Ir para conteúdo



O Globo

Rio


Edição digital No celular No e-mail

 Clique para assinar O Globo


|   Rio, 6 de janeiro de 2009
Enviado por Jorge Antonio Barros -
6.1.2009
| 1h28m
mapa da desordem

Leitor denuncia como vans deitam e rolam em São Conrado

A cena que você verá abaixo desse texto não deve de forma alguma servir de desestímulo para quem está fazendo o mapa da desordem urbana na cidade, a pedido deste blogueiro. É uma cena forte. O leitor Fernando Olinto Fernandes conseguiu, mesmo dentro de seu carro, flagrar o guarda municipal (atrás do carro) dando bobeira, acho que falando no celular, enquanto uma das vans estacionam na faixa de pedestres, ao fundo. Com o choque de ordem que o prefeito Eduardo Paes quer dar, nenhum guarda municipal vai poder mais ficar de bobeira pela cidade. Sugiro inclusive que o novo superintendente da Guarda, coronel Pacheco, enquadre todos eles, dando-lhes é claro mais cursos de formação. Guarda municipal? Agora tem que estar sempre alerta.

E uma notícia de última hora: o secretário especial da Ordem Pública, Rodrigo Betlhem, se reúne às 11h de hoje com a secretária das Culturas, Jandira Feghali, para tratar de como será feito o Choque de Ordem na Lapa.

 

 

Detalhe da foto acima

 

O leitor flagrou a calçada ocupada por uma concessionária de carros importados

O leitor Fernando Olinto Fernandes, eventual colaborador deste blog (já enviou matéria especial até de Amsterdã), enviou texto e fotos para mostrar alguns dos problemas de São Conrado:

"A desordem urbana de São Conrado existe. Como em qualquer lugar. Mas tem áreas e problemas diferentes de outros bairros.

No bairro inteiro pouca gente circula a pé. Então não tem espaço comercial lucrativo, para pedintes ou camelôs. Abrir uma banca por aqui é falência rápida.

O mapa começa na saída do Túnel Zuzu Angel: já viram as dezenas de carros e caminhões nos acostamentos em frente a Rocinha? Um risco para todos. Já vi carros destruídos por estarem estacionados quase na faixa de rolamento. Pior que param dezenas de caminhões de entrega nestas faixas, inclusive na agulha de descida.  Em nenhum lugar do mundo isto seria permitido. A agulha (bifurcação) é uma área de risco e deve ser bem sinalizada.

Aí vamos andando. Embaixo deste “viaduto” está a maior parte da desordem.
Dezenas de vans legais e ilegais, moto-boys, moto-assaltantes. Uma festa do “ilegal e daí”.

Na frente da concessionária de automóveis Nissan a calçada é privada “deles”. Todos os dias dezenas de carros que só eles podem parar. Mas eles podem porque os PMs e GMs são seguranças da loja.

(Sou totalmente a favor que o PM e GM, nas folgas, possa ser segurança de empresas sérias.
Na verdade acho que deveriam trabalhar para o estado (o POVO) 40 horas por semana com salário de R$ 5.000,00)

O estacionamento do Zona Sul – um supermercado útil e fundamental nas nossas vidas – cria problemas sérios no trânsito. Às vezes com sérios riscos de acidente. Não deveria ser um misto de 90° com 45°.
Na verdade deveria ser só longitudinal."

Parabéns, Fernando! É de cidadãos como você que o Rio precisa.

E você não deixe de enviar o mapa da desordem urbana de onde você mora, trabalha ou circula. Para o email reporterdecrime@globo.com

Post Scriptum: Não param de chegar mensagens dos leitores que estão aderindo a campanha deste blog por uma cidade melhor para todos.

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
6.1.2009
| 0h02m
muita lei e pouca ordem

Desordem no combate à desordem

O resultado da megaoperação contra a desordem urbana, desencadeada nesta segunda-feira pelo prefeito Eduardo Paes, com sua nova secretaria da Ordem Pública, não deixa dúvidas de que o novo governo do município do Rio pretende botar ordem na nossa casa. Parabéns! É o que esperam todos os cidadãos de bem.

Só acho que os organizadores desse tipo de operação devem tomar cuidado para não inverter os valores. A Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel, ficou engarrafada ontem porque os reboques da Guarda Municipal estavam parados em...fila dupla. Desse jeito não há desordem que acabe. Principalmente na hora de combater a bagunça, as autoridades devem dar exemplo de ordem, organização e inteligência.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
5.1.2009
| 14h42m
campanha

Como fazer o mapa da desordem urbana do seu bairro

 

Nossas atendentes estão a postos para receber seu mapa da desordem urbana

É muito fácil fazer um mapa da desordem urbana do local onde você mora, trabalha ou estuda. Mas é preciso ter um olhar crítico e pouco condescendente com irregularidades, mesmo que isso afete a economia informal e prejudique no primeiro momento pessoas que estão lutando pela sobrevivência (afinal elas podem fazer isso dentro da ordem).

É preciso também criarmos um espírito de tolerância zero com a bagunça no espaço público. Sem dúvida isso vai exigir de nós a desconstrução de uma cultura benevolente com quem está errado, sejam cidadãos de bem, marginais ou servidores públicos cuja função é preservar a ordem e o bem-estar coletivo.

A tendência natural é a gente se acomodar ("reclamar pra quê, se não resolve?") e deixar tudo exatamente como está. Mas eu acho que a luta contra a violência e o crime passa pelo enfrentamento da desordem urbana, como aconteceu em Bogotá. E isso é tarefa de todos, cidadãos e poder público. Cada parte exigindo da outra. Para ajudar aqueles leitores que às vezes não se dão conta do tanto de barbaridade que acontece debaixo de seus narizes, faço uma modesta lista do que acho que deve ser denunciado, fotografado, gravado em vídeo, sempre certificando-se da segurança pessoal. Ouça o porteiro do seu prédio, seu vizinho, seu colega de trabalho. Compartilhe informações pelo bem de sua comunidade.

1) Bandalhas no trânsito;

2) Pontos de táxi móveis e irregulares; e de vans ilegais;

3) Sinais de vandalismo e depredação do espaço público;

4) Ocupação irregular de calçadas, com cadeiras de bares e restaurantes, camelôs irregulares;

5) Mendigos e crianças de rua usando entorpecentes e em atitude suspeita nos sinais;

6) Flanelinhas;

7) Depósitos irregulares de lixo;

8) Má conservação de ruas e calçadas (buracos);

9) Falta de poda de árvores;

10) Falta de iluminação pública;

11) Construções irregulares e surgimento de favelas.

