19.11.2008
| 9h15m
OPINIÃO
Vacine-se contra a parolagem papeleira
ELIO GASPARI
Crise é uma coisa, opção pelo engano é outra. Em 1930, afogado na crise econômica, o presidente americano Herbert Hoover avisou: "O pior já passou (...) Dentro de 60 dias a Depressão acaba." (Ela duraria outros dez anos.) Infelizmente, nos períodos de dificuldade ocorre um excesso de oferta de empulhações. Noves fora bobagens marqueteiras, como a "marolinha" de Nosso Guia e a "pequeninha gripe" da comissária Dilma Rousseff, o debate da crise está contaminado pelo excesso de análises e previsões de uma cantoria viciada, interesseira e fracassada. São economistas de bancos, diretores de fundos de investimentos e de casas de quiromancia financeira que distribuem receitas com a imponência dos cardeais e a eloqüência de camelôs.
Cada um tem direito de dizer o que bem entende, mas a platéia precisa se vacinar. A primeira proteção pode ser um sistema de cotas. Para cada opinião de papeleiro que uma pessoa ouve, deve fazer força para buscar outra, de alguém que produz, seja lá o que for. Leu uma entrevista de banqueiro ou de ex-diretor do Banco Central? Tudo bem, procure ouvir alguém que fabrica um prego que seja. Se não aparecer ninguém, o caixa da lanchonete serve. Como ensinava o banqueiro Gastão Vidigal, só se pode chamar de "produto" aquilo que se pode embrulhar.
Preservativo é um produto. Derivativo não é.
A segunda proteção é qualitativa e exige mais cuidado. Trata-se da correta qualificação do sábio. Num exemplo:
O cidadão apresenta um arrazoado dizendo que o governo deve fazer isso ou aquilo. É um altruísta e se identifica como professor desta ou daquela universidade, ou mesmo como ex-mandarim na administração pública. Tudo bem, mas se acrescentasse que enche a geladeira de sua casa gerindo um fundo de investimentos de alto risco, a choldra entenderia melhor o que diz. Mais: nestes tempos amargos, ele poderia informar que o rendimento do seu fundo perdeu para o das cadernetas de poupança e os investidores caíram fora, restando-lhe apenas 10% da carteira que tinha antes da crise. Fundos com carteiras de R$1,5 bilhão encolheram para R$150 milhões. Quem perdeu pouco, perdeu 25% do valor. Essa é uma das virtudes do capitalismo, pois o sujeito acredita numa coisa e investe nela. Se ganha, ótimo. Se perde, põe a viola no saco e sai para outra. Infelizmente, existe no Brasil uma casta de infalíveis impermeáveis ao fracasso.
Nos últimos 15 anos o debate econômico brasileiro foi fortemente influenciado pelo pensamento de professores que migraram para diretorias do Banco Central ou mandarinatos nas ekipekonômicas e de lá para a banca, onde aninharam-se. Opinavam como sábios, operavam no mercado como dondocas emergentes.
Não é razoável que defendam a alta dos juros ao mesmo tempo em que aplicam na expectativa da decisão do Copom. Mesmo assim, é direito deles, pois ninguém está proibido de ser esperto. Não é justo, porém, que se apresentem como observadores neutros, sem informar à patuléia como ganham a vida.
A identificação dos legítimos interesses desses sábios certamente mostraria à patuléia o desequilíbrio existente entre a gritaria dos papeleiros e o silêncio dos empreendedores. Afinal, alguém tem que cuidar da loja.
Texto publicado no Globo de hoje.
18.11.2008
| 19h42m
JORNAL NACIONAL
Principais notícias desta terça-feira
18.11.2008
| 12h48m
PREVIDÊNCIA
Senador quer CPI para identificar grandes devedores da previdência
O ministro José Pimentel vai ao Congresso tentar convencer os parlamentares a não aprovar correção de aposentadorias. O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, protesta: “dinheiro tem na Previdência”. O senador Mário Couto avisa: “vou propor reunião pra que se abra a CPI da Previdência. Queremos saber quem são os grandes devedores da Previdência”.
Ouça a informação abaixo.
18.11.2008
| 12h29m
PREVIDÊNCIA
Sindicalista critica resitência ao projeto que corrige os benefícios
O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, critica a resistência do ministro José Pimentel ao projeto que corrige os benefícios. “O próprio presidente da República concordou. Para a nossa surpresa, o ministro não quis mais conversar com o sindicato e está discutindo com o Congresso, tentando boicotar esse projeto”, acusa.
