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|   Rio, 19 de novembro de 2008
Desabafe

Neste espaço, jogue fora tudo que o incomoda. Sem pesar a mão, por favor.

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Enviado por Lucia Hippolito -
19.11.2008
| 9h43m
na cbn

Por dentro da política

 Jornal da CBN, 1ª edição,

"A reforma do dia"

Na seção “Lucia Hippolito na CBN”, aí do lado direito, você pode ouvir outros comentários.


Enviado por Lucia Hippolito -
19.11.2008
| 8h00m
aumento do funcionalismo

Nitroglicerina pura

 

As Medidas Provisórias 440 e 441, que reajustam salários do funcionalismo, estão sendo discutidas no Senado.

Aprovadas na Câmara em outro contexto, as MPs terão seus textos revistos e enxugas, porque representam um comprometimento de cerca de 50 bilhões de reais até 2011.

Com os tempos de incerteza que vêm aí, senadores consideram uma temeridade assumir essas despesas, que podem comprometer os dois anos finais do governo Lula e transbordar para o futuro presidente, seja ele do governo ou da oposição.

Senador Aloísio Mercadante chegou a pedir à senadora Ideli Salvatti, líder do bloco governista, que tente encontrar uma saída junto com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Talvez buscando um entendimento e chamando os funcionários para discutir o alcance das Medidas Provisórias.

A proposta significa a incorporação, ao salário-base dos servidores, de todas as gratificações, adicionais e outros “penduricalhos”. Tudo isto incidindo sobre o cálculo das aposentadorias.

O funcionalismo está há tempos sem aumento. Reajustes setoriais vêm sendo concedidos, mas não alcançaram o universo dos servidores públicos federais.

A oposição, por seu lado, não quer assumir sozinha o ônus de barrar um aumento salarial para 450 mil servidores públicos federais.

Como o PT sempre teve nos funcionários públicos uma importante base de apoio, senadores oposicionistas consideram que a iniciativa das conversas tem que partir do governo.

O problema está posto. Os funcionários têm razão ao pedir aumento? Provavelmente, sim.

Mas os tempos mudaram. O Brasil deve enfrentar retração no crescimento nos próximos anos.

Portanto, todas as contas e expectativas de ganhos – e de despesas – deverão ser revistas.

É encrenca na certa.


Enviado por Lucia Hippolito -
18.11.2008
| 7h59m
Eleições na Câmara

Contrato futuro de traição

 

Pouco a pouco, a eleição para as Mesas da Câmara e do Senado vai assumindo preeminência na atividade parlamentar.

Estas eleições são diferentes das outras por duas razões principais. Primeiro, porque existe a possibilidade concreta de reeleição.

O mandato de presidente da Câmara e do Senado é de dois anos, proibida a reeleição. A não ser quando a eleição se dá na segunda metade da legislatura, como é o caso agora.

Nesse caso, entende-se que, terminado o mandato de dois anos, termina também a legislatura. Por isso, é possível os presidentes da Câmara e do Senado se candidatarem a mais um mandato.

E, vamos combinar, ninguém resiste à possibilidade de passar mais dois anos no poder, não é mesmo?

A segunda razão para a importância dessas eleições é a aproximação da sucessão presidencial.

É importante para o presidente da República contar com uma retaguarda amiga no Poder Legislativo. A possibilidade de um incêndio ali contaminar a sucessão presidencial é enorme.

Nunca é demais lembrar. Em 2000, a presidência da Câmara deveria ser de Inocêncio de Oliveira (PFL). Mas os tucanos atropelaram, e Aécio Neves foi eleito presidente.

Resultado: o PFL rompeu a aliança com o PSDB, que tinha garantido, desde a primeira eleição de Fernando Henrique, uma grande tranqüilidade para o presidente no Congresso.

Fernando Henrique deixou correr solta a eleição no Congresso, e PFL e PSDB acabaram separados. Separados foram para a eleição de 2002.

Por isso, Lula está acompanhando muito de perto a eleição na Câmara e no Senado.

Na Câmara, o projeto de fidelidade partidária concebido para flexibilizar a rigidez da resolução do TSE de que o mandato pertence ao partido e não ao político tem poucas chances de ser votado, pelo menos este ano.

Isto porque o projeto cria uma espécie de “contrato futuro de traição”, permitindo que um ano e um mês antes das eleições seja possível o troca-troca partidário.

O Democratas já se declarou contrário ao projeto, porque tem sido extremamente rígido com parlamentares que saíram do partido. Quer porque quer os mandatos de volta.

Como o DEM tem 57 deputados, nenhum dos candidatos à presidência da Câmara quer se comprometer com o projeto.

Michel Temer (PMDB) e Ciro Nogueira (PP) mobilizam suas bancada para pressionar os líderes.

A idéia é que o projeto só seja votado se houver garantias de que não vai interferir na eleição.

Ninguém quer correr o risco de perder votos.


Enviado por Lucia Hippolito -
17.11.2008
| 14h00m
que dia é hoje

Uma obra gigantesca

1869 -- Inauguração oficial do Canal de Suez.

Sua construção iniciou-se em abril de 1859, sob a orientação da Companhia Suez, do engenheiro francês Ferdinand de Lesseps.

O canal liga o mar Mediterrâneo ao golfo de Suez e ao mar Vermelho, permitindo uma via navegável até o oceano Índico. Também separa África e Ásia.

Tem 195km de extensão, 170m de largura e 20m de profundidade.

Depois de inaugurado, o Canal de Suez sofreu várias obras para permitir o tráfego de maior número de navios e de maior tonelagem, pois sua profundidade original era de apenas 8m.

A Companhia do Canal de Suez obteve a concessão de exploração do canal por 99 anos. Entretanto, com a venda das ações egípcias ao governo britânico, a Inglaterra tornou-se a maior acionista da empresa e em 1882 instalou tropas nas margens do canal, para protegê-lo.

A Convenção de Constantinopla (1888) consagrou a neutralidade do canal que, mesmo em tempos de guerra, deveria servir a qualquer nação.