Envie hoje mesmo a sua lista e, se for o caso, peça anonimato que o blog dá, desde que você não faça acusações infundadas e absurdas. Acima de tudo use o bom senso. Faça contato com o email reporterdecrime@globo.com

 

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
4.1.2009
| 12h56m
mapa da desordem

Ano Novo, caos urbano velho

Como havia combinado com os leitores, o blog dá início hoje a publicação de uma série de Mapas da Desordem Urbana, com o objetivo de colaborar com a nova Secretaria Especial da Ordem Pública - criada pelo prefeito Eduardo Paes - que a partir de amanhã inicia o choque de ordem em sete frentes na cidade. Na posse do novo superintendente da Guarda Municipal, tenente-coronel Ricardo Pacheco, ex-comandante do 12o BPM (Niterói). A presença do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, na posse do coronel Pacheco é um excelente indício, de que enfim poderá haver integração entre as polícias, a Guarda Municipal e a Secretaria da Ordem Pública. Em comentário a este blogueiro, o secretário Mariano Beltrame já havia afirmado, antes das eleições, que esperava de qualquer prefeito eleito empenho no controle urbano.

 O leitor Rafael Genu Faria atendeu ao apelo feito por este blog e enviou no dia 9 de dezembro um roteiro muito bem escrito e detalhado de problemas típicos da desordem urbana que vivemos e muitas vezes nem nos damos contas do caos.

Rafael seguiu o roteiro que eu havia sugerido. Minha idéia inicial foi a de fazer os mapas de acordo com os bairros e áreas, mas creio que muitas vezes percebemos os problemas de acordo com os lugares por onde circulamos e não apenas onde vivemos e trabalhamos. Diferentemente dos mapas de crime - que eram feitos pelos leitores por bairro, a partir das informações colhidas com suas fontes - no caso da desordem urbana a fonte principal é a visual. Nós cansamos de ver os problemas por onde passamos e acabamos desanimando quando não vemos qualquer solução. A idéia dessa campanha do blog é justamente a de revertermos o clima de conformismo. Temos que aproveitar o fato de ter um novo governo aparentemente cheio de gás.

Aqui vai, portanto, o primeiro roteiro. Se uma equipe do secretário Rodrigo Bethlem se der ao trabalho de começar a montar o mapa, será mais fácil para enfrentar os problemas.

1) Bandalhas no trânsito:

 

- O trecho da Avenida Maracanã entre a São Francisco Xavier e a Deputado Soares Filho precisa de monitoramento permanente de agentes de trânsito por dois motivos principais: 1) retornos proibidos que os motoristas fazem a torto e a direito, passando por cima dos sonorizadores; 2) motoristas que vêm pela faixa da esquerda e, ao parar no sinal, bloqueiam o acesso ao único retorno permitido no trecho.

- Ainda na Avenida Maracanã, carros estacionam em frente à Churrascaria Estrela do Sul e, do outro lado, em frente ao restaurante Tchan, prejudicando o fluxo de veículos num trecho que já é complicado.

- A proibição de caminhões efetivamente melhorou o trânsito na hora do rush, mas é preciso intensificar a fiscalização. Hoje, ela só é ostensiva nos acessos ao Centro e ao túnel Santa Bárbara. É preciso melhorar principalmente no interior de bairros como Tijuca, Laranjeiras, Flamengo e Botafogo, que recebem grande fluxo de veículos de outros bairros.

A Rua das Laranjeiras numa época em que se amarrava cachorro com linguiça (a partir de amanhã sem trema)

- As alternativas legais para retornar na Rua das Laranjeiras precisam ser sinalizadas para evitar

bandalhas que complicam o trânsito em todos os trechos, da saída do Santa Bárbara ao Cosme Velho.

- Ainda em Laranjeiras, carros estacionam do lado direito, no final da Rua Coelho Neto, impedindo a acumulação em fila dupla (sinalizada) para quem vai virar na Pinheiro Machado. Como ali o sinal é muito rápido, o fluxo fica prejudicado.

- A área próxima ao hospital da Polícia Militar e a Rua São Carlos, no Estácio, sofre com estacionamentos irregulares que sufocam o fluxo de veículos, causando engarrafamentos.

- No trecho da Rua do Bispo em frente à Universidade Estácio de Sá, a bandalha impera com a conivência da Polícia Militar, que inclusive contribui para o caos estacionando seus carros do lado direito da rua. Como é uma rua de muito movimento para quem vem da Tijuca em direção ao Rebouças, Santa Teresa e Centro (alternativa), o engarrafamento é constante.

2) Pontos de táxi móveis e irregulares; e de vans ilegais:

- Largo do Machado, em frente à Galeria Condor. Como existe um ponto de ônibus bem movimentado de um lado da rua e o sinal abre e fecha muito rápido, o trecho vira um caos mesmo fora da hora do rush. Os táxis ficam aguardando passageiros embaixo de várias placas de proibido parar e estacionar.

- Há um ponto ilegal de vans e micro-ônibus escolares semelhante ao da São Clemente na rua das Laranjeiras, entre a Praça David Ben Gurion (a da Perinatal) e o Largo Maria Portugal (altura da Rua Alice).

- Existem vários pontos de táxi irregulares no entorno do Shopping Tijuca (foto acima)

- Essa já deu até no GLOBO: com o fechamento do acesso à Avenida Maracanã para quem vem pela Rua Ribeiro Guimarães, os motoristas invadem o posto de gasolina da esquina ou pegam uma pequena contramão na rua Baltazar Lisboa.

3) Sinais de vandalismo e depredação do espaço público:

- O imóvel da esquina da Rua Riachuelo com Inválidos... Está abandonado?

4) Ocupação irregular de calçadas, com cadeiras de bares e restaurantes, camelôs irregulares:

- O galeto da Praça da Bandeira, próximo à Rua do Matoso, prejudica o trânsito ao permitir que seus clientes estacionem seus carros a 90º em um lugar onde é proibido estacionar.

5) Mendigos e crianças de rua usando entorpecentes e em atitude suspeita nos sinais:

- Cruzamento da Avenida Maracanã com a Barão de Mesquita, antes da esquina com a Pereira Nunes. Eles não assaltam devido à proximidade do Batalhão da Polícia do Exército, mas incomodam bastante. E como é um cruzamento perigoso com fiscalização eletrônica, ninguém avança o sinal.

- As proximidades do Largo do Machado são especialmente preocupantes. Alguns pontos “clássicos” de mendigos e desocupados de todas as idades: Rua Machado de Assis e Rua Almirante Tamandaré, próximo à galeria que liga as duas ruas; esquina da Almirante Tamandaré com Rua do Catete, em frente às agências do Itaú e Unibanco; Praia do Flamengo, no trecho entre a Dois de Dezembro e a Paissandu. A esquina da Praia do Flamengo com a Barão do Flamengo agora tem meninos vendendo nos sinais, coisa que não acontecia até pouco tempo atrás.

6) Flanelinhas:

- Flanelinhas irregulares ocupam quase toda a extensão da Prudente de Morais, em Ipanema, sem ser incomodados por ninguém.

- Nas bilheterias do Maracanã, quando há venda antecipada de ingressos para jogos, aparecem flanelinhas de ocasião que intimidam os motoristas, além da já “tradicional” farra dos cambistas.

