se apaixonando por Rute (Débora Duarte), que era uma jovem da cidade grande, e se deparou com um mundo totalmente estranho para ele.
O grande destaque da trama foi o trabalho do ator Osmar Prado que criou um divertido personagem, pois Juba era um autêntico “bicho do mato”, como sugeria o título da obra. Como comentou o Osmar Prado para o Blog Nostalgia.

— A novela abordava o contraste entre as pessoas do campo e as da cidade grande, representado pela personagem da Débora Duarte. Era uma história que visava o público jovem. Eles até tentaram me convencer a fazer propaganda de botas e coisas do campo, mas eu me recusei a levar para fora da novela o universo do meu personagem. Afinal, fora dos estúdios eu sou apenas o ator. Inclusive o ator José de Arimatéia ficou meio chateado comigo, pois ele queria montar uma peça com o Juba e o índio Irú, mas eu não topei — lembrou o ator.

Essa novela deu continuidade à linha de novelas educativas que fora iniciada com a novela “Meu pedacinho de chão” (1971), de Benedito Ruy Barbosa, exibida pela TV Globo/TV Educativa, tendo Dionísio Azevedo na direção. No ano seguinte, a Globo exibiu a trama de Chico de Assis. No mesmo ano de "Bicho do Mato", a emissora lançou a história infanto juvenil de “A patota” (novembro de 1972), que foi a primeira e única novela da consagrada autora de peças infantis Maria Clara Machado. A TV Globo ainda não tinha o horário das seis como tradicional horário de novelas, por isso apresentava produções infanto-juvenis, como essa, que era anunciada como uma “novela jovem”.

No elenco estavam os atores Renata Fronzi, Célia Biar, Lúcia Alves, Pedro Paulo Rangel e grande elenco.


Enviado por Paulo Senna -
1.11.2008
| 23h50m
Paulo Senna

Xica da Silva - Rede Manchete

 

(Taís Araújo e Zezé Motta)

A novela "Xica da Silva", de Walcyr Carrasco (sob o pseudônimo de Adamo Rangel), baseada no romance "Xica Quem Manda", de Agripa Vasconcellos, foi exibida pela Rede Manchete, em 1996, às 21h30m. Na direção dos 231 capítulos esteve Walter Avancini. A mesma história foi reprisada pelo SBT, em 2005.
A novela levou a Manchete de volta ao segundo lugar na audiência na televisão, depois de alguns anos em crise. Mais uma vez a arma utilizada foi o erotismo e a forte retratação histórica.

A trama contava a trajetória de uma escrava que virou rainha em pleno Século 18. 

Xica (Taís Araújo) era uma moça muito atrevida e, também, inteligente, acabou conquistando um marido rico, deixou de ser escrava e escandalizou a sociedade hipócrita da época, movida pela cobiça do diamante.

Naquela época, no Brasil, o homem mais importante era o Contratador Felisberto Caldeira Brant (Reynaldo Gonzaga), que era encarregado pelo rei do manejo da minas de diamantes do Arraial do Tijuco. Quando o comendador resolve vender sua escrava Maria (Zezé Motta), junto com sua filha Xica, a um bordel, a jovem se vinga roubando-lhe toda a fortuna que tinha em diamantes guardados dentro de um baú. O plano, de moça com a cumplicidade do negro Quiloa (Maurício Gonçalves), que era apaixonado por ela, arruína seus senhores que são enviados à prisão em Portugal.
Com a desgraça da família do Contratador, Quiloa foge para um quilombo, enquanto Xica é vendida para o Sargento-mor Tomaz Cabral (Carlos Alberto), que a viola. Sua nova ama é a histérica Violante (Drica Moraes), filha de Cabral. Na casa do Sargento-mor, Xica conhece o novo contratador da região, João Fernandes de Oliveira (Victor Wagner). Prometido a casar-se com Violante, o moço se encanta ao ver a escrava e resolve comprá-la. Não querendo desagradar o Contratador, Cabral vende.