Em 26 de julho de 1956, o presidente egípcio Abdel Nasser decretou a nacionalização do canal, provocando a intervenção militar da Inglaterra, França e Israel, que ocuparam a área. União Soviética e Estados Unidos se opuseram à intervenção, e o canal ficou sob controle do Egito, sendo reaberto em abril de 1957.

Bloqueado em virtude da Guerra dos Seis Dias de 1967, o canal foi reaberto em 1975.

Atualmente, cerca de 15 mil navios atravessam anualmente o canal, representando 14% do transporte mundial de mercadorias.


Enviado por Lucia Hippolito -
17.11.2008
| 9h15m

Universo paralelo

As declarações do presidente Lula, ao final da reunião do G20, mostram claramente sua preocupação com a crise, seus possíveis efeitos no Brasil e, sobretudo, sua duração.

Até o tom de voz de Lula estava sombrio. O presidente, que é normalmente um otimista -- aliás, é importante que um presidente da República tente injetar otimismo na população --, revelava genuína preocupação.

Enquanto isso, naquela grande Disneylândia em que se transformou o Congresso Nacional, suas excelências, os parlamentares, continuam vivendo num universo paralelo, que mantém relações distantes com o mundo real. O mundo habitado por gente como vocês e como eu. Enfim, o mundo do cidadão brasileiro, pagador de impostos.

A base aliada (leia-se PMDB, principalmente) revoltou-se, porque apenas 30% das emendas individuais foram liberados até agora, chegando a cerca de R$ 5 bilhões de reais. Isso mesmo: já foram liberados quase cinco bilhões de reais! Mas a turma ainda está achando pouco.

Quanto às emendas de bancadas, aquelas que tentam contemplar os grandes projetos nos estados, o total liberado até agora é... zero!

Em geral, o governo libera emendas a conta-gotas, quando precisa do voto dos parlamentares. Como não parece haver projetos do interesse do governo a serem votados, a não ser as MPs da crise financeira, o governo federal não está muito apressado na liberação de emendas.

Entretanto, vem aí a eleição para as Mesas da Câmara e do Senado, importantes porque os presidentes serão aquelas autoridades que presidirão as eleições de 2010. O presidente Lula precisa de tranqüilidade na retaguarda parlamentar para operar sua sucessão sem grandes sobressaltos.

Por isso, o governo precisa prestar atenção às reivindicações de suas excelências. Amanhã o PMDB no Congresso tem um jantar com o presidente Lula. A pressão pode chegar a níveis insuportáveis.

É bom o governo se preparar, porque vai ter que abrir a bolsa.

Crise? Que crise? Este parece ser o bordão preferido dos nobres parlamentares.


Enviado por Lucia Hippolito -
15.11.2008
| 10h06m
Por dentro do blog

Militância pelo Rio

 

No próximo dia 24 de novembro, enfrento um novo desafio profissional -- e existencial.

Convidada pela direção do Sistema Globo de Rádio, vou ser a âncora do CBN Rio, programa que vai ao ar diariamente, de segunda a sexta-feira, das 9,30h às 12h, pela Rádio CBN do Rio de Janeiro.

Sou uma carioca nascida no interior de São Paulo, de família quase toda mineira. No Rio há 47 anos, aqui fiz meus estudos, desde o ginásio à pós-graduação, aqui sempre morei, trabalhei, casei. É onde moram meus pais, minhãs irmãs, meus "filhos" e meus netos.

Toda a minha vida profissional está ligada ao Rio de Janeiro. Toda a minha vida, na realidade, está intimiamente ligada ao Rio de Janeiro.

Tenho um amor infinito por esta cidade, por este estado.

Radialista me tornei em 2002, antes mesmo de me formar em jornalismo. O rádio já me deu vários prêmios, que servem como poderoso estímulo para ser a cada dia mais dedicada, mais atenta.

Por isso mesmo, quando convidada a assumir o CBN Rio, não pensei duas vezes: atirei-me de cabeça. Além do novo desafio profissional, há também a militância: o Rio é uma causa pela qual vale a pena lutar. Sempre.

É também uma forma de agradecer a esta cidade que me deu tanto. O Rio me deu "régua e compasso", como diria mestre Gil.

Olhar crítico, mas carinhoso, cobrança diária das autoridades. Atenção aos problemas do Rio e das cidades da Região Metropolitana, olhar para o futuro, parceria com a inteligência carioca e fluminense.

E cultura, muita cultura, nesta que é, e sempre será, o coração do Brasil.

(Com todo o respeito a todas as outras cidades. Sei que vocês me entendem e me perdoarão um certo orgulho bairrista.)

Assim, espero vocês todos a partir do dia 24 de novembro. Quem morar no Rio, sintonize a Rádio CBN (FM 92,5). Quem morar fora, tente assistir pela internet (tem câmera no estúdio e tudo).

Escrevam, façam críticas, dêem sugestões. Vocês, que sempre me apoiaram aqui no blog, são em parte responsáveis por eu ter assumido mais este desafio.

Todos torcendo pelo Rio, pessoal. Conto com vocês.


Enviado por Lucia Hippolito -
12.11.2008
| 15h00m
que dia é hoje

A noite da agonia

 

Sede da Assembléia Constituinte no Rio de Janeiro

1823 – Assim ficou conhecida a noite em que d. Pedro I mandou o Exército invadir o plenário da Assembléia Constituinte. Vários deputados foram presos e deportados, entre eles os irmãos Andradas, José Bonifácio (o Patriarca da Independência), Martim Francisco e Antônio Carlos.

Em 3 de junho de 1822, d. Pedro convocara por decreto a primeira Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil, para elaborar uma Constituição que formalizasse a independência política do Brasil em relação a Portugal.

A abertura da Assembléia se deu quase um ano depois, em 3 de maio de 1823. Foram eleitos 90 membros das 14 provícias e designada uma comissão para elaborar o anteprojeto constitucional, composta por seis deputados sob liderança de Antônio Carlos de Andrada.