7) Depósitos irregulares de lixo:

[Na foto ao lado, de Fabíola Gerbase, mãe ensina o filho a recolher o lixo na praia] 

- O que assusta muito no Rio de Janeiro é a quantidade de lixo jogada na areia das praias. Além de uma campanha de educação, acho que deveria haver uma parceria da Comlurb com barraqueiros e ambulantes, além de mais latas de lixo na praia. Alguma coisa precisa ser pensada para evitar tanta sujeira!

8) Má conservação de ruas e calçadas (buracos):

- Trecho da Rua Felipe Camarão entre a Professor Manuel de Abreu e o Boulevard 28 de Setembro (Vila Isabel). Há pelo menos 25 anos as calçadas ali precisam de reforma.

- As ruas Bom Pastor (Tijuca) e Barão de Petrópolis (Rio Comprido) precisam ser recapeadas. A Barão de Itapagipe agora está em obras. Vamos ver como fica.

9) Falta de poda de árvores:

- Neste tocante, acho a falta de poda menos grave que a atitude de alguns moradores de agir por conta própria. Vide os casos de envenenamento e até mesmo derrubada de árvores que já foram noticiadas no GLOBO.

[Não tive tempo de testar, mas o Disque Árvore para pedir a poda à Fundação Parques e Jardins é 2221-2574, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h]

[Conheça aqui o que a Comlurb orienta sobre pode de árvores]

10) Falta de iluminação pública:

- Quase toda a serra Grajaú-Jacarepaguá (na foto ao lado um flagrante dos ônibus queimados por moradores de uma favela, depois que PMs mataram um jovem, ano passado).


- Trecho da Presidente Vargas do prédio dos Correios até o viaduto dos Marinheiros.

ENVIE você também o roteiro da desordem urbana onde mora, trabalha ou circula, no Rio de Janeiro. Escreva para reporterdecrime@globo.com

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
4.1.2009
| 12h55m
caixa postal

Vídeo do réveillon emociona até repórteres da antiga

Diretamente da caixa postal do REPÓRTER DE CRIME, uma mensagem de um dos meus primeiros chefes de reportagem, Sérgio Fleury, 44 anos de profissão, que me emocionou porque aprendi muito com esse grande jornalista.

"Caro Jorginho,

Acabei de ver teu video sobre a noite do dia 31 na redação de O GLOBO e, confesso, que senti saudades do tempo em que trabalhava no Natal, virada do Ano Novo, Carnaval, sábados e domingos, feriados, 7 de setembro, semana santa, enfim, quando todos os seres humanos normais estavam em casa com a família...e nós, operários das letras, em busca de histórias e estórias.

Eram tempos outros em que, mais novo vivia, redações como a do então JB onde o clima era bem profissional e amigo, como o que você bem mostrou aí no GLOBO.

Abração, amigo, por continuar vibrando com o que faz, o que mais uma vez só corrobora (!) aquela máxima que o verdadeiro repórter é aquele que fica ligado na notícia 24 horas por dia...como já dizia o velho mestre Jota Gonçalves Fontes! [outro grande jornalista].

Daí, um abração, e tudo de bom neste 2009 e, principalmente, porque estarás de folga no final dele!!!
Continue burilando tuas reportagens, do ainda e sempre repórter, Sergio FLEURY."

A melhor história que guardo de Fleury foi no dia em que perdi as anotações de uma matéria dominical, sobre uma turma exotérica que oferecia uma sopa mística em pleno Centro do Rio, nos idos de 1981. Tremendo de medo, não sabia como dizer ao chefe que tinha perdido o bloquinho. Qual não foi minha surpresa quando ele me tranqüilizou: "Perdeu as anotações? Tem repórter mais experiente que você que perde sempre. Concentre-se e exercite sua memória". Por incrível que pareça, relaxado, sem ter sido pressionado, consegui me lembrar de tudo. 

Muito obrigado, Fleury. Quem teve bons chefes como você, no jornalismo, não morre pagão.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
4.1.2009
| 2h40m
satisfação garantida

Ipanema agradece porque não houve réveillon na praia

Como não sou morador de Ipanema, ficou dificil para eu tomar partido na querela do réveillon naquele bairro. Só sei que o Projeto Segurança de Ipanema, que eu apóio, esteve contra a festa. E, agora, fiquei sabendo que muitos moradores ficaram felizes porque não houve réveillon na praia.

Tão felizes que um deles, Roberto Motta, leitor deste blog, escreveu um e-mail de gratidão ao comandante do 23o BPM (Leblon), coronel Millan, que foi o primeiro a se manifestar aos organizadores da festa, dizendo que não tinha como garantir a segurança para o evento. Tudo bem que é esquisito um comandante admitir isso, mas o objetivo era de que a festa não fosse realizada.

Aí vai a carta do Roberto.

"Prezados Comandante Millan e Delegado Lage,

Em nome da minha família e dos meus parentes e vizinhos gostaria de agradecer o réveillon que tivemos esse ano em Ipanema.

Graças à coragem e disposição dos senhores em enfrentar e contrariar grandes interesses, não se repetiram as cenas de vandalismo, sujeira, degradação e violência do ano passado. Os moradores, os visitantes e os turistas usufruíram de tudo o que Ipanema tem de bom, com paz, tranqüilidade e alegria.

Ficou a impressão de que construir uma cidade melhor – melhor para todos – não é um objetivo impossível, quando contamos com homens públicos como os senhores.

Segue em anexo uma imagem de Ipanema neste final de ano (ver no alto do post).


Feliz 2009.

Viva !panema

Roberto Motta"


Enviado por Jorge Antonio Barros -
3.1.2009
| 14h45m
insegurança

Ano novo, violência velha

Foi suspensa a trégua imaginária no Rio. Tivemos um revéillon bem calmo, exceto pelas cinco vítimas de balas perdidas, na Praia de Copcabana. Mas a PM informou que foi mais tranqüilo do que no ano passado, quando uma pessoa foi morta na virada em Ipanema.

Dois dias depois, o Rio volta a viver a triste rotina de violência, que nos deixa apreensivos e sempre a postos. Ontem, uma mulher morreu vítima de bala perdida, no subúrbio de Costa Barros. Hoje de madrugada, seis motoristas foram atacados por bandidos na Rua José Higino, na Tijuca. Horas depois, dois policiais de plantão no Elevado Paulo de Frontin foram alvos de disparos feitos por homens num Escort preto. No ataque, um policial ficou em estado grave. Mais dois PMs foram mortos numa briga em Rio das Ostras. E depois um carro da Secretaria de Segurança, descaracterizado, foi rendido por ladrões que levaram as armas dos agentes, no Alto da Boa Vista.

