O jogo Brasil x Portugal e Dom João VI
Publicada em 18/11/2008 às 13h31m
Artigo do leitor Luiz Valério Rodrigues DiasJogos do Brasil transformaram-se em uma versão moderna da cerimônia do "beija-mão" que D. João VI praticava no Brasil, quando aqui chegou acompanhado de sua Corte com 10 mil ou mais serviçais, funcionários públicos e toda sorte de aproveitadores e puxa-sacos.
Os jogos da seleção brasileira no Brasil tornaram-se verdadeiros espetáculos para a elite se divertir gratuitamente. Basta beijar a mão de governadores-patrocinadores dos jogos para receber os ingressos. Mas tem um critério: tem de ser famoso. Políticos, grandes empresários, artistas e "emergentes" de qualquer natureza são candidatos a assistirem ao espetáculo midiático. Entretanto, pobre do pobre! Para ver sua paixão nacional, tem de pagar caro pelo ingresso, ou rezar na fila para ser abençoado por um ato de caridade de um falso Imperador que lhe condecora um ingresso sorteado.
Futebol é um esporte do povão e assim sempre será. Exceção à regra, infelizmente, são os jogos da seleção brasileira. Portanto, senhores governadores, sugiro pelo menos que cada personalidade convidada faça uma contribuição de R$1.000 (afinal, essa turma representa 50% da ocupação do estádio) e que o dinheiro seja doado a uma instituição de caridade. Quanto a nós, o povão, devemos pagar ingressos de acordo com a qualidade do atual futebol praticado pela seleção brasileira.
Este texto foi escrito por um leitor do Globo. Quer participar também e enviar o seu?Clique aquiLuiz Valério Rodrigues Dias é economista e cientista político
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