O anteprojeto limitava os poderes de d. Pedro I, que perderia o controle sobre as Forças Armadas para o Parlamento e teria poder de veto apenas suspensivo sobre a Câmara.

Na ocasião, o jornal A sentinela da liberdade (de Cipriano Barata, revolucionário e irredento), vinculado aos Andradas, publicou uma carta ofensiva a oficiais portugueses do Exército imperial.

A retaliação veio com o espancamento do farmacêutico David Pamplona, tido como provável autor da carta.

Declarando-se em sessão permanente, a Constituinte exigiu que o imperador punisse os autores da violência, mas d. Pedro, com o apoio das tropas imperiais, dissolveu a Assembléia.

A Constituição de 25 de março de 1824, outorgada pelo imperador, foi então redigida por um Conselho de Estado composto por dez cidadãos de sua inteira confiança, pertencentes ao Partido Português.

A Constituição de 1824 vigorou durante todo o período imperial (1824-1889).

 


Enviado por Lucia Hippolito -
11.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Termina, finalmente, a guerra mais sangrenta da História Contemporânea

 


1918 – Assinado o armistício de Compiègne, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.

O conflito iniciou-se em 1914 entre as potências centrais: Áustria-Hungria, Alemanha e Império Otomano, contra os Aliados: França, Grã-Bretanha, Rússia, Bélgica e Sérvia.

Em 1917, a Rússia abandona a guerra depois da Revolução de Outubro, e os Aliados ficam em sérias dificuldades. Mas a entrada dos americanos na guerra vira o jogo.

Em meados de 1918, os Aliados obtêm estrondoso sucesso entre Reims e Soissons e empurram as tropas imperiais para uma guerra defensiva, induzindo o marechal alemão Ludendorff a pedir o final da guerra.

O kaizer Guilherme II, bastante enfraquecido, abdica, e em 9 de novembro é proclamada a República de Weimar.

O armistício obriga os alemães a devolver os territórios ocupados, entregar as armas e os navios de guerra, retirar as tropas situadas a oeste do Reno, libertar os prisioneiros, permitir a ocupação do território alemão por tropas aliadas. Ao armistício seguiu-se o Tratado de Versalhes, celebrado em 1919.

A Primeira Guerra Mundial viu surgir o tanque de guerra e passou a usar o avião como arma de guerra.

Foi das mais sangrentas guerras da História da Humanidade. A tática de “guerra de trincheiras” prolongou demasiadamente o conflito. A utilização do gás de mostarda (depois proibido pela Convenção de Genebra) matou, mutilou e inutilizou milhões de combatentes.

Assim como a Segunda Guerra Mundial é, merecidamente, apanágio de ingleses e americanos, a Primeira Guerra Mundial foi, indiscutivelmente, o "canto do cisne" do poderio militar francês. E os franceses pagaram caro pelo triunfo: milhões de mortos e mutilados.

Até hoje os franceses consideram a Primeira Guerra Mundial “la Grande Guerre”.

Hoje, 11 de novembro de 2008, os 90 anos do Armistício são celebrados por toda a França, em feriado nacional. 

 


Enviado por Lucia Hippolito -
10.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Nasce a mais famosa revista ilustrada brasileira

  

 

1928 – Lançamento de O Cruzeiro, publicação semanal dos Diários Associados.

O primeiro número (foto) já trazia inovações gráficas e editoriais para a imprensa brasileira e atingiu 50 mil exemplares.

Foi a primeira publicação a abranger todo o território nacional, possuía repórteres em todo país, além de correspondentes internacionais. Abordava assuntos variados como cinema, esportes e saúde, charges, política, culinária, moda, crônicas, coluna social.

O Cruzeiro abrigou uma dupla de sucesso, o repórter David Nasser e o fotógrafo francês Jean Manzon. Longas reportagens sobre lugares desconhecidos e considerados exóticos, com fotos deslumbrantes, eram o carro-chefe da revista.

Em outubro de 1943 O Cruzeiro começou a publicar as histórias do "Amigo da Onça".
Além disso, a seção "Pif-Paf" esteve por mais de dez anos na revista, assinada por Millôr Fernandes, como Vão Gôgo.

O surgimento de novas publicações, como Manchete e Fatos & Fotos (da Bloch Editores) contribuiu para o fim da revista em julho de 1975.

O último número trouxe na capa o jogador Pelé, vestido de Tio Sam.


Enviado por Lucia Hippolito -
9.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Morreu hoje um grande soldado e estadista

  


1970 - Charles De Gaulle nasceu em Lille (França), em 22 de novembro de 1890. Em 1912 formou-se na Escola Militar de Saint Cyr.

Na Primeira Guerra foi preso durante a batalha de Verdun (1916). Depois da guerra, serviu em vários postos militares e lecionou na Escola Francesa de Guerra.

Mas foi depois da invasão alemã na França, já na Segunda Guerra Mundial, que De Gaulle começa a construir sua legenda. Fugiu para Londres, recusando-se a aceitar a rendição da França e a autoridade do marechal Pétain como chefe do governo francês em Vichy.

Da Inglaterra, De Gaulle passou a fazer discursos pelo rádio para incentivar os franceses na luta contra os alemães, e organizou as Forças da França Livre. Em agosto de 1944, entrou triunfante em Paris com as tropas aliadas (na foto, a caminhada da vitória nos Champs Elysées). Assumiu a chefia do governo provisório.

Dois anos depois deixou o governo por conflitos com os partidos de esquerda franceses e retirou-se da política. Graças à rebelião de militares franceses na Argélia em 1958, foi chamado a formar novo governo, encarregado de elaborar uma nova Constituição. Elegeu-se presidente e iniciou a V República.

Reeleito em 1965, teve que enfrentar os protestos de maio de 1968 e foi obrigado a dissolver a Assembléia Nacional.

Em abril de 1969, um plebiscito derrota suas propostas de mudanças constitucionais. De Gaulle renuncia à presidência e morreu um ano depois, vítima de enfarte.