Tirando Rio das Ostras, uma aprazível cidade no litoral norte, os primeiros casos mais graves do ano ocorreram nas áreas do 1o e 6o Batalhões da PM, respectivamente Rio Comprido e Tijuca, uma área crítica que curiosamente é a mesma que vai receber as primeiras ações do choque de ordem do novo prefeito, na segunda-feira. Isso indica que ao menos a nova Secretaria de Ordem Pública do município começa antenada com os locais onde há necessidade de ação urgente do poder público.

A ação no elevado tem o objetivo claro de intimidar a polícia para que sejam retirados os policiais que fazem plantão nas vias expressas. A Secretaria de Segurança terá que dar uma resposta firme a esses criminosos para que os policiais militares não tenham medo de ficar expostos. E nessa hora a sociedade não pode deixar de prestar todo apoio à polícia.

AMANHÃ: Vai começar a campanha do blog de montar mapas da desordem urbana a partir de bairros ou regiões da cidade. Para isso conto com a sua ajuda. Muitos leitores já enviaram informações que serão aproveitadas agora e numa matéria especial que sai neste domingo no GLOBO. Para participar, envie suas informações, fotos e vídeos para reporterdecrime@globo.com


Enviado por Jorge Antonio Barros -
2.1.2009
| 11h50m
exclusivo

Os bastidores da redação no réveillon

Esse vídeo poderia se chamar  "A primeira edição do ano ninguém esquece". Ou ainda Como os jornalistas se divertem trabalhando. Mas o melhor mesmo é "Este ano é nossa vez de folgar no réveillon". Todo fim de ano a equipe da redação do GLOBO é dividida em duas. Uma trabalha no Natal e outra no réveillon. Para mostrar um pouco do que é trabalhar no último dia do ano, quando todo mundo já está em ritmo de festa, liguei minha handycam e dei um passeio pelos dois prédios da Infoglobo, que publica O GLOBO, o "Extra" e o site do GLOBO. Ouvindo quem estava de plantão e não tinha medo de olhar para a lente da verdade e dizer como eu mesmo disse e foi publicado na página dois do jornal do dia 1o.

- Trabalho no réveillon com imensa alegria, principalmente porque, assim, no ano que vem estarei de folga e outra equipe estará aqui na virada.

Videoreportagem Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime

Agradeço a participação dos seguintes "atores" deste documento especial da TV Repórter de Crime, por ordem de entrada em cena:

Sabrina Valle, redatora da Internacional

Sandra Cohen, editora da Internacional

Flávio Lino, editor-asssistente de Internacional

Fernada da Escóssia, editora-adjunta de País

Bernardo de La Peña, da equipe da coluna Ancelmo Gois

Ancelmo Gois, colunista

Lilian Quaino, da secretaria de Redação

Lea Cristina, editora do Boa Chance

Maria Elisa Alves, repórter dublê de editora-assistente  da Rio

Carolina Isabel Novaes, repórter do Ela

Célia Costa, repórter da Rio

Fernando Alvarus, editor de arte

Cida Calu, designer

SEGUNDA e TERCEIRA PARTES

André Machado, repórter do Digital

Alexandre Sassaki, editor de fotografia

Paula Johas, editora-assistente de fotografia 

Liane Thedim, editora-assistente da Economia

Luciane Carneiro, redator da Economia

Luiz Cláudio, site do GLOBO

Aloy Jupiara, do site do "Extra"

Madalena Romeu, site do GLOBO

Paulo Moreira, redator da Agência O GLOBO

Gilmar Ferreira, editor de esportes e blogueiro do "Extra"

Venerando Martins, secretaria de Redação

Cesar Monsores, revisor da primeira página

Liane Gonçalves, editora-assistente da Rio

Luiz Carlos Cascon, chefe de reportagem da Rio

Natan Damasceno, repórter da Rio

Pedro Paulo Jordão, contínuo da madrugada

Luiz Novaes, o Mineiro, editor-executivo da primeira página

Leo Drummond, diagramador da primeira página

Nel, diagramador

E a participação especial de Álvaro Novaes, 12 anos, filho do Mineiro, que gravou o último take do vídeo.

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
31.12.2008
| 16h52m
ano novo

Blogs se unem para desejar Feliz 2009!

A violência pode quase tudo. Menos acabar com meu bom humor e minha vontade de rir, apesar de tudo. Eu gosto do Nelson Vasconcellos, meu parceiro de site, porque ele é um sujeito simples, mas que muitas vezes quase me mata de rir. Quando estou desanimado com tanta notícia ruim, eu vou no blog Olho da Rua 2.0. É minha fonte de inspiração. É minha arma secreta (ih falei) para enfrentar a dura rotina de uma cidade marcada pela violência.

Assim sendo, nada melhor do que, pelo segundo ano consecutivo, me unir ao Nelson para simultaneamente enviarmos aquela mensagem de fim de ano, em que o melhor de tudo é esquecer os problemas e rir. Nem que seja da gente mesmo.

Espero que você ria muito de nós, se isso servir para aplacar um pouco a nossa dor, mas não largue esse blog. E que 2009 seja mil vezes menos violento do que foi 2008. Eu acredito que é possível. Basta cada um de nós fazer a sua parte.

 

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
31.12.2008
| 16h49m
promoção

Leitora acerta o nome de quem está na foto: Pedro Ernesto

A leitora Mônica Reis ganhou o livro da promoção do blog, que fez o teste da fotografia no gabinete do prefeito Cesar Maia, que aparece no vídeo da entrevista ao blog Repórter de Crime. Mônica foi a primeira a dizer que a imagem é do ex-prefeito Pedro Ernesto, que foi o primeiro governante eleito da história da cidade, ainda que pelo voto indireto, de vereadores, em 1934. Na despedida da prefeitura, Cesar Maia aparece com essa fotografia debaixo do braço.

Mônica me confessou como conseguiu a resposta certa. Perguntou ao prefeito, provavelmente por e-mail. Não é à toa que a Mônica foi repórter voluntária deste blog.

O blog fez este ano vários concursos rápidos, premiando os vencedores com livros. A leitora Malu Maldon ganhou o concurso da foto dos policiais ciclistas, cujo local era Amsterdã. O leitor Bento ganhou outro livro, mas até hoje não combinou para pegar no jornal. O leitor OCombatente também venceu outro concurso do blog, mas não enviou endereço para entrega do brinde.

Em 2009, o blog vai oferecer um livro para o leitor que tiver seu texto aprovado para a seção Blogueiro por um dia. Já está valendo para a próxima sexta-feira. O ideal é que o texto tenha até 50 linhas e trate sobre qualquer assunto relativo à segurança pública, criminalidade e Justiça. Deve ser enviado por e-mail, sem arquivo anexo, para reporterdecrime@globo.com com telefones para contato. O autor deve também entrar na caixa de comentários para interagir com os leitores pelo menos por um período do dia da publicação.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
31.12.2008
| 13h02m
Restropectiva 2008

Blog antecipou saída de coronel, lançou vídeos e seção interativa

 

Esse foi um ano especial para o blog, marcado por muita interatividade de qualidade com leitores. Dois deles, 007contraocrime e Anésia, criaram seus próprios blogs, incentivados por este blogueiro.