A escrava é enviada ao contratador, mas se nega a dormir com ele. Isso aguça ainda mais a paixão do rapaz. João, comovido pela beleza de Xica, decide esperar que ela mesma o procure. Depois de sua primeira noite de amor, e depois de brigar muito com Violante, o contratador rompe o compromisso com sua noiva e decide admitir sua paixão pela escrava em público. Esperta e decidida, Xica, alforriada, se mune dos maiores luxos possíveis, com direito a um mar em sua fazenda com um navio, além de possuir sete mucamas.

Xica transforma-se numa verdadeira rainha, sempre esnobando a nobreza que antes a chicoteava. Apaixonada pelo marido, ela está disposta a defender sua relação com unhas e dentes, batendo de frente com Violante, que a inferniza constantemente, demonstrando seu amor doentio pelo contratador. Acusada de bruxaria, por armação de Violante, Xica é presa e condenada à fogueira pela Igreja. Para libertar moça seu contratador, casa-se com Violante, que, influente, retira as acusações, libertando a ex-escrava. João Fernandes e Violante viajam para Portugal, separando assim o Contratador de sua amada. Os dois se casam, mas logo após a cerimônia, João Fernandes abandona Violante em seu castelo, e ela acaba enlouquecendo, e vem rever Xica no Brasil.

Curiosidades: 1 - ) Taís Araújo, tinha 18 anos, quando fez a novela, sendo a primeira protagonista de sua carreira; 2 - ) Graças à caprichada direção de Avancini, a trama foi uma novela empolgante. Eram inúmeras as seqüências de assassinatos, execuções, e até torturas. Um dos fortes momentos da história foi quando Maria, a mãe de Xica, foi morta tendo seus braços e pernas amarrados a quatro cavalos que, assustados por um tiro, corriam em direções contrárias, esquartejando o corpo da escrava em praça pública. Além dessa, as cenas que envolviam as bruxarias de Benvinda e Violante foram repletas de tecnologia e realismo; 3 - ) Porém, as cenas de nudez ganharam destaque. A personagem Clara Caldeira Brant, vivida por Adriane Galisteu, foi quem mais apareceu nua. Taís Araújo, por sua vez, era menor de idade. Quando completou 18 anos, Avancini comemorou. Uma semana depois do seu aniversário, e depois de mais de 50 capítulos de espera, a atriz apareceu sem roupa. O assunto chegou a ser capa da Revista Manchete; 4 - ) O ator Alexandre Lippini, que vivia o Padre Eurico, morreu num desastre de carro em maio de 1997, faltando duas semanas para o final da novela.

O grande destaque da novela foi o trabalho da atriz Drica Moraes (Violante), um papel marcante e um dos melhores de sua carreira.

Leonardo, amigo do meu Blog Nostalgia fez um comentário muito interessante, por isso, vou reproduzir alguns trechos: "Paulo, não posso deixar de questioná-lo sobre o "esquecimento" de "Xica da Silva" na sua listagem. A obra trouxe uma antologia de tipos gays, como o afetadíssimo Zé Maria (Guilherme Piva, atuação irrepreensível, dotando-o de grande humanidade); o mucamo Paulo (Déo Garcez), que se descobre bissexual - aliás, junto com Elvira (Giovanna Antonelli), os três formaram a primeira "ménage" da TV, com muito humor e sem vulgaridade, a quilômetros de distância de Dalia & Cia; as lésbicas Irmã Viridiana (Glória Portela) e a bruxa Fausta (Lu Grimaldi), o capitão do mato Jacobino (o ex-galã Altair Lima), que no fim fica com um escravinho; D. Duarte (André Fillipo), que dá uns amassos no Zé Mulher no começo, Clara (Galisteu) e etc. A trama, chamou muita atenção por suas polêmicas, cujo alcance foi bem maior. A própria "corrente histórica" que orientou o folhetim era inovadora pra época. A tendência sempre foi vitimizar os escravos e demonizar os senhores. Porém, a novela mostrou que caráter independe de classe ou etnia. Havia negros malvados, inescrupulosos, homossexuais; assim como brancos da elite bondosos, caridosos, como qualquer ser humano. E o maniqueísmo passou longe da trama, pois a mocinha tava mais pra bandida".