Enviado por Lucia Hippolito -
8.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Inicia-se a escalada do nazismo

1923 – “Putsch da Cervejaria”, em Munique (Alemanha)

Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, Adolf Hitler, cabo do Exército alemão, voltou a Munique e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores Alemães, fundado em 1919 com o objetivo de atrair trabalhadores para a causa nacionalista.

O Exército encorajava as atividades desses grupos, a fim de combater o perigo do socialismo.

Em 1920, o partido trocou de nome para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, e no ano seguinte, Hitler se tornou seu chefe absoluto.

Os nazistas – como passaram a ser conhecidos – pediam a união dos alemães e o cancelamento do Tratado de Versalhes, que impôs à Alemanha o pagamento de altas indenizações pelos danos causados pela guerra.

Hitler organizou um grupo paramilitar e ganhou o apoio de nacionalistas como o marechal Ludendorff, herói de guerra.

O governo da Baviera estava em conflito com o governo em Berlim, acusado de firmeza em relação à ocupação francesa no vale do Ruhr. Hitler considerou esse momento ideal para dar um golpe e assumir o governo.

Na noite de 8 de novembro de 1923, junto com o general Ludendorff, interrompeu uma concentração nacionalista na cervejaria de Bürgerbräu e proclamou a revolução nazista.

No dia seguinte, tentou tomar o governo da Baviera, junto com dois mil soldados. Um grupo de nazistas revoltosos recusou-se a cumprir ordens da polícia para dispersar, resultando na morte de 16 deles e de três policiais do governo.

Hitler e Ludendorff foram presos. O primeiro foi condenado por traição a uma pena de cinco anos, mas só ficou preso por nove meses. O general foi absolvido de todas as acusações.

Durante a prisão, Adolf Hitler ditou seu livro Mein Kampf para seu secretário particular, Rudolf Hess, que se tornaria o vice-líder do Partido Nazista. O livro tornou-se a bíblia do Nacional Socialismo.


Enviado por Lucia Hippolito -
7.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Nasceu hoje um gênio da música brasileira



1903 -- Ary Barroso, compositor genial, nasceu em Ubá (MG). Aprendeu piano com uma tia e com 12 anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal.

Em 1992 entrou para a Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro em 1922, terminado o curso só em 1930, na mesma turma do cantor Mário Reis.

Durante esse tempo tocava piano no Cinema Íris e no Cinema Odeon. Em seguida, tocou em várias orquestras.

Suas primeiras composições foram gravadas em 1928 por Mário Reis, Vou à Penha, e por Artur Castro, Tu queres muito. Dois anos depois, ganhou o concurso carnavalesco com a marcha Dá nela, primeiro dos muitos sucessos que compôs.

Outros importantes sucessos foram: Maria (1930); No rancho fundo (1931), parceria com Lamartine Babo; Na batucada da vida (1934), com letra de Luís Peixoto, No tabuleiro da baiana (1936); Na baixa do sapateiro (1938), Camisa amarela (1938), Aquarela do Brasil, gravada em 1938 por Francisco Alves, com arranjos e acompanhamento de Radamés Gnatalli e sua orquestra, sendo a primeira composição responsável pelo surgimento do gênero samba-exaltação, e recentemente eleita a maior canção brasileira do século XX (ouça/veja aqui, em magistral interpretação de João Gilberto); Os quindins de Iaiá (1941); Risque (1952); Em noite de luar (1962), em parceria com Vinícius de Moraes.

Em 1935 começou seu trabalho como jornalista, escrevendo a seção diária “Falando a todo mundo”, no jornal carioca Correio da Noite.

Naquele ano, estreou como locutor esportivo na transmissão de corridas de automóvel no circuito da Gávea. Passou a transmitir jogos de futebol de uma maneira totalmente nova e passional, ficou famoso por tocar uma gaita de boca toda vez que era marcado um gol e também por sua parcialidade em favor do Flamengo.

Como radialista, criou a Hora do Calouro, onde despontaram alguns dos maiores nomes da MPB, como por exemplo, Dolores Duran, Lúcio Alves e Ângela Maria.

Ary Barroso comandou programas de calouros em diferentes rádios do Rio de Janeiro. Mas foi na Rádio Tupi que o programa ficou mais conhecido e se tornou sucesso popular. Ary fazia soar um gongo como sinal de que o candidato estava eliminado.

Viajou aos Estados Unidos em 1944 e compôs para o filme Brasil, de Robert North, a música Rio de Janeiro, que foi indicada ao Oscar. Na ocasião, foi convidado por Walt Disney para assumir a direção musical da Walt Disney Productions, mas recusou o convite.

De volta ao Basil, entrou para a política e foi eleito vereador em 1946, pela União Democrática Nacional (UDN). Durante seu mandato lutou pela construção do Estádio do Maracanã.

Morreu no Rio de Janeiro em 9 de fevereiro de 1964. Em 1993, o jornalista Sérgio Cabral lançou o livro No tempo de Ary Barroso.

Dois anos depois foi lançado pela Editora Lumiar o song book Ary Barroso, com três CDs resumindo sua monumental obra.


Enviado por Lucia Hippolito -
6.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Bolcheviques no poder

1917 -- Inicia-se a segunda etapa da Revolução Russa.

Na Rússia, os camponeses viviam em extrema miséria, em regime de servidão, pagando altos impostos para manter a base do regime absolutista do czar Nicolau II; nas cidades, trabalhadores disputavam os poucos empregos da fraca indústria russa.

No final do século XIX, revolucionários fundaram o Partido Operário Social-Democrata Russo, que rapidamente dividiu-se em duas tendências: Bolcheviques, liderados por Lênin (na foto) e defensores da formação de um partido combativo, centralizado e disciplina¬do; e Mencheviques, chefiados por Martov, que pretendiam um par¬tido aberto a qualquer simpatizante e de atuação moderada.

A entrada da Rússia na Primeira Guerra Mundial aumentou ainda mais a insatisfação popular com o czar, devido à escassez de alimentos e ao grande número de soldados mortos. Greves de trabalhadores urbanos e rurais espalham-se pelo território, além de motins dentro do próprio exército russo. As manifestações populares pediam democracia, mais empregos, melhores salários e o fim da monarquia czarista.