JANEIRO - O blog antecipa, com o site do GLOBO, que o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, poderia ser exonerado no dia 29 (relembre o post). A notícia é confirmada às 12h35 pelo RJ-TV, da Rede Globo. A exoneração ocorreu por causa de uma crise de hierarquia e disciplina na PM e sete dias depois que a imprensa publicou flagrante de PMs saqueando um caminhão de cerveja (veja aqui). O nome do novo comandante, coronel Gilson Pitta - que havia participado do movimento de reivindicação - é anunciado no mesmo dia e, pela primeira vez em 199 anos de PM, a cerimônia de posse é feita no dia seguinte a portas fechadas, como um dos sinais da crise.

 FEVEREIRO - A leitora Lúcia Ramos Moreira dá a idéia da seção Blogueiro por um dia e é sua primeira colaboradora, no dia 22. No dia 14,  a Petrobras confirma o furto de laptops com informações importantes. Os equipamentos são recuperados 14 dias depois e suspeitos são presos.

Assume o novo diretor do Instituto de Segurança Pública, coronel Mário Sérgio, em substituição à pesquisadora Ana Paula de Miranda, que foi exonerada do cargo. Pesquisadores cobraram do secretário Mariano Beltrame maior transparência na divulgação dos dados estatísticos. Beltrame garantiu que não haveria qualquer retrocesso. O único problema foi o atraso na divulgação dos dados, que permanece.

 MARÇO - No dia 23, O GLOBO publica pesquisa inédita de opinião feita pelo IBPS com moradores de favelas, na qual eles condenam a liberação das drogas e pelo menos a metade é favorável ao blindado conhecido como caveirão.

No dia 27 o blogueiro participa pela primeira vez como integrante convidado do II Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reuniu 700 pesquisadores em Recife (mais detalhes aqui).

ABRIL - Moradora de São Conrado, a cantora Olivia Byington entra na caixa de comentários do blog para se queixar de um tiroteio na Rocinha, no dia 1o de abril. E não era mentira. No dia 26, o movimento Rio de Paz, que luta pela redução de homicídios, faz a primeira manifestação do ano, colocando em duas mil cruzes às margens das pistas de velocidade do Aterro os nomes de pessoas assassinadas.

No dia 16, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, dá um puxão de orelhas no chefe do Primeiro Comando de Policiamento de área, coronel Marcus Jardim. O oficial disse que a PM era um inseticida social, depois que policiais mataram nove supostos traficantes na Vila Cruzeiro.

No dia 21, o blog atinge a marca de 303 comentários no post sobre a entrevista dos pai e da madrasta da menina Isabella, que estão presos pela morte dela. Eu apenas disse e provei que, na entrevista, eles mentiram descaradamente. (relembre aqui). 

MAIO - Autor do livro Segurança Pública, O pesquisador Luís Flávio Sapori, de Minas Gerais, dá uma aula de segurança pública, numa rara entrevista, em que critica o movimento de direitos humanos e aqueles que atribuem à miséria a principal causa da criminalidade. Relembre aqui.

A Polícia Federal desencadeia a Operação Segurança Pública S.A., que resultou na prisão de nove policiais civis, entre os quais dois ex-chefes da corporação, um dos quais o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), que acabou sendo cassado. Um deles, Ricardo Hallack, já conseguiu liberdade. A quadrilha foi acusada, entre outros crimes, de lotear delegacias para arrecadação de fundos para a campanha de Álvaro.

JUNHO - No dia 1o, o jornal "O Dia" publica a história do seqüestro e tortura de dois jornalistas que haviam se infiltrado na Favela do Batan, na Zona Oeste, para fazer uma reportagem sobre a ação de milícias. O caso acelerou as investigações de policiais envolvidos com esse tipo de crime e acabou resultando na CPI das Milícias, da Alerj, que acabou indiciando políticos e policiais.

No dia 16, o blog bate recorde de comentários (1.508) porque o blogueiro ficou sete dias fora do ar, de férias.

JULHO - O menino João Roberto (à esquerda, na foto), de 3 anos, é morto a tiros por PMs em perseguição a assaltantes na Tijuca. Foi a maior tragédia do ano, em termos de repercussão na mídia, e mudou a atitude da PM na abordagem a suspeitos no asfalto. Dois PMs são fuzilados na Fonte da Saudade, na Lagoa.

É revelado uma espécie de pacto político com cartilha eleitoral e tudo entre um dos líderes do MST, José Rainha Júnior, e o chefe do tráfico local, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, que organizou reunião na qual o tráfico impõs um candidato único a vereador na Rocinha. Claudinho da Academia, que se apresentou como único candidato da favela, escolhido, segundo ele, por cem líderes locais, tornou-se agora o principal suspeito de desfrutar do curral eleitoral mantido pelo tráfico na Rocinha. E foi eleito, obrigado.

AGOSTO - O deputado Álvaro Lins é cassado no dia 12.

No dia 8, vem à tona as novas normas para o uso de algemas em presos, anunciadas pelo STF.

SETEMBRO - O blog entra no clima de mudanças do GLOBO e apresenta suas novidades tecnológicas, como a TV Repórter de Crime. Relembre aqui.

Pela primeira vez, desde 1991, a taxa de homicídios dolosos cai em todo o estado na menor da série histórica do Instituto de Segurança Pública. Só em novembro a Secretaria de Segurança começa a atribuir as causas ao golpe dado nas milícias da Zona Oeste.

OUTUBRO - O engenheiro Luiz Carlos Silveira é espancado por pitboys no Leblon.

 NOVEMBRO - A PM livra o Morro Dona Marta de traficantes de drogas, com o novo policiamento comunitário em favelas inaugurado pelo governador Sérgio Cabral (foto acima). A Secretaria de Segurança anuncia queda nos índices de crimes nas proximidades da favela, que fica em Botafogo, Zona Sul do Rio. Cinco meses antes, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, havia sugerido exatamente, em artigo publicado neste blog, uma política de libertação em vez de confronto para se combater o tráfico nas favelas. Relembre aqui. Um sinal de que, bem ou mal, as autoridades da área de segurança pública estão acompanhando o blog.

O vídeo exclusivo do blog, com o juiz De Sanctis falando sobre sua atuação no caso Daniel Dantas, fica entre os dez primeiros por uma semana no You Tube com mais de 4.700 exibições.

 

 Em dois de dezembro, Dantas é condenado por De Sanctis a dez anos de prisão e multa de R$ 13 milhões por corrupção ativa pela tentativa de subornar um autoridade policial. Dantas ainda não foi preso. Mas no Brasil infelizmente as coisas têm que ser aos poucos mesmo. Quem imaginava neste país que um banqueiro seria condenado por corrupção?