Ouça a informação abaixo.
18.11.2008
| 10h41m
CÂMARA
Agenda do dia
Ouça abaixo os assuntos que estão na pauta desta terça-feira.
18.11.2008
| 9h41m
DIÁRIO DE UMA REPÓRTER
Tiro no pé?
Ao admitir publicamente que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome de sua preferência para disputar sua própria sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter dado um tiro no próprio pé.
A avaliação de alguns de seus aliados é de que com a antecipação do calendário eleitoral, o presidente Lula corre o risco de encurtar o próprio mandato.
"O presidente precisa é congelar a discussão sobre sua sucessão, sob pena de virar um pato manco. Porque isso antecipa o fim de seu mandato", adverte um de seus aliados no Congresso.
Leia a coluna completa no blog Diário de uma repórter.
* Adriana Vasconcelos é repórter de Política do jornal O Globo, blogueira e colunista da Rádio do Moreno.
18.11.2008
| 9h09m
OPINIÃO
Fogueira na PF
Luiz Garcia
Nos últimos anos, a Polícia Federal construiu para si mesma uma imagem de eficiência que aparentemente a colocava a anos-luz de distância de todas ou quase todas as polícias estaduais. E o dado mais positivo dessa imagem era o perfil de muitos dos peixes que caíam em sua rede: gente poderosa, homens de alta posição e muito dinheiro.
Foi assim há cinco anos, quando a Operação Anaconda levou para a cadeia um juiz federal e outras figuras supostamente — ou historicamente — intocáveis. No ano passado, os federais prenderam os chefões do jogo do bicho no Rio, numa operação em que caíram na rede também dois desembargadores, um juiz e um procurador. Não faltam outras investigações com resultados semelhantes.
A Operação Satiagraha, este ano, parecia do mesmo tope. Foram apanhados o banqueiro Daniel Dantas e outros endinheirados. Mas em pouco tempo tudo começou a dar errado para os policiais. Os primeiros sinais de crise foram indícios, logo confirmados, de uso — aparentemente inédito e certamente irregular — de agentes da Agência Brasileira de Inteligência, repartição direitamente subordinada ao Palácio do Planalto, na gravação de telefonemas do grupo visado pela Satiagraha.
Para muita gente no Planalto, essa irregularidade era sinal assustador de que grupos na Polícia Federal faziam o que bem entendiam para conseguir resultados — quase sempre divulgados com uma dose pouco profissional e bastante perigosa de exibicionismo.
Posta em xeque, a PF começou a fazer água, revelando uma crise interna que fervia há algum tempo. E que na verdade era muito mais disputa de poder do que, como muita gente pensava, simples divergências sobre métodos de investigação.
Hoje, a PF não tem a confiança do governo e parece ter perdido a boa imagem na opinião pública. O delegado que montou a Satiagraha, Protógenes Queiroz, responde a inquérito por supostas falhas na operação — uma investigação aprovada por parte de seus colegas e condenada por outros.
Numa briga independente de tudo isso, agentes federais estão em pé de guerra contra um projeto do governo, já tramitando no Congresso, que transfere do juiz para o promotor público a supervisão e o controle das investigações policiais. Um manifesto assinado por mais de cem delegados afirma não ser correto que "investigações policiais sejam dirigidas pela parte que acusa, em prejuízo da defesa". Podem ter razão, mas nada impede que essa tomada de posição venha ser munição para os críticos da PF em Brasília.
O que parece evidente em tudo isso é que a Polícia Federal vive dias de cão, em parte devido a divergências e opções respeitáveis — e em parte devido a uma crepitante fogueira de vaidades que pode transformar em cinzas uma merecida reputação de eficiência.
Quem está de fora tem motivos óbvios para deduzir que nenhum grupo deve ser dono exclusivo da razão. E também para temer que a conseqüência mais notável da crise seja muito tempo de vida mansa para os daniéis dantas da praça.
Texto publicado no Globo de hoje.
17.11.2008
| 20h36m
JUSTIÇA
Destaques do Judiciário
Principais notícias do Poder Judiciário desta segunda-feira, informações da Rádio Justiça.