Em fevereiro de 1917, o povo derrubou Nicolau II, e Kerenski (menchevique) assumiu a liderança de um governo provisório, mas pouca coisa mudou.

Os bolcheviques, liderados por Lênin e Trotsky, organizaram uma nova revolução e tomaram o poder em outubro (6 de novembro, pelo calendário gregoriano). Prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho, Lênin assumiu o governo da Rússia e implantou o socialismo.

Lênin também retirou o país da guerra, assinando uma paz em separado.

A oposição ao novo regime gerou sublevações, em geral lideradas por antigos oficiais czaristas, que formaram o exército dos russos brancos. O governo reagiu com a organização do Exército Vermelho, levada a efeito por Trotsky.

No início de 1921, encerra-se a guerra civil, com a vitória do Exército Vermelho. O Partido Bolchevique, que havia alterado sua denominação para Partido Comunista, consolida a sua dominação sobre o governo.

No ano seguinte foi implantada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), cujo órgão máximo era o Soviete Supremo (Legislativo). A URSS durou até 1991.


Enviado por Lucia Hippolito -
5.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Nasceu hoje um brasileiro excepcional

 

1849 - Rui Barbosa, escritor e diplomata brasileiro, o "Águia de Haia", nasceu em Salvador (BA). Aos 16 anos ingressou na Faculdade de Direito de Recife, transferindo-se dois anos depois para a Faculdade de Direito de São Paulo.

Em 1869 participou da criação do jornal Radical Paulistano, onde publicou seu primeiro artigo abolicionista, "A emancipação progride".

De volta à Bahia, iniciou carreira de advogado em 1872 e passou a colaborar no Diário da Bahia, assumindo mais tarde o cargo de editor-chefe.

Em 1878 foi eleito deputado provincial (estadual), e no mesmo ano, deputado geral para a Câmara do Império como representante baiano, sendo reeleito em 1881.

Rui é o autor do projeto de reforma eleitoral conhecido como Lei Saraiva, que, entre outras medidas, instituiu as eleições diretas no Brasil.

Em 1889, com a proclamação da República, foi nomeado vice-chefe do Governo Provisório e ministro da Fazenda. Durante sua gestão realizou a reforma econômica conhecida como "Encilhamento", cujos pontos principais eram: emissão de moeda, concessão de créditos públicos a empresas privadas, estímulo à formação de sociedades anônimas visando atrair capitais para a indústria e o comércio.

A liberalidade do crédito incentivou a criação de empresas fantasmas, e o país viveu a primeira febre de especulação financeira, gerando inflação alta e falências generalizadas, muitas delas fraudulentas.

Rui demitiu-se do cargo.

Eleito senador pela Bahia em 1890, foi constituinte de 1891. Tornou-se sócio-próprietário do Jornal do Brasil, iniciou uma campanha aberta contra o presidente Floriano Peixoto, que mandou fechar o jornal.

Rui exilou-se na Inglaterra por dois anos e, durante esse período, enviava artigos para serem publicados no Jornal do Comércio. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1897, assumindo a presidência após a morte de Machado de Assis.

Em 1907 foi nomeado embaixador extraordinário e plenipotenciário do Brasil à Conferência de Paz em Haia, Holanda, defendendo com brilho a teoria brasileira de igualdade entre as nações.

Em 1909, candidatou-se à presidência da República e iniciou a Campanha Civilista – contra a candidatura do marechal Hermes da Fonseca. Pela primeira vez um processo eleitoral ganhou as ruas e chamou a atenção da opinião pública, conquistando amplos segmentos da classe média urbana, que incluía os estudantes.

Apesar de muito popular, Rui fracassou nas urnas. Novamente candidato nas eleições presidencias de 1919 pela oposição, foi derrotado por Epitácio Pessoa.

Em 1921 foi eleito juiz da Corte Permanente de Justiça Internacional de Haia.

Morreu no Rio de Janeiro em 1º de março de 1923.


Enviado por Lucia Hippolito -
5.11.2008
| 9h29m
a eleição de Obama

A História se faz diante dos nossos olhos


Quando vi o reverendo Jesse Jackson chorando feito criança diante das câmeras, ele, velho combatente da causa da integração racial nos Estados Unidos, não agüentei. Chorei também. E muito.

Chorei pela luta de todos, negros e brancos, que contribuíram corajosamente para o fim da segregação, pelos direitos civis, pela liberdade.

Liberdade de ser diferente. Na cor da pele. Nas idéias. Isso é democracia.

Não faço a menor idéia de como vai ser a presidência Obama. Tenho certeza de que a maioria dos que votaram nele também não fazem.

Não é isso que está em jogo. Não era disso que se tratava.

Eleger Obama (com uma votação também histórica) é eleger um projeto de mudança, de restauração do orgulho do povo americano, abatido e humilhado pelos piores oito anos de sua história, governados pelo pior presidente que já morou na Casa Branca.

Uma nação desprezada e odiada no mundo inteiro. Aquele povo não merecia isso.

Mas a democracia tem dessas coisas. Um país consegue, com uma virada histórica, se reinventar, ser parteiro de si mesmo.

Elegendo Obama, os Estados Unidos deram um passo gigantesco no caminho da plena integração, da aceitação da diferença.

Et pluribus unum, diz o mote do país. Um país feito de gente de todos os lugares do mundo, de todas as línguas, de todas as cores, de todas as religiões.

Depois de 2001, parecia que o país estava perdendo aquilo que o fez forte, o melting pot, o caldo de cultura.

Parecia que o país estava ficando perigosamente igual.

A eleição de Obama celebra a diferença.

É ou não é para chorar feito criança?


Enviado por Lucia Hippolito -
4.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

O fim da Revolução Húngara

 

  

1956 - Tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Hungria, para abafar a Revolução Húngara, que havia começado em 23 de outubro.