DEZEMBRO - O menino João Roberto é morto mais uma vez com a absolvição de um dos PMs que o assasinou. Mais dois inocentes são mortos pela polícia nas ruas do Rio.

No dia 9, o leitor que se identifica como Muda faz o que o blog não conseguiu fazer: uma tremenda reportagem mostrando a farsa que foi a operação da PM, que resultou na morte do inocente William de Souza Marins, na Favela 48, em Bangu.

O blog publica entrevistas em vídeo com o prefeito Cesar Maia e com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Lançada pelo blog a Semana dos 60 anos da Declaração Universal de Direitos Humanos.

 

 

 

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
30.12.2008
| 18h36m
RETROSPECTIVA/ 2008

Todo mês houve pelo menos um morto que repercutiu na imprensa

A vida passa como um sopro. O ano, então, nem se fala. Para quem sofreu algum tipo de perda grave, como é a morte de um parente ou amigo, o calendário parece que engasga. Quando a morte é violenta fica ainda mais difícil virar a folinha. A esses, meus desejos que não falte o afago divino na alma nem a Justiça dos homens.

Gostaria de ter podido ouvir os parentes de cada vítima, cuja dor pelo menos saiu no jornal. Mas fui procurar uma delas, dona Lenira, viúva do jornaleiro Rui Conceição, de 49 anos, que foi morto por um assaltante na banca de jornais dele, na Candelária - área nobre do Centro - em pleno meio-dia. Relembre o caso vendo  reportagem do RJ-TV.

 Videoentrevista Jorge Antonio Barros/ TV Repórter de Crime

Dezembro - No dia 31, o ortopedista LÍDIO TOLEDO FILHO foi baleado numa tentativa de assalto num pardal de velocidade, no Alto da Boa Vista.

 Janeiro - WESLEY DAMIÃO SATURNINO BARRETO, de 3 anos, numa operação da PM na Favela do Jacarezinho, no dia 10.

Fevereiro - ÁGATA, de 11 anos, numa operação policial na Favela da Rocinha, no dia 15. JOSÉ CARLOS RODRIGUES DE MACEDO, comerciante, 33 anos, no sábado, dia 24, em assalto na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. No dia 29, o sargento PM Natan Evaristo da Silva, 44 anos, guarda-costas do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, com mais de 30 tiros, na Linha Amarela.

Março - MARIA EMÍLIA MONTEIRO RAMOS, 59 anos, chefe de gabinete do reitor da Universidade Candido Mendes, em assalto na Tijuca, no dia 30.

Abril - MARCELO VIDAL LEITE RIBEIRO, 28 anos, no dia 15, na Tijuca. A polícia esclareceu que ele foi morto a mando da mulher dele.

Maio - ULRICH ROSENZWEIG, o seu Ully, de 85 anos, numa saidinha de banco, no Centro. O jovem WILLIAM SOUZA MARINS, de 19 anos, é executado por policiais do 14o BPM (Bangu) que ainda forjam um flagrante de drogas com a vítima.

Junho - WELLINGTON GONZAGA FERREIRA, 19, DAVID WILSON DA SILVA, de 24, e MARCOS PAULO CAMPOS, de 17, foram mortos depois de entregues a traficantes por militares que faziam patrulhamento do Morro da Providência.

Julho - O menino JOÃO ROBERTO é morto a tiros por PMs que confundiram o carro da família dele com o de assaltantes em fuga. O sargento JOEL DE ALMEIDA GOMES e o cabo FRANCISCO ALVES PEREIRA JÚNIOR foram fuzilados na Fonte da Saudade. A faixa acima foi a homenagem feita pela ONG Rio de Paz, no local das mortes dos PMs.

Agosto - O administrador LUIZ CARLOS SOARES DA COSTA, da Infoglobo, é morto em tiroteio entre PMs e os ladrões que o haviam seqüestrado.

Setembro - Confirmada no dia 4 a morte cerebral de CLEYDE PRADO MAIA, a líder da ONG Gabriela Sou da Paz. Ele sofreu um derrame cerebral.

Outubro - O jornaleiro RAUL CONCEIÇÃO DE MELO, de 49 anos, é morto em assalto na sua banca, na Candelária, no dia 14. Foi baleado sem qualquer chance de defesa. O vereador ALBERTO SALLES (PSC) é morto a tiros em plena luz do dia, na Barra da Tijuca, é nada menos que o 20o político eleito para câmara municipal do estado assassinado em dez anos.

Novembro -  MARCELINO LINHARES DA SILVA, ex-presidente da Feira de São Cristóvão, é morto numa emboscada na Linha Vermelha.

Dezembro - O menino MATHEUS RODRIGUES DE CARVALHO, de 8 anos, é morto por um tiro de fuzil, possivelmente disparado por PMs, por engano, no Complexo da Maré, no dia 4, a alguns quilômetros da solenidade onde o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral lançavam o pacote de medidas antiviolência nas comunidades, dentro do Pronasci. PAULO MARCOS DA SILVA LEÃO, de 26 anos, e RAFAEL OLIVEIRA DOS SANTOS são mortos em tiroteio entre policiais civis e os três bandidos que haviam seqüestrado os rapazes, em Brás de Pina.

 Amanhã: A retrospectiva de 2008 do blog Repórter de Crime com o vídeo da dupla urbana Jorge e Nelson.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
27.12.2008
| 12h00m
violência sobre rodas

Coronel Milton:Trânsito matou 2.058 pessoas no Estado do Rio

Até setembro deste ano, 2.058 pessoas morreram no Estado do Rio em conseqüência de acidentes de trânsito. O número equivale a quase a metade do número de mortos por homicídios dolosos. Esse quadro leva o coronel Milton Corrêa da Costa a criticar uma nova medida do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que padroniza para todo o país os exames aos quais devem ser submetidos motoristas envolvidos em crimes de trânsito.

Para o coronel, é pouco.

Ele explica por que.

"MEDIDA DO CONTRAN CONTRA CRIMES DE TRÂNSITO NÃO TEM PRATICIDADE


Milton Corrêa da Costa


A recentemente anunciada Resolução 300/08, do Conselho Nacional de Trânsito, órgão máximo normativo do Sistema Nacional de Trânsito, precisa ser objeto de reflexão entre os estudiosos em legislação de trânsito pois a meu ver carece flagrantemente de praticidade e não atinge a finalidade principal que é a reeducação do condutor, em tempo hábil. A norma baixada pelo Contran perde a sua eficácia imediata na medida em que, ao padronizar os exames estabelecidos no Artigo 160 do Código de Trânsito Brasileiro, a que devem ser submetidos os condenados em crimes de trânsito, deixa claro, como condição de tal submissão, o trânsito em julgado da sentença condenatória.