Caro Leonardo, como já comentei, não assisti "Xica da Silva", na TV Manchete, mas assisti a alguns capítulos na reprise feita pelo SBT. Já que, em 2005, o SBT anunciou, para a surpresa de todos, que tinha adquirido os direitos de exibição de “Xica da Silva”; a novela, então, foi reprisada no mesmo ano, às 22h. A trilha sonora da abertura não era como na Rede Manchete. Aliás, como acontece hoje em dia com algumas cenas da novela “Pantanal”, também da Rede Manchete, que está sendo reprisada pelo SBT.

No elenco também estavam, entre outros, os atores Miriam Pires, Sérgio Britto (conde Valadares), Lourdes Mayer (Madre Superiora), Ângela Leal (marquesa Carlota), Giovanna Antonelli, Murilo Rosa, Eduardo Dusek, Lourdes Mayer (madre Superiora), Paulo César Grande, Dalton Vigh, Fernando Eiras, Jayme Periard, Charles Moeller, Lu Grimaldi, Mário Cardoso, Marcos Breda, Leci Brandão, Romeu Evaristo, Silvia Buarque, Léa Garcia, Rômulo Arantes e Sérgio Viotti.

Saudade das produções da Rede Manchete.



Enviado por Paulo Senna -
26.10.2008
| 0h04m
Paulo Senna

Cuca Legal - 1975

 (Elza Gomes, Francisco Cuoco, de pé, no centro, e Mário Lago, deitado)

A novela “Cuca legal”, de Marcos Rey, foi exibida pela Rede Globo, em 1975, às 19h. Na direção estiveram Oswaldo Loureiro, Gonzaga Blota e Jardel Mello. O argumento foi elaborado por Oswaldo Loureiro e Paulo Pontes.

O autor Sylvan Paezzo chegou a ser contactado para desenvolver a história, mas a tarefa acabou nas mãos de Marcos Rey.
Para quem não lembra Marcos Rey também adaptou “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo para TV e fez para a telinha a adaptação de “Memórias de um gigolô”, de sua autoria.

Muitos telespectadores devem lembrar que alguns dias antes da estréia dessa novela, foram feitas algumas chamadas na telinha da Globo apresentando aquele que seria o novo par romântico da trama das 19h.

Então, anunciavam um novo par romântico para a novela. Duas cabeças com cabelos brancos apareciam no vídeo conversando, aguçando, lógico, a curiosidade dos telespectadores, pois ao contrario dos belos e jovens pares românticos, estavam os atores Elza Gomes e Mário Lago. Eles seriam o casal Dalva e Aureliano. Uma verdadeira novidade para a época e por que não dizer também para os dias de hoje.
Infelizmente, a atriz Elza Gomes sofreu um enfarte que a afastou alguns dias das gravações. Porém, ela logo retornou rápido e o casal foi um dos pontos altos da história.

Na trama, Mário Barroso (Francisco Cuoco) vivia um piloto de avião noivo de três mulheres que moravam em cidades diferentes. Na realidade, ele procurava uma mulher que pudesse lhe dar um filho de “cuca legal”. Está era a chave de toda a trama. 
(Cuoco e Yoná Magalhães).

Porém, achava que amava de verdade as três moças da mesma maneira, por isso, ficou indeciso na hora da escolha final: Virgínia (Françoise Forton) era a rica; Irene (Suely Franco), a mulher de classe média; e Fátima (Yoná Magalhães), uma moça um pouco mais simples, que era viúva de um empregado de Mário na sua Empresa. 
(Cuoco e Mário Lago). As coisas começaram a esquentar para o lado do rapaz quando Kinú (Rosamaria Murtinho), mãe de Fátima, entrou na disputa pelo coração do galã.