17.11.2008
| 19h19m
JORNAL NACIONAL
Principais notícias desta segunda-feira
17.11.2008
| 15h50m
COLUNA
Pensão na gravidez
Por Maria Helena Zeredo
Desde o dia 06 de novembro está em vigor a Lei 11.804/2008, que estabelece a possibilidade de fixação de pensão alimentícia à gestante.
Antes desta data, a Lei de Alimentos, o Código Civil e a Lei de Investigação de Paternidade disciplinavam a obrigação alimentar, mas não davam regulação específica para este período anterior ao nascimento com vida.
A novidade da Lei de Alimentos Gravídicos, como tem sido chamada, é abranger as despesas extras advindas da gravidez, desde a concepção até o parto, inclusive as referentes à alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes.
É claro, no entanto, que esta lei não derroga a exigência do equilíbrio entre as necessidades do alimentando e as possibilidades do alimentante, e por outro lado reafirma que o custeio deve ser repartido por ambos os genitores, proporcionalmente aos seus recursos.
A grande novidade, portanto, é que o período da gravidez, que antes não contava com previsão específica de alimentos, ganha este importante apoio, útil principalmente para aquelas situações de gravidez surgidas quando não existe casamento entre os genitores.
A demonstração dos indícios de paternidade, contudo, que deve acompanhar o pedido inicial e é exigida pela lei para a fixação dos alimentos gravídicos, não ficou clara no texto sancionado.
Os vetos presidenciais, embora tenham se guiado pelo louvável propósito de tornar mais célere (e, portanto, efetiva) a fixação dos alimentos, e evitar procedimentos potencialmente lesivos à gravidez, deixaram mais obscuros os caminhos para tal demonstração.
De fato, foram retiradas a audiência inicial, que se destinaria a uma instrução sumária (mas poderia atrasar em muito a fixação dos alimentos), e a possibilidade de perícia caso a paternidade fosse contestada pelo suposto pai (como o exame de DNA amniótico, que representa risco ao feto), sem indicar o que supriria estes indícios.
Isto, somado ao corte da previsão expressa que o projeto trazia de indenização por danos materiais e morais em caso de resultado negativo do exame pericial, dá ainda maior gravidade à análise liminar que o juiz fará para fixar os alimentos.
O Código Civil sinaliza uma direção, quando admite a prova da paternidade de modo amplo, por qualquer meio que o direito não vede, se houver começo de prova por escrito dos pais, conjunta ou separadamente (como cartas ou diários, onde haja indicação sobre o filho), ou veementes presunções resultantes de fatos já certos (como a longa convivência entre o casal e a notícia de que ocorreu uma gravidez).
Esperamos que à medida que as decisões surjam, ponderando com cautela essa amplitude na admissão da prova, que é imperativa diante da diversidade hoje existente nas relações, sejam dadas as balizas que evitarão abusos sem desprestigiar essa importante proteção reconhecida na nova lei.
Maria Helena Zeredo é advogada e colaboradora da Rádio do Moreno.
17.11.2008
| 11h54m
CONGRESSO
Lula discutirá sucessão no Congresso com o PMDB
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá esta semana a sucessão na Câmara e no Senado com PMDB. O deputado Michel Temer reforça: “o Senado tem dinâmica própria”. O presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves, salienta: “o consenso na Casa não é fácil”. O Senador Tião Viana (PT) perde força na disputa e José Sarney condiciona sua candidatura a apoio unânime.
Ouça a informação abaixo.
17.11.2008
| 10h32m
CÂMARA
Agenda da semana
Ouça abaixo os assuntos que estão na pauta desta semana.
17.11.2008
| 9h39m
CAFÉ COM O PRESIDENTE
Encontro de líderes do G20 muda lógica das decisões mundiais, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o encontro de líderes do G-20 financeiro – que reuniu chefes de Estado e de governo de 19 grandes economias desenvolvidas e emergentes no último sábado, em Washington – muda a lógica das decisões políticas no mundo. Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele destacou que não mais o G-8 mas o G-20 ganha papel de destaque nas negociações internacionais.
Lula lembrou que esta foi a primeira vez que 20 lideranças de países que representam mais de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se reuniram para discutir uma crise econômica que teve início no setor financeiro nos Estados Unidos, que se espalhou pela Europa e que já começou a ser sentida em diversos outros países por causa do crédito.