A medida não surtirá os efeitos desejados na prática, observada a flagrante morosidade da justiça brasileira e observado o fato de que o Artigo 160 do CTB, em seu parágrafo único, já deixa a critério da autoridade executiva de trânsito (Presidente do Detran) a decisão de submissão do condutor a novos exames em caso de envolvimento de acidente de natureza grave, independentemente do processo judicial. No Detran do Rio tal prática legal já vem sendo efetuada, desde 2000, após comprovada a culpabilidade do condutor em processo administrativo da chamada Comissão Cidadã , onde ao envolvido no acidente é concedido o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório. Até hoje milhares de motoristas, além de penalizados, foram submetidos, como medida administrativa, a novos exames de habilitação.

O que difere agora é a padronização, para todos os Detrans, com especificação dos exames a serem obrigatoriamente efetuados, a partir de 01 de julho de 2009, quando a norma entrará em vigor em território nacional, destacando-se inclusive os exames psicológico e de direção veicular. Se tomarmos como exemplo o caso que envolveu, no ano de 1995, o jogador Edmundo, onde três jovens morreram em conseqüência de um grave acidente no Rio, o atleta em questão estaria até hoje aguardando a possibilidade de submissão a novos exames. O processo ainda encontra-se, após 13 anos, em grau de recurso.

Falta ao Contran estabelecer medidas mais urgentes e necessárias à segurança de trânsito como por exemplo a alteração ao Artigo 147, parágrafo terceiro, do Código de Trânsito Brasileiro, estabelecendo que todas as categorias de condutores, não somente os que exercem atividade remunerada, sejam submetidos, de 5 em 5anos, quando da renovação da CNH, além do exame físico também à avaliação psicológica. Neste caso, a proposta terá que ser encaminhada ao Congresso Nacional por tratar-se de alteração na Lei Federal 9503/97, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro. Há que se recordar que em maio último, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, um condutor, portador de esquizofrenia paranóide, agrediu outro motorista com uma barra de ferro causando à vítima grave traumatismo crânio-encefálico. O agressor, portador de carteira na categoria B, havia sido submetido a exame psicológico somente na obtenção da primeira habilitação há mais de 20 anos.

É sabido que doenças psicóticas podem ser adquiridas durante qualquer período da vida até porque o trânsito urbano, principalmente nas grandes capitais, é hoje fonte inesgotável de estresse.
Outra medida da qual não se pode mais fugir, em razão dos alarmantes níveis de violência do trânsito brasileiro e extremamente necessária é a submissão à avaliação psicológica dos motoristas flagrados por direção alcoolizada ou por uso de substâncias entorpecentes. Proponho, ainda, tal submissão de exame a todo condutor que no período de 12 meses atinja o total de 40 pontos em seu prontuário em decorrência do somatório de infrações cometidas.

Precisamos, pois, através de medidas mais práticas e objetivas, adequar a legislação de trânsito à realidade da barbárie do trânsito brasileiro, que continua matando, mutilando e enlutando milhares de famílias pela imprudência e agressividade de inúmeros motoristas- até setembro deste ano 2.058 pessoas (dados do ISP) morreram no estado - num triste cenário de rotina de carros retorcidos, vítimas ensangüentadas, dor e sofrimento. Trânsito é meio de vida não de morte. Preserve a vida.

Milton Corrêa da Costa é Tenente Coronel da PM do Rio na reserva "


Enviado por Jorge Antonio Barros -
26.12.2008
| 9h43m
entrevista

Cesar nega ser favorável a milícias e é contra liberação das drogas

Um flagrante do prefeito fazendo o que parece ser seu grande prazer: governar por e-mails

O prefeito Cesar Maia afirmou a este blog que foi uma "injustiça inominável" dizerem que ele defendeu as milícias - aqueles grupos formados por policiais e ex-policiais civis e militares, que impõem o terror em favelas da cidade. O nome do prefeito apareceu no relatório final da CPI das Milícias, da Alerj, como sendo uma autoridade tolerante com esse tipo de crime.  Uma das propostas da CPI, em seu relatório final, é justamente a de "apontar as responsabilidades políticas dos últimos governos municipais e estaduais, a partir de 2000, pelo desenvolvimento das milícias no Rio de Janeiro, no mínimo por omissão e, no caso do prefeito César Maia, por declarações públicas que revelam atitude permissiva com os milicianos."

Na última parte da entrevista do prefeito ao blog, foi a única pergunta em que ele espumou, mas manteve a calma e respondeu, sempre tentando ser didático, com seu tom professoral. Ele disse que faz diferença entre milícia e polícia mineira. Que fique bem claro que eu não faço distinção. O nome "milícia" no caso do Rio de Janeiro foi dado por mim em manchete dominical do GLOBO, em reportagem especial feita por Vera Araújo, a primeira repórter a descobrir que a polícia mineira estava se proliferando nas favelas de Jacarepaguá, em 2005, seguindo a tradição do grupo armado de Rio das Pedras. Milícia é apenas um nome novo e simplificado de "polícia mineira" - mais difícil de usar numa manchete.

O prefeito revelou que a população queria a polícia ocupando a Rocinha, no governo Garotinho, mas acabou prevalecendo a ação de uma ONG.

O prefeito defende uma tropa federal destacada especialmente para combater o tráfico de drogas nas fronteiras, portos e aeroportos. Cesar Maia diz que a liberação ou descriminalização das drogas vai afetar a economia porque o trabalhador rural vai preferir plantar maconha do que outras culturas. O prefeito disse que isso levaria os supermercados a ter seções do tipo "Mac Cocaína, Mac Maconha".

- A liberação vai produzir uma distorção econômica gigantesca e a curva de 20 anos vai produzir uma quantida gigantesca de novos viciados, que não poderão ser atendidos normalmente na rede de saúde - afirma o prefeito.

Veja aqui essa parte da entrevista.

Cesar Maia disse também que, pelo bem do país, aceita ser secretário de Segurança de qualquer partido se tivesse liberdade para atuar contra cidadãos de qualquer classe social.

Ao ser indagado sobre quem foi o responsável pelo crime contra a saúde pública, que foi a epidemia de dengue, que tirou a vida de 184 moradores do Estado do Rio - 98 dos quais da capital - o prefeito saiu pela tangente: "É complexo".

 Apesar de muitos leitores me criticarem por mostrar o pensamento de Cesar Maia na área de segurança, considero que este blog cumpriu seu papel, de servir também como documento de uma época. Talvez uma das piores de nossas vidas.