No fim da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética iniciou um processo de controle do governo na Hungria, que culminou com a proclamação da República Popular da Hungria, em 1949, por Matias Rákosi, secretário-geral do Partido Comunista Húngaro; Rákosi exerceu um governo ditatorial e arrasou a economia do país.

Após a morte de Stalin em 1953, Rákosi foi afastado do poder, e Imre Nagy assumiu a chefia do governo até 1955, tentando implementar uma política de maior liberdade para os húngaros. Mas Rákosi voltou ao poder, provocando descontentamento geral.

Em 23 de outubro de 1956, um grupo de estudantes e intelectuais marchou no centro de Budapeste exigindo o fim da ocupação soviética e a implantação de um socialismo verdadeiro. A manifestação foi atacada a tiros pela Polícia de Segurança do Estado.

As notícias da violência se espalharam rapidamente, e a revolta generalizou-se. O governo caiu, e os trabalhadores organizaram milícias para combater a polícia e as tropas soviéticas.

O novo governo dissolveu a Polícia do Estado e anunciou a intenção de sair do Pacto de Varsóvia.

A resposta soviética não se fez esperar. O Exército Vermelho invadiu a Hungria e derrotou rapidamente as forças nacionais.

Cerca de 20 mil pessoas foram mortas durante a intervenção, enquanto 200 mil fugiram do país.

Imre Nagy foi preso e posteriormente executado. Foi substituído no poder pelo simpatizante soviético János Kádár, que instalou um governo pró-soviético ainda mais opressor e ditatorial no país.


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2.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Nasceu hoje um dos grandes astros do cinema



1913 - Burt Lancaster nasceu em Nova York. Trabalhou no circo como acrobata durante dez anos. Após servir na Segunda Guerra Mundial, fez um teste na Broadway e estrelou a peça The Sound of Hunting.

Estreou no cinema em 1946, com o filme Os assassinos. Dois anos depois montou sua própria companhia produtora com Harold Hecht e James Hill.

Participou de diversos filmes como: Brutalidade (1947), O gavião e a flecha (1950), A um passo da eternidade (1953), A embriaguez do sucesso (1957), O passado não perdoa (1960), Entre Deus e o pecado (1960) – com o qual ganhou o Oscar de melhor ator em 1961 –, O leopardo (1962) -- na foto, caracterizado como o príncipe de Salinas --, O homem de Alcatraz (1962) – prêmio de melhor ator no Festival de Veneza –, Violência e paixão (1974), Atlantic City (1980), O vôo da águia (1986), O campo dos sonhos (1989).

Morreu de ataque cardíaco, em 20 de outubro de 1994, na Califórnia.


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1.11.2008
| 13h09m
Por dentro do blog

Férias! Férias! Férias!

 

Como já puderam perceber pelo título, estou entrando em férias.

Estou morta! Terminei o segundo turno mais acabada do que candidato.

Vou passar 15 dias em Paris.

Mas não deixem de aparecer por aqui de vez em quando.

O blog será alimentado regularmente pela seção "Que dia é hoje".

E eu vou tentar escrever alguma coisa nesses 15 dias. O que vir de interessante, inusitado, merecedor de ser partilhado com vocês.

Até já.


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1.11.2008
| 10h00m
que dia é hoje

Uma das maiores obras-primas do espírito humano

1512 - O teto da Capela Sistina, pintado por Michelangelo, foi exibido ao público pela primeira vez.

A Capela Sistina fica no Palácio Apostólico, residência oficial do papa, no Vaticano. Foi inaugurada pelo papa Sisto IV, em 15 de agosto de 1483 -- daí o nome Sistina.

Em 1508 o papa Júlio II incumbiu Michelangelo de pintar a cúpula da Capela Sistina. A obra demorou quatro anos, e foi um processo doloroso devido à posição incômoda para pintar, além das constantes ameaças feitas pelo papa de que iria substituí-lo pelo jovem pintor Rafael, caso o trabalho não o agradasse.

O resultado foi deslumbrante, superando qualquer expectativa. Os afrescos no teto da Capela Sistina são considerados um dos maiores tesouros artísticos da humanidade.

A obra foi concebida como uma composição única, desde a criação do universo até a embriaguez de Noé, incluindo mais sete episódios do Gênesis, além de sete profetas, cinco sibilas, que teriam anunciado a vinda de Cristo e quatro cenas nos cantos representando façanhas de heróis do povo de Israel.


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31.10.2008
| 15h00m
que dia é hoje

Lutero e o nascimento da Reforma Protestante


1517 – Martinho Lutero, professor e doutor em teologia, fixou suas 95 teses na porta da igreja católica do Castelo de Wittenberg (Alemanha).

As teses se opunham à venda de indulgências (perdão de parte das penitências impostas aos pecadores), à corrupção de setores do clero, vista por ele como ameaça à credibilidade da fé cristã e da Igreja de Roma.

O ato é considerado o início do protestantismo.

Ao tornar públicas suas idéias, Lutero foi demitido de seu cargo de vigário de distrito, e em seguida excomungado e declarado herético pelo papa Leão X.

Muitas de suas idéias ultrapassaram os muros da universidade e ganharam a sociedade da época. Cansada dos abusos da Igreja, a nobreza alemã se uniu à Reforma.

Perseguido pelo imperador, Lutero foi protegido por Frederico, o Justo, príncipe da Saxônia, que liderou o movimento protestante.

O termo remonta a 1529, quando príncipes que apoiavam Lutero protestaram contra as ações de perseguição a ele impostas pelo imperador e a nobreza católica.

Em 1530, os luteranos apresentaram a Confissão de Augsburgo, que se tornou a declaração básica da doutrina luterana. Depois de 25 anos, com a assinatura da Paz de Augsburgo, o Sacro Império Romano reconheceu oficialmente as Igrejas Luteranas.

Em conseqüência da Reforma, a Europa ficou dividida: ao Sul estavam os países católicos; ao Norte, as nações protestantes.

Em decorrência do livre exame dos textos sagrados, principalmente a Bíblia (um dos principais postulados de Lutero), o protestantismo se desenvolveu e se organizou em dezenas de igrejas e seitas diferentes.