Para o presidente, a reunião do G-20 representa um passo “extremamente decisivo” para aumentar a representatividade dos fóruns internacionais, afirmou. Lula reforçou ainda o compromisso firmado durante o encontro de, até o final deste ano, retomar as negociações da Rodada Doha. Para ele, um acordo sobre o tema é um sinal importante para que o mundo saiba que os dirigentes políticos estão agindo com responsabilidade, preocupados e tomando decisões.
Ouça a íntegra do programa abaixo.
17.11.2008
| 9h30m
Vida simples
Gargalhada de papagaio na cara da crise
Joaquim Ferreira dos Santos
Dos males que vêm para o bem, que venha logo a tal crise que as manchetes do jornal anunciam e, com ela, carretel de linha, canja de galinha, a vida simples de que falava a música do Tom e os novos tempos estão pedindo replay. Reinvente-se. Seja sufista, surfista, uma coisa dessas que levitam sobre as nuvens, as marés, e carregam a cabeça para longe do fracasso urbano. Eis o novo roteiro. Dinheiro em penca a partir de agora será apenas aquela plantinha herbácea, pequena e rasteira, que sobe pelos muros, esverdeia as ruas do Jardim Botânico. Isso é bom. Que a crise venha logo e traga o que as grifes, os jatinhos e a ganância do "quero-mais-disso", "preciso-muito-daquilo", haviam escondido. O novo mundo é o velho. Havia numa cozinha, milhas distante das trufas brancas do Gero, um prato de arroz-feijão-carne-moída-purê-de-batata-ovo-frito-por-cima, e isso era ótimo. O canto de curió, a rede de cipó, e não se fala mais em techno, ok? Abaixar o som, economizar energia, e ouvir o que o profeta Gentileza já tinha gritado no Largo da Carioca, mas todos achavam coisa de maluco. Não pensar grande, não duelar tamanhos, não vibrar potências. Baixar a bola. O mínimo divisor comum de que falava a escola. Cortar lenha, queimar uma carne e ouvir se o vento anuncia chuva ou se chegou a resposta de que falava o profeta Bob Dylan. Descomplicar o texto. Fazer períodos mais curtos, com menos informação. Seguir a filosofia do flanelinha, do vaga-certa, do embrapark, de quem estiver tomando conta hoje dos estacionamentos do Rio — e deixar o coração solto. Mamar na vaca. Os punks estavam certos quando grafitavam o "no future" — e ele chegou. Hora de se reescrever a custo zero, de largar tudo, de chutar o balde, de vender casco de garrafa vazia para rangar o almoço. De tentar o sonho que todo mundo teve um dia e ele agora virou obrigatório. Fumar menos, beber menos, viajar menos, ser menos besta — tudo menos deixar de mergulhar num outro estilo de vida. O atual, vestindo Valentino, já era. Sem chororô, nem vem-cá-minha-nega. Ouvir os poetas reencarnados nos vaga-lumes. A juventude passou, o dinheiro também, mas você não passa, Zé Mané. Você vai circular menos burocracia de compra-e-venda, com isso diminui a possibilidade de chegar na boca do guichê, prestar continência ao burocrata e ouvir dele que sua papelada caiu em exigência. Uma nova vida inteira sem segunda via autenticada, e isso é bom. Pense pequeno, na maravilha dessa água fresca. Se nada mais de bem material haverá, muito menos certidão de bons antecedentes e assinatura reconhecida em cartório. Nada cairá em exigência, a não ser a necessidade de dar asas à imaginação e linha na pipa. O mundo voltará ao que era. Havia um menino gritando "Tá com medo, tabaréu, minha pipa é de papel". Havia um outro que jogava umas bolas no chão e gritava "marraio, feridô sou rei". Esses mantras bons abriam alguma porta da felicidade, que urge retomar para escapar ao inferno. Hora de correr para o abraço e deixar o riso frouxo sobre as próprias penúrias, pois entrou em cena a nova geração de hippies dois-ponto-zero. Chega de demandas comerciais, de comandas de restaurantes. Que venham as sarabandas das danças que mexem com o corpo, aliviam a alma, e são boas. Desligar o powerpoint da reunião dos executivos e mandar o recado no gogó. Saliva e perdigoto. Gasto zero, talvez uma pastilha Valda para refrescar o hálito na hora de anunciar no auditório da empresa a conclusão do relatório anual — senhores, ano que vem será pior. Vai ganhar