Cristina Kirchner defende sua obsessão pela beleza
Plantão | Publicada em 25/10/2007 às 15h47m
Reuters/Brasil OnlineBUENOS AIRES (Reuters) - A primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, brincou na quinta-feira dizendo que acha que nasceu de rímel, ao dizer que se preocupa extremamente com sua imagem. Ela se preparava para o comício de encerramento de sua campanha presidencial, que deve garantir que ela se torne a primeira presidente eleita da Argentina.
Depois de quase três meses de silêncio com a imprensa local, a primeira-dama deu várias entrevistas em seus últimos dias como candidata. "Sempre me arrumei e me pintei, acho que nasci pintada. Acho que quando disse 'mamãe' já estava de rímel e bem penteadinha", disse ela na quinta-feira numa entrevista à Rádio 10.
"Nos anos 70 também havia uma discussão de não se ter comportamentos pequeno-burgueses como se pintar, se arrumar, e isso sempre me pareceu uma tremenda estupidez", afirmou a advogada, que tem 54 anos.
Ela afirmou que quem critica esse seu lado é porque não tem como atacar sua inteligência. Especialistas acreditam que a falta de discussão sobre políticas mais profundas durante a campanha e o fato de que as duas candidatas com mais chances serem mulheres fizeram com que o debate se voltasse para assuntos mais frívolos.
Segundo as pesquisas, Cristina deve ganhar a eleição de domingo no primeiro turno, cerca de 30 pontos percentuais à frente da principal adversária, Elisa Carrió, uma política de centro-esquerda que também passou a cuidar mais da imagem desde que se candidatou pela primeira vez, em 2003.
Cristina montou sua campanha em torno do sucesso econômico da administração do marido, Néstor Kirchner, durante cujo mandato o Produto Interno Bruto argentino cresceu quase 50 por cento - o que lhe permitiu reduzir o desemprego e a pobreza à metade no país em apenas quatro anos.
A provável futura presidente promete não mudar se ganhar. "Nunca gostei de me disfarçar do que não sou. Por acaso terei de me disfarçar de pobre para ser uma boa dirigente política?", disse ela. "É preciso se atrever a ser você mesmo."
(Por César Illiano)
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