Quanto à guerra religiosa, ainda duraria séculos, opondo católicos e protestantes.


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30.10.2008
| 8h36m

A reforma tributária subiu no telhado



Mais uma vez um projeto de reforma tributária está seriamente ameaçado de tomar o caminho da gaveta.

Não sei não, mas desconfio que existe, no Congresso Nacional, um grande cemitério de projetos de reforma tributária.

Só no governo Lula, já é a segunda tentativa. Todo mundo ainda deve se lembrar da cena: em abril de 2003, o presidente da República, cercado por todos os governadores, foi ao Congresso Nacional entregar o projeto de reforma tributária elaborado pelo Executivo.

Resultado: apenas o governo federal realmente queria, isto é, uma prorrogação da CPMF e da DRU. E mais nada.

Com o fim da CPMF e a revolta da sociedade com o aumento da carga tributária, o governo federal acenou com um “chocolatinho”: um projeto de reforma tributária costurado às pressas pelo Ministério da Fazenda e enviado ao Congresso no final de 2007.

Acontece que o governo federal quer fazer omelete sem quebrar os ovos. Pretende fazer uma reforma tributária que não retire um único tostão das suas receitas. Como isto é impossível, a reforma não sai.

Ontem mesmo, a cena era melancólica na Câmara dos Deputados. O relator da reforma, deputado Sandro Mabel (aquele que chegou a ser envolvido no mensalão, mas não foi acusado) distribuiu seu relatório.

O documento sequer chegou a ser lido, por falta de quórum. (Leia-se falta de empenho dos deputados para discutir alguma coisa que não tem muita chance de ser votada).

Desta vez, o governo federal encontrou a desculpa perfeita: com o clima de incerteza gerado pela crise internacional, o governo não pode abrir mão de receitas.

Primeiro, porque não se pode garantir que os sucessivos recordes de arrecadação batidos nos últimos anos serão mantidos. Qualquer pequena retração da atividade econômica se refletirá imediatamente na arrecadação.

Segundo, porque o governo federal não quer reduzir o gasto público. Obras do PAC, programas sociais, nada disso pode ser reduzido, sobretudo agora, nos dois últimos anos do governo Lula.

O governo, que se beneficiou de seis anos de bons ventos na economia internacional, teme pagar um preço político muito alto se a crise se prolongar pelos próximos dois anos, cruciais para o presidente Lula fechar com sucesso seus dois mandatos e fazer o sucessor (ou sucessora).

A reunião dos quatro governadores do Sudeste (dois do PSDB e dois do PMDB), marcada para hoje, deve incluir a reforma tributária na pauta.

Mas não devemos esperar muita coisa.

Em matéria de reforma tributária, o surpreendente será se ela sair do telhado.


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29.10.2008
| 8h33m
A batalha no Congresso

Partido de (e para) profissionais



Vitaminado pela expressiva vitória nas eleições municipais, tendo feito a maioria das prefeituras (cerca de 1.200), tendo aumentado de dois para seis seus prefeitos de capital, o PMDB vai à luta.

O campo de batalha, desta vez, é o Congresso Nacional, onde se travará a eleição para a presidência da Câmara e do Senado.

Não se trata de eleições rotineiras.

O Congresso inicia a segunda metade da legislatura, e presidentes de Câmara e Senado que forem eleitos em 2009 poderão ficar quatro anos no cargo.

A regra diz que o mandato é por dois anos, sem direito a reeleição dentro da mesma legislatura. Mas na segunda metade da legislatura é possível haver reeleição porque depois de dois anos começa uma nova legislatura.

Mais importante: os presidentes da Câmara e do Senado vão presidir a eleição do sucessor de Lula.

Para quem já declarou que faz questão de eleger o sucessor, o presidente precisa ter no comando das duas casas do Congresso aliados fiéis, que não lhe causem problemas.

Por quê? Muito simples. Tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente é o responsável por colocar em votação todos os projetos que chegam ao plenário. Desde MPs até propostas de emenda constitucional.

Diz a lei que qualquer alteração no processo eleitoral deve ser votada até um ano antes da eleição. Portanto,  alterações nas regras para as eleições de 2010 devem ser aprovadas até 30 de setembro de 2009.

Já imaginaram se alguém propõe redução do mandato do presidente, ou eleição indireta, ou terceiro mandato, ou mesmo a instalação da monarquia?!

Como sabemos muito bem, tem maluco para tudo.

Por isso, é importante ter no comando do Congresso gente afinada com o Planalto.

Quando se elegeram Arlindo Chinaglia (PT) para a Câmara e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado, a combinação foi de inverter os partidos na eleição de 2009: PMDB na Câmara, provavelmente com Michel Temer, e PT no Senado, provavelmente com o vice-presidente Tião Viana.

Mas os lamentáveis episódios de 2007, quando o senador Renan Calheiros invadiu a privacidade dos brasileiros com suas estripulias sexuais, extraconjugais, pecuárias e radiofônicas, além de financeiras, é claro, arrastando a reputação do Senado na lama, Tião Viana assumiu interinamente a presidência da casa, com a licença de Renan.

E se comportou dignamente, tentando resgatar a dignidade do Senado. Sentiu-se confortável na cadeira e gostou da presidência.

Foi o suficiente para despertar a ira de Renan Calheiros.

Depois de escapar duas vezes da cassação, Renan conheceu um período de relativa discrição. Mas sentiu-se purificado pelo abraço redentor do presidente Lula, que declarou que Renan foi vítima de injustiça e deve ser reabilitado.

Foi o que bastou. Renan estufou o peito, engrossou a voz, retirou do cofre os segredos cabeludos que diz possuir a respeito dos colegas. E vetou o nome de Tião Viana.

Mais ainda: estimulou a rebelião do PMDB no Senado.

Afinal, o PMDB não é o maior partido? Não acabou de dar uma demonstração de força nas eleições municipais? Não possui a maior bancada na Câmara e a maior bancada no Senado?