quem rir primeiro, e é o que ora se propõe. O riso sobre si próprio. O resto perdeu o patrocínio, terá o contrato descontinuado. Pise no freio, venda logo esse carro. Arreganhe a havaiana. Dê nela um banho de sola que desminta a propaganda, e as tiras, de tão cansadas com a surra, no final se soltem todas. Pisar nos astros, distraído. Ir para Maracangalha de uniforme branco. Ler o último número da revista "Vida Simples" e invejar a história do homem que enchia os bolsos de sementes. Quando a mulher perguntava se era de comer, respondia que um dia talvez servissem. Hoje ele planta florestas por tudo que é canto e manda um beijo, sabor clorofila, para quem tripudiou. Ninguém esquentará a mufa. A água gelada será supérfluo do século passado. Chegou a vez da moringa que a vovó deixou, que ninguém via utilidade e agora parece ser o novo design — e isto também é bom. Sobreviverá o que for útil. Para que tanto celular, tanta notícia, tanta pancadaria em boate, tanta conversa jogada fora no ouvido de uma, duas, três, quantas mulheres couberem numa cama king size? Para que tanta mulher? Todos à rede de palha para balançar o fantasma do poeta Drummond e ouvi-lo repetir a pergunta que fez ali pelos anos 20, ali pelo décimo verso do primeiro poema, mas só hoje se entendeu: brancas, pretas, amarelas, azuis, para que tanta perna, meu Deus? Depois, quando a sombra da amendoeira bater na janela, pois não haverá mais Rolex para medir o tempo, você vai se inscrever num curso gratuito de cafuné. Vai aprender a dormir de conchinha e — bando de rolinha, sopa de letrinha — perceber que não é preciso mais CD algum se você já tem os do Tom Jobim. Anote tudo no imenso laptop do areal de Ipanema. É preciso respirar fundo, criar um outro mundo, com menos empáfia, que rime com o das histórias felizes que as avós contavam. Havia uma praça, com uma árvore para subir, uma bola de meia, uma babá que conhecia um pirata especializado em assustar as crianças de um navio perdido em alto-mar — e isso era suficientemente bom para o sono chegar pleno na hora que devia. É hora de viver com o básico. Para que mais de um livro se o que você tem é o das 200 crônicas do Rubem Braga? Um mundo acabou e é hora de ver renascer no fundo do peito, chegando de mansinho com a bisnaga embaixo do braço, aquela vontade de realizar o sonho de juventude, quando Paris ficava longe, e tudo que se queria era passar uma estação de águas em Poços de Caldas — e isso era bom. Tudo que se queria era uma promoção ao cargo de gerente-supervisor do posto do Iapetec na Penha Circular — e era ótimo. Chegou a hora de cair a máscara marrenta cheia de cifrões, trocar pela do Obama, e brincar o carnaval, que é de graça. Depois, satisfeito com o pensamento, barrar a manteiga no pão, bater no ombro do compadre, "Isso sim é que é vida, meu amigo", e ouvir da gaiola o papagaio responder "olha a mulata, olha a mulata" — e cair na gargalhada, que isso é bom demais.
Texto publicado no Globo de hoje.
14.11.2008
| 20h03m
MÚSICA 24 HORAS
Moreno FM
Querido ouvinte, a Rádio do Moreno volta na segunda-feira ou a qualquer momento, com entrevistas, músicas e boletins exclusivos.
Até lá, ouça aqui a Moreno FM, com uma seleção musical de primeiríssima.
Bom final de semana a todos!
14.11.2008
| 18h49m
JORNAL NACIONAL
Principais notícias desta sexta-feira
14.11.2008
| 11h45m
Saúde
Manifestação em Brasília chamará a atenção para a questão do diabetes
No Dia Mundial de Prevenção do Diabetes, a Associação dos Diabéticos de Brasília (ADB) promoverá ato danto um abraço simbólico em dois monumentos da capital federal: Memorial JK e Congresso Nacional. A manifestação pretende chamar a atenção do governo para o problema do diabetes em crianças e adolescentes.
Muita sede, aumento da quantidade de urina, desmaios e crises de hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue), são sinais que podem significar o surgimento da doença. O diabetes pode causar danos irreversíveis aos rins e à visão, além de problemas cardiovasculares.
Especialista adverte para problemas que podem levar à doença.
Ouça a informação abaixo.