O telespectador não foi muito receptivo à “Cuca legal”, aproveitando a chance para trocar de canal. É que nessa época a TV Tupi exibia a novela “Meu rico português”, no mesmo horário e estava fazendo um grande sucesso.

Um dos diretores da trama, Oswaldo Loureiro deixou a direção da novela a partir do centésimo primeiro capítulo, sendo substituído por Jardel Mello.

No mesmo ano, Loureiro em entrevista à revista “Amiga”, especializada em televisão, fez uma declaração interessante: "Cuca legal nasceu, cresceu e se perdeu", declarou Loureiro ao término da novela. "Uma idéia que tinha tudo para ser abordada da melhor forma possível, acabou se diluindo e prejudicando a consistência da história de Marcos Rey. (...) as condições de que dispúnhamos eram as mais precárias possíveis (...)A falta de condições de Cuca Legal acelerou esse processo de degeneração da novela ".

No elenco estavam, entre outros, os atores Elisângela, Suzana Faini, Lady Francisco, Chica Xavier, Hugo C

arvana, Herval Rossano, Felipe Carone, Roberto Bonfim, Luiz Armando Queiroz e Sebastião Vasconcelos. 

Quando se fala dessa trama é impossível não se lembrar da música “Linha do Horizonte”, que servia de tema para o personagem de Mário: “É.../ Eu vou pro ar/ No azul mais lindo/ Eu vou morar./ Eu quero um lugar/ Que não tenha dono/ Qualquer lugar./ Eu.../ Quero encontrar/ A Rosa dos Ventos/ E me guiar./ Eu quero virar/ Pássaro de prata/ E só voar./ É.../ Aqui onde estou/ Esta é minha estrada/ Por onde eu vou./ E quando eu cansar/
Na linha do horizonte/ Eu vou pousar.”


Enviado por Paulo Senna -
19.10.2008
| 20h44m
Paulo Senna

Vidas Opostas

 


A concorrência é sempre saudável. Houve uma época em que tínhamos somente a TV Tupi e a TV Rio, no Rio, e a Tupi e a TV Record (da família Machado de Carvalho, claro!), em São Paulo. Depois, surgiram outras emissora, como a TV Excelsior, Continental, Bandeirantes, TV Globo, em 1965, e a TV Manchete. Não me cobrem datas nem o nome de outras emissoras, pois estou apenas ilustrando uma coisa boa que existia e que não existe mais: a concorrência sadia e gratificante.



A Rede Record, em 2006, exibiu uma novela realista, “Vidas Opostas”, de Marcílio de Moraes, às 22h. Na direção dos seus 240 capítulos esteve Alexandre Avancini.



Marcílio partiu de um tema muito em voga nos últimos tempos: o mundo dos marginais que foram retratados na sua novela. Ele mostrava suas vidas atrás das grades, quando presos numa cadeia, e as gangues existentes. Conseqüentemente, as batalhas entre as quadrilhas.



Era uma trama que mistura amor e violência, riqueza e pobreza, sonho e realidade brutal, honestidade e corrupção, ordem e caos, heroísmo e vilania.



Partia do relacionamento entre os jovens Miguel (Léo Rosa) e Joana (Maytê Piragibe),



uma moça simples que morava numa favela carioca, a comunidade do Torto. O rapaz, era um milionário que gostava de escaladas, numa de suas jornadas esportivas acabou conhecendo a moça, que era guia de esportes de aventura.  Apesar dele já ser noivo de uma elegante, fútil e rica estilista, Erínia, acabou se apaixonando por outra. 