Então, deve ser do PMDB a presidência do Senado.

Os deputados concordam e pensam a mesma coisa: não abrem mão de ter Michel Temer na presidência da Câmara.

Está criado o impasse.

O PT esperneou e exige que o acordo seja cumprido. Ameaça não votar em Michel Temer na Câmara, se não fizer o presidente do Senado.

Nos bastidores, a dupla Renan-Sarney, que manda uma barbaridade no governo federal desde o primeiro dia do primeiro mandato do presidente Lula, em 2003, articula a candidatura de Sarney, que não tem empecilhos dentro da bancada do PMDB e mesmo na oposição.

Mas no PT, Delcídio Amaral se assanhou e está pronto para apresentar seu nome, já que a justificativa oficial para a confusão é apenas um veto pessoal de Renan Calheiros a Tião Viana.

No final, tudo se acerta. O que se discute é o preço. O que vai custar ao Planalto a eleição de dois aliados do presidente? Mais ministérios para o PMDB? Liberação de emendas? A garantia da vaga de vice-presidente na chapa da ministra Dilma?

Tudo pode acontecer, inclusive não acontecer nada.

Uma única certeza pemanece: o PMDB não é para amadores.

 


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28.10.2008
| 15h00m
que dia é hoje

Nasceu hoje o gênio das pernas tortas


1933 – Garrincha, um dos maiores talentos do futebol brasileiro.

Manuel dos Santos nasceu em Pau Grande, município de Magé, RJ. Estreou no Botafogo Futebol e Regatas em julho de 1953, clube que defendeu até 1965. Foi campeão carioca em 1957, 1961 e 1962, e do Torneio Rio-São Paulo em 1962 e 1964.

Estreou na Seleção Brasileira no Maracanã, contra o Chile, em setembro de 1955. Bicampeão mundial em 1958 e 1962, quando foi o principal jogador na conquista da Copa do Mundo, pois Pelé se contundiu no segundo jogo.

Jogou 60 partidas pela seleção brasileira e encantou o mundo com seu estilo original de jogar, com seus dribles abusados e zombeteiros, com sua velocidade desconcertante e com suas jogadas divertidas e espetaculares.

Com Garrincha e Pelé jogando juntos, a Seleção jamais perdeu uma partida sequer.

No final da carreira, jogou também no Corinthians, no Flamengo, no Olaria e em outros times brasileiros e estrangeiros.

Morreu em 20 de janeiro de 1983, vítima do alcoolismo.

Garrincha foi homenageado com o poema O anjo de pernas tortas, de Vinícius de Moraes, o documentário Garrincha, alegria do povo, de Joaquim Pedro de Andrade, e, mais recentemente, a extraordinária biografia Estrela Solitária, de Ruy Castro.


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28.10.2008
| 8h19m
eleições 2008

O day after



Não dá nem para comemorar muito.

Os prefeitos já precisam começar a trabalhar.

Prefeitos reeleitos retomam suas rotinas, e novos prefeitos montam gabinetes de transição.

Duas discussões vêm assumindo importância crescente: nomear ou não políticos de partidos que apoiaram a eleição do prefeito, e reajustar ou não as promessas de campanha às novas realidades impostas pela crise financeira internacional.

Em princípio, nada indica que a nomeação política seja dona de todos os vícios e o funcionário de carreira dono de todas as virtudes.

Não podemos nos esquecer de que aquele Sr. Maurício Marinho, apanhado recebendo propina de R$ 3 mil, dando início ao escândalo do mensalão, era funcionário de carreira dos Correios, há 28 anos. Este é apenas um exemplo.

E há casos de nomeação política que resultaram gestões muito eficientes.

Portanto, é possível, sim, fazer nomeações políticas sem abrir mão da competência, da ética e da eficiência.

O que não se admite mais é o esquartejamento puro e simples da administração pública entre os aliados de primeira hora e, sobretudo, entre aliados da última hora. Gente que aderiu ao candidato na reta final da campanha.

Por isso, os novos prefeitos precisam calcular muito bem as nomeações políticas, para que não se realize um verdadeiro assalto aos postos de governo.

Quanto ao segundo tema, o reajuste das promessas de campanha às novas realidades trazidas pela crise econômica, vamos assistir, daqui para frente, a um verdadeiro choque de realidade.

Contas precisam ser refeitas, cortes deverão ser promovidos e, inevitavelmente, promessas deixarão de ser cumpridas.

Talvez, uma providência sensata seria os eleitores listarem, desde já, as promessas feitas pelos novos prefeitos.

Assim, será possível cobrar seu cumprimento ou uma explicação muito boa para o não-cumprimento.

Nesse sentido, é muito bem-vinda a nova lei aprovada pela Câmara de Vereadores de São Paulo, que obriga o prefeito a prestar contas, a cada seis meses, das metas propostas e das realizadas.

Quanto mais transparência for a relação dos prefeitos com seus eleitores, melhor.

Caso contrário, a decepção será inesquecível.


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27.10.2008
| 15h00m
que dia é hoje

A ditadura começa a fechar o cerco


1965 – Assinado pelo general Castello Branco, primeiro presidente da ditadura militar brasileira (1964-85), o Ato Institucional nº 2 extinguiu todos os partidos políticos em atuação no país.

Além disso, seu Art. 9º determinava que presidentes e vice-presidentes da República passariam a ser eleitos “pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional”.

O AI-2 foi mais um passo importante no caminho do fechamento do regime.

No final de novembro daquele ano, fundaram-se dois partidos: Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que só viriam a ser extintos em novembro de 1979, com o retorno ao pluripartidarismo.

Quanto às eleições diretas para presidente, estas só seriam restabelecidas em 1989, quatro anos depois do final da ditadura.

Mas naquele 27 de outubro de 1965, a ditadura começava a mostrar sua face horrenda.


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27.10.2008
| 9h08m
eleições 2008

2008: quem ganhou

 

Depois da maratona de apuração, comentários, lista de promessas a serem cobradas dos novos prefeitos, será que resta ainda alguma coisa