14.11.2008
| 10h58m
FIDELIDADE
Ministro do STF cobra cumprimento de decisão do TSE
o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobra da Câmara dos Deputados o cumprimento de decisão sobre fidelidade partidária. “Podemos atribuir as palavras do presidente Arlindo Chinaglia (críticas ao Judiciário) a um arroubo de retórica. Atrasamos processos porque não podemos vencer o grande número. Que se ataque a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, enquanto ela não for derrubada, deve ser cumprida”, diz.
Ouça as informações abaixo.
14.11.2008
| 10h42m
FIDELIDADE
Ayres Brito não preside um poder, diz Chinaglia
o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), critica o ministro Ayres Britto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exigir cumprimento de decisão sobre fidelidade partidária. “Quero pedir que se contenha, não me faça cobrança pública...”, declarou. Já o deputado Paulo Bornhausen anunciou obstrução do DEM até que o mandato do deputado Walter Brito seja devolvido ao partido.
Ouça as informações abaixo.
14.11.2008
| 9h46m
ETANOL
Lula quer vender etanol para a Europa e parcerias com a África
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer vender etanol para Europa e fazer parcerias para produzir na África.
"O meu conselho é pedir para eles não produzirem de canola, ou de beterraba, que fica muito caro. Então, podemos oferecer para eles um álcool de boa qualidade, gerador de empregos, bem mais barato e ainda estou propondo para eles parceria no Brasil”, disse Lula.
Ouça a informação abaixo.
14.11.2008
| 9h23m
OPINIÃO
Quem come quem
NELSON MOTTA
Em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão ou japonês não existe uma expressão equivalente a "comer", significando relação sexual. Só em português, mais especificamente em brasileiro.
Aqui, o macho predador não faz amor ou apenas sexo: devora a sua presa. Mas depois do feminismo as brasileiras modernas também adotaram a expressão para suas conquistas. Surpresos e intimidados, os homens ouviram a temida e desejada ameaça: vou te comer!
Certamente essa expressão tão brasileira está em sintonia com o conceito de "antropofagia cultural", lançado por Oswald de Andrade em 1928 e retomado no transe de 1968. Na época, acreditamos fervorosamente que o nosso destino e vocação — desde 1556, quando o bispo Sardinha foi comido pelos caetés — era devorar a cultura colonizadora, digeri-la e transformá-la em brasileira e revolucionária.
Em 2008, no mundo globalizado e interligado, com as culturas nacionais interagindo e se misturando, com a fusão de linguagens e gêneros, com os samplers, a computação gráfica e todas as maravilhas da era da informação e das comunicações, não há nada mais anacrônico do que a idéia de antropofagia cultural. Porque hoje qualquer cultura nacional come e é comida, querendo ou não: a "antropofagia" é inevitável e óbvia.
Quanto tempo perdido teorizando sobre Villa-Lobos ou Tom Jobim "comendo" Bach, Debussy ou Cole Porter para produzir uma música brasileira internacional. Ou Niemeyer degustando Le Corbusier para inventar a arquitetura moderna. Ou Nelson Rodrigues mamando em Dostoiévski para criar uma dramaturgia tijucana e universal. A pobre cultura nacional, provinciana e colonizada, ou "antropofágica e antiimperialista", não tem nada com isso: os méritos são exclusivamente do talento individual desses raros criadores nativos.
Poucos acreditaram tanto nessa bobagem de "antropofagia" como eu. Levamos a sério a piada do velho Oswald, por ela aceitamos muita empulhação. Quantas vezes diverti amigos estrangeiros, embora falasse a sério, exaltando essa esdrúxula teoria como um diferencial da arte brasileira. Como se pode ser tão bobo tanto tempo?
Texto publicado no Globo de hoje.
13.11.2008
| 19h18m
JORNAL NACIONAL
Principais notícias desta quinta-feira
13.11.2008
| 17h01m
FIDELIDADE
A troca de partido deve ser feita um ano antes da eleição
O ministro Tarso Genro critica a intenção do Congresso de procurar brechas na lei para a troca de partidos. Ele afirma que a fidelidade partidária deve ser o ponto menos importante da proposta de reforma política, que será enviada até o fim do ano ao Congresso. A proposta prevê a troca partidária por 30 dias, um ano antes das eleições.
Ouça a informação abaixo.
13.11.2008
| 14h36m
DEDICO ESTA CANÇÃO
A tarde é sempre de músicas
Histórico
2008:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2007:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2006:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2005:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez
2004:
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez

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