Porém, anos antes Joana havia sido namorada de um colega de colégio, Jeferson (Ângelo Paes Leme), que depois se tornou traficante de drogas, foi preso e passou quatro anos na cadeia. Foi solto justamente quando Miguel rompeu o noivado e começou a namorar sua ex-namorada. O bandido voltou para a favela do Torto e passou liderar uma quadrilha. Acabou tomando, numa batalha, a boca de fumo local.



Sendo o todo poderoso, resolveu ter Joana de volta, à força se necessário, ameaçando Miguel de morte. Por outro lado, a ex-noiva de Miguel não se conformava com o rompimento e fez para separar o jovem casal.



O confronto dos apaixonados com o traficante acabou resultando numa revolta da comunidade contra os bandidos e na morte deste, junto com um policial corrupto. O acontecimento teve terríveis desdobramentos, atraindo contra o casal uma série de infortúnios. 



A situação se agravou quando o lugar de Jeferson na quadrilha de traficantes passou a ser comandada por seu irmão Jacson (Heitor Martinez), tão perigoso quanto ele.



A mãe de Miguel, a milionária Ísis Campobello (Lucinha Lins), vivia sozinha desde a 



trágica morte do marido, mas sua vida sentimental teve uma reviravolta com o retorno do homem que foi sua paixão na juventude, o italiano Boris (Nicola Siri), que era um aventureiro destemido e romântico, dado como morto há 30 anos. Ele passou a ajudá-la a proteger o filho e a enfrentar os vilões de todo tipo que a cercavam: o vice-presidente Mário (Cecil Thiré), que traía a confiança que Ísis depositava nele, pois ele preparava um golpe para tomar sua fortuna; Félix (Roger Gobeth), um advogado aproveitador e dissimulado; Maria Lúcia (Flávia Monteiro), que era uma mulher sensual e maligna, parente da própria Ísis, mas que não hesitava em se aliar aos que tramavam contra ela.



A propósito da complica situação de Joana e Miguel, foi travada uma batalha entre a honestidade e a corrupção dentro da Justiça e da Polícia. 



De um lado, o perverso delegado Nogueira (Marcelo Serrado), 



perigoso psicopata que se esconde atrás de uma máscara de homem de bem, refinado e culto. E do outro lado está o íntegro e corajoso promotor Leonardo (Luciana Szafir), batendo-se contra os inimigos da lei e tendo de dar conta das três mulheres que atormentavam sua vida:  a mãe Lisinha (Íris Bruzzi), a filha Carla (Juliana Lohman) e a ex-esposa Patrícia (Babi Xavier), além da doce delegada Maria do Carmo (Raquel Nunes), por quem se apaixona. Sem falar nas engraçadas aventuras de “Dona” Lisinha com sua amiga Margarida (Cristina Pereira) e de seu pretendente, o atrapalhado Berloque (André Valli, em seu último trabalho em novela).





Tinha também os divertidos e dramáticos moradores do Torto, onde Joana vivia com 



a mãe Lucília (Tássia Camargo) e o pai Haroldo (Raimundo de Souza), brutalmente assassinado, o primo Carlinhos (Leandro Léo), jovem dividido entre o futebol e o mundo do crime, filho da batalhadora Carmem (Jussara Freire), irmã de Lucília.



Vidas Opostas apresentou a cidade do Rio como ela realmente é, com todos os seus problemas sociais, marcados pela pobreza e violência, em contraste com a camada  mas rica. 


A novela foi muito criticada por mostrar uma violência raras vezes vista em telenovelas. O saldo final não poderia ter sido melhor, com o registro de atuações marcantes, como dos vilões interpretados por Heitor Martinez e Marcelo Serrado: o bandido Jacson e o delegado de polícia Nogueira, respectivamente. E a da magistral interpretação de Jussara Freire, que acaba papel se transforma em outra mulher. É uma atriz que vale a pena ver 



sempre.


 


Histórico

2008:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez


2007:

Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez



Sobre o autor:

  • Paulo Senna é repórter do Jornal O Globo e criador da coluna 'Nostalgia', da Revista da TV