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Tribunal

Maníaco de Guarulhos depõe em júri e diz que foi torturado para assumir assassinato

Publicada em 18/11/2008 às 22h23m

CBN, O Globo, SPTV
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Promomotor volou a acusar três jovens pela morte de mulher em Guarulhos. Eles haviam sido inocentados - Odival Reis - Diário de S. Paulo

SÃO PAULO - Leandro Basílio Rodrigues, que ficou conhecido como "Maníaco de Guarulhos", prestou depoimento na tarde desta terça-feira durante o julgamento dos três acusados pela morte de Vanessa de Freitas, de 26 anos, e negou ser o autor do crime. Em seu depoimento ao juiz Leandro Cano, Rodrigues voltou atrás na confissão alegando que ela ocorreu sob tortura.

No Tribunal do Júri, Rodrigues contou que foi torturado por um delegado e dois investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Segundo Rodrigues, os três o levaram ao local do crime onde passaram informações sobre a morte de Vanessa. Em uma segunda visita ao local, com os peritos e sendo filmado, Rodrigues afirma que repetiu as informações.

O crime ocorrido em 2006 chegou ao Tribunal do Júri com uma nova reviravolta. Os três acusados pela morte de Vanessa de Freita, de 26 anos, passaram dois anos presos e foram soltos em setembro passado e inocentados publicamente pelo Ministério Público depois que o "maníaco de Guarulhos" assumiu a autoria. William César de Brito, Renato Correia de Brito e Wagner Conceição da Silva disseram ter confessado o homicídio à polícia sob tortura. O promotor Marcelo Oliveira, responsável pela acusação, foi a público dizer que o trio era inocente. O Tribunal de Justiça manteve o julgamento e informou que não daria mais tempo de ele ser cancelado, por o processo existia e deveria seguir seu curso.

Nesta terça, dia em que acontece o julgamento, o promotor Levy Emanoel Magno chegou ao Tribunal disposto a condenar os três publicamente inocentados. Segundo ele, a confissão do "maníaco de Guarulhos, Leandro Basílio Rodrigues, de 19 anos, não se sustenta e ele sequer conseguiria reproduzir o que aconteceu na cena do crime demonstrado pelos laudos periciais. Para o novo promotor do caso, foram mesmo os três jovens que mataram Vanessa.

Segundo Magno, a vítima foi morta por pelo menos duas pessoas e isso será comprovado ao júri.

- A confissão do maníaco é pífia, ela não bate de maneira nenhuma com o exame necroscópico. Se ele tiver que descrever a cena do crime, ele não consegue descrever. Na cena do crime tem duas pessoas, no mínimo - afirmou Levy Emanoel Magno.

O julgamento dos três amigos começou nesta terça e deve terminar amanhã, quarta-feira. É presidido pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano. As primeiras testemunhas ouvidas foram dois PMs, que participaram da prisão dos três acusados.

Uma advogada que inicialmente defendia Wagner Conceição da Silva prestou depoimento nesta tarde e afirma que viu agressões contra William. Ela afirmou ao juiz que não formalizou uma denúncia de agressão por medo de represálias por parte dos policiais.

Vanessa foi encontrada morta em agosto de 2006 em um terreno baldio em Guarulhos. Desde o início, a acusação sustenta que Renato, que tinha um filho com Vanessa, mandou William e Wagner matarem a jovem por vingança.

Os réus esperam ser inocentados.

- Eu quero caminhar, poder sorrir, estar ao lado de meu filho, e poder estar em paz. Sei que na rua mesmo eu não vivo em paz mais - diz o réu William César de Brito.

O surgimento do "maníaco", que disse ter matado pelo menos 50 mulheres, levou o promotor Marcelo de Oliveira, responsável pelo caso até setembro passado, mudar de idéia. Ele disse que ficou convencido que os três homens que vão a julgamento nesta terça-feira confessaram o crime sob tortura e pediu que fossem libertados.

A mãe de Vanessa não acredita na inocência dos três rapazes. Angelita Batista Freitas Borges diz que quer justiça.

- Eu sinto dentro do meu coração - afirmou ela.

Devem ser ouvidas no julgamento dos três rapazes 21 testemunhas. São 15 de defesa e cinco de acusação. O 'maníaco de Guarulhos' também falará aos jurados e foi convocado pelo juiz, como testemunha do júri.

O promotor Marcelo Oliveira, que mandou libertar os três rapazes, iria depor como testemunha de defesa dos jovens que inicialmente acusou, Porém, foi impedido de testemunhar por ter feito parte do processo.

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