PROMOÇÃO: Última chance para descobrirem o nome do sujeito que aparece na foto atrás do prefeito, em seu gabinete. Ganha um livro quem primeiro acertar, com resposta no email reporterdecrime@globo.com

  

Videoentrevista Jorge Antonio Barros/TV Repórter de Crime/ todos os direitos reservados

Foto: Jorge Antonio Barros


Enviado por Jorge Antonio Barros -
25.12.2008
| 18h08m
comunicação ruim

A Polícia Civil do Rio e a política do avestruz

A Polícia Civil dá sinais de seguir a mesma política de comunicação que tem prevalecido na PM do Rio

O chefe da Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, não deu a mínima para a sugestão que dei aqui de que ele encarasse o erro cometido por policiais da Drae, que mataram dois inocentes ao enfrentar três assaltantes, na antevéspera de Natal. Preferiu colocar na frente o chefe do DPE (Departamento de Polícia Especializada), delegado Allan Turnowski, para dar a coletiva à imprensa, na qual disse que os policiais agiram corretamente. Com todo respeito que tenho ao dr. Turnowski, um policial sério e competente, é claro que os policiais não agiram certo. Isso ficou ainda mais claro quando soube hoje pela matéria do GLOBO que houve gritos de "tem inocente, tem inocente". A essa altura o tiro já estava comendo e não se ouvia mais ninguém.

Leia no site da Polícia Civil a matéria sobre a entrevista de Turnowski.

Ainda que a polícia tenha agido corretamente, como disse Turnowski, o Chefe da Polícia Civil deveria vir à público para dar satisfações à sociedade e não mandar o diretor do DPE falar à imprensa.

Eu só queria ver se o chefe teria o mesmo comportamento se o caso tivesse ocorrido em áreas nobres e turísticas da cidade, como Ipanema ou no Leblon, bairro onde mora o governador Sérgio Cabral. Eu duvido que ele deixaria para os subordinados a dura tarefa de falar sobre erros, coisa que o próprio secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, já fez.

No exterior, os homens públicos costumam ser mais transparentes. Nos piores momentos de sua gestão, enfrentam as câmeras de TV e dão entrevistas, vão ao local onde aconteceu a tragédia e até mesmo enviam emissários para dar uma palavra de conforto às vítimas.

No caso da violência do Rio, urge cada vez mais que as autoridades tenham a sensibilidade de evitar de todo modo a política do avestruz. Até porque quando o avestruz enfia a cabeça na terra, a cauda dele fica completamente exposta.

 Post Scriptum: Uma hora depois desse post, o chefe da Polícia Civl finalmente deu uma entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo. Se quiserem, dêem um google e achem.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
25.12.2008
| 18h00m
soluções

Escolta gratuita para quem sacar dinheiro em bancos. Em Bogotá

Quando estive na Colômbia em outubro de 2006, me chamou a atenção o modo como os colombianos já se acostumaram a criar soluções para enfrentar a criminalidade, sem ficar reclamando do problema. Uma das práticas comuns era o emprego de cães farejadores anti-bomba, incorporados ao cotidiano. Outra era o hóspede de um hotel jamais pegar um táxi sem que um funcionário do hotel o acompanhasse e anotasse a placa do veículo.

A novidade agora em Bogotá é um serviço gratuito de escolta policial para quem vai sacar dinheiro no banco ou caixas-eletrônicos. A medida reduziu em até 30% os assaltos que aqui no Rio são conhecidos como "saidinha de banco".

Os policiais acompanham o cliente até o destino final. E até aceitam gorjetas. Se a moda pega aqui um problema seria só um: os policiais não gostarem do valor da gorjeta e darem "o troco" ao cliente.

Saiba mais no site da BBC.


Enviado por Jorge Antonio Barros -
24.12.2008
| 17h07m
FELIZ NATAL

Para se construir uma nação a gente tem que perguntar junto

Começa a contagem regressiva para 2009. A menos de sete dias do fim do ano de 2008, amargamos mais um episódio com a perda de vidas inocentes, fuziladas no meio da guerra em que se transformou o combate ao crime no Rio. Até quando vamos parar de nos conformar com isso tudo? Até quando teremos forças para nos indignar contra o mal e seus guerreiros? Até quando haverá fé e solidariedade para enfrentar as forças das trevas? Até quando vamos continuar na nossa zona de conforto sem entender que só a união de todos os cidadãos de bem pode conter a violência no Rio?

Perguntas são sempre mais difíceis que as respostas prontas e acabadas que tentam nos enfiar goela a dentro. Se não temos recebido as respostas que esperamos, temos que continuar a perguntar. E, obviamente, a pergunta de uma pessoa sozinha tem uma força. Mas a pergunta de mil pessoas causa preocupação. A pergunta de dez mil pessoas juntas provoca alvoroço e dúvidas. A pergunta de cem mil pessoas começa a tirar a poeira nos gabinetes e das bibliotecas. E a pergunta de um milhão, feita constantemente, a cada episódio desses, vai produzir a resposta imediata que todas pessoas de paz esperam.

Que em 2009 possamos multiplicar as perguntas feitas neste blog e em sua caixa de comentários. Perguntas de leitores que estão preocupados com um problema que só este ano começou a entrar de fato na agenda do governo federal, que influencia os estados e os municípios deste país. Infelizmente somos uma nação que ainda depende muito de Brasília. Mas se a gente começar a fazer as perguntas certas e às autoridades certas, alguma coisa de realmente novo vai acontecer neste país.

Agradeço a todos os leitores que fazem perguntas neste blog. Obrigado pelos comentários, pelas críticas, pela força, pelos toques, pelas dicas, pelas correções, pelos alertas, pelas advertências, pelos pedidos de socorro, pelas mãos estendidas, pelas palavras de estímulo, pelas cobranças, pelo sentimento, pela emoção e, acima de tudo, pela consciência de que não somos uma ilha e precisamos povoar de paz o todo o nosso continente e, com eles, o mundo.

Post Scriptum: Desculpe pela vírgula fora do lugar, no cartão. O revisor está com muitas encomendas pro Natal.

 

 


Enviado por Jorge Antonio Barros -
24.12.2008
| 17h06m
entrevista

Cesar Maia: falta polícia nas ruas do Rio

Na terceira e penúltima parte da entrevista com o prefeito Cesar Maia, ele diz que o problema da segurança pública no Rio é a falta de polícia nas ruas, que deixa os assaltantes mais à vontade para agir e, muitas vezes acabar em tragédias. Ele resistiu bem e não aceitou nenhum dos meus argumentos de que a iluminação e a poda das árvores que encobrem postes são importantes medidas da prefeitura no combate ao crime. Para o prefeito isso é apenas um detalhe.

Cesar deu um puxão de orelha em comandantes de batalhões e delegados que, segundo suas fontes, usam muito pouco e mal os dados sobre a criminalidade no Rio, obtidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), do governo do estado. O secretário de Segurança, Mariano Beltrame, de certa forma confirmou isso na entrevista que me deu ontem. Só em 2009 o governo do estado espera estar formando uma rede de informações que permita se produzir instantaneamente mapas de crimes, o que este blog já fez aqui no ano passado com base em informações dadas pelos próprios leitores.

O prefeito mais conectado da história do Rio recebe cerca de 500 emails por dia e sugere que o governo do estado tenha alguém para receber e responder as questões dos cidadãos.

Cesar Maia diz ainda que, por meio dessas queixas, ele detecta o Centro do Rio como uma das áreas mais críticas com respeito a